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ARMANDO AVENA – A DECISÃO NETO

Redação - 20/04/2018 09:48 - Atualizado 23/04/2018

 

Converso com o Prefeito ACM Neto sobre sua decisão de não disputar a eleição para o governo do Estado. De maneira franca, o Prefeito afirma que precisou decidir entre um projeto de poder pessoal e partidário e o compromisso com o povo de Salvador e optou pela cidade e pela população que o elegeu. A campanha para sua reeleição em 2016, quando obteve 74% dos votos, mesmo com seus adversários afirmando que ele renunciaria em 1 ano e 3 meses para ser candidato a governador, foi determinante nessa decisão.

Ali, segundo ele, consolidou-se o compromisso com a cidade, no momento em que recebeu o aval da população ao trabalho que vinha realizando. Assim, quando a questão da candidatura se impôs, ele percebeu que para ser governador precisava do apoio de 417 municípios, mas para poder sair candidato precisaria do apoio de apenas um: Salvador. E as pesquisas, qualitativas e quantitativas, mostravam que a população da capital queria que ele permanecesse no cargo. Uma dessas pesquisas apontou que 63% dos soteropolitanos preferiam que ele continuasse a frente da Prefeitura.

Segundo o Prefeito, nesse momento ficou muito claro que se ele completasse o mandato para o qual foi eleito cumpriria sua palavra e deixaria um legado, entrando para a história como o prefeito que em 8 anos transformou Salvador. Ao contrário, se optasse pela renúncia seria sempre lembrado por ela, fosse qual fosse o resultado. “Quem tem tempo não tem pressa”, afirma o Prefeito, lembrando que aos 39 anos poderia construir outros projetos no futuro sem ter de responder pelo resto da vida por uma renúncia, especialmente quando havia na população de Salvador uma preferência pela continuidade.

Nesse momento, Neto assume que tem um projeto político mais estruturado e de longo prazo, com a perspectiva de construir um projeto nacional, e que por isso não poderia errar, e a renúncia, independente do resultado das eleições, poderia ser um erro muito maior do que não completar seu mandato e concluir o trabalho que vem realizando. Indago sobre que legado ele pretende deixar para Salvador e o Prefeito se entusiasma e diz que deixa um o legado imaterial de ter resgatado a autoestima da cidade e o respeito que Salvador passou a ter no âmbito nacional. E também um legado material, de um lado porque a Prefeitura de Salvador, que vivia na inadimplência e na insolvência, restabeleceu sua saúde financeira, pode tomar empréstimos nacionais e internacionais e hoje é a capital brasileira que mais investe com recursos próprios. E de outro um legado de obras com projetos da grandeza do Hospital Municipal, do Centro de Convenções, de obras viárias transformadoras, reforma da orla, inauguração de uma escola por semana e muitas outras obras.

As razões de Neto parecem fortes e dão base à sua decisão, mas indago se a possibilidade de perder as eleições e ficar sem mandato e o fato de não ter viabilizado uma aliança ampla com outros partidos não pesaram na sua escolha. ACM Neto diz que não, que nunca teve receio do resultado das eleições, não só porque poderia sair vencedor, já que nas pesquisas realizadas por ele apareceria na frente do governador Rui Costa, mas também porque se perdesse seguiria ocupando a Presidência do DEM, um cargo relevante num partido que está crescendo e que terá papel de destaque nas eleições.  ACM Neto diz que a questão das alianças não foi determinante, pois o quadro politico já lhe dava condições para ser competitivo no processo eleitoral, e já tinha quase o mesmo tempo de televisão que o governador e uma quantidade de partidos coligados superior, tendo a liderança eleitoral em Salvador e um quadro equilibrado no interior.

O Prefeito ACM Neto afirma que contrariou a logica dos políticos brasileiros, na qual o projeto de poder sempre se sobrepõe aos interesses da população, e com isso diferenciou-se da prática política tradicional. E critica o ex-prefeito João Dória que se elegeu dizendo que não era político, que prometeu não deixar o cargo e não querer a reeleição, mas que, com pouco mais de 1 ano mandato, deixou a Prefeitura agindo como um politico tradicional. Neto diz que fez o oposto de Dória e que mesmo tendo condições favoráveis para disputar a eleição preferiu contrariar a lógica tradicional da política, pois quer fazer política de modo diferente: “Eu apostei no futuro, apostei no longo prazo”. E concluiu afirmando:  “os políticos precisam entender que na política moderna as suas decisões devem ser focadas no que pensa o povo e não no que pensa a política, pois sem isso não será possível mudar a política no Brasil”.

                                  O DESENHO DA POLÍTICA NACIONAL

O prefeito ACM Neto considera que a eleição para Presidente da República vai afunilar em torno de três tendências políticas: um candidato de esquerda, Jair Bolsonaro, no âmbito da direita, e um candidato do centro democrático, ao qual ele estará alinhado. Afirma que a ausência de Lula enfraquece a esquerda e que sua transferência de votos será pequena, pois uma coisa é Lula nos palanques fazendo politica e outra é ele preso e fora da mídia.

Diz que num eventual segundo turno, se Bolsonaro ficar de fora, seu eleitor nunca votaria num candidato da esquerda, beneficiando o centro. E lembra uma pesquisa recente na qual 68% dos entrevistados indicaram um desejo de mudança em relação ao quadro político atual, contra 31%. Por isso, Neto acha que o cenário nacional vai favorecer o seu grupo político, diz que vai trabalhar dia e noite pelo seu candidato e prega a unidade das oposições em torno do nome do ex-prefeito de Feira, José Ronaldo.

                                                RESPOSTA DO PLANSERV

Em relação ao comentário publicado nesta coluna, a direção do Planserv enviou nota com uma série de informações para esclarecer o assunto. Segundo a nota, não existe uma “política de cotas” no atendimento, mas um limite de faturamento mensal de cada credenciado e isso não teria como objetivo restringir o acesso ao atendimento, mas garantir a sustentabilidade do plano. A nota não diz, mas fontes do governo afirmam que existe um lobby fortíssimo por parte de associações de clínicas e hospitais no sentido de ampliar desmesuradamente os atendimentos de modo a elevar os lucros e que o controle é para garantir a solvência e sustentabilidade do plano.

Afirma a nota que a empresa Qaulirede foi contratada para implantar serviços de apoio operacional, aprimorando a gestão, e que já implantou, entre outros sistemas, uma Central de Atendimento de 24 horas e um aplicativo para celular já disponível. Reconhece que o sistema dispõe de apenas 3 emergência pediátricas, mas que isso ocorre porque não houve pedido de credenciamento por outros prestadores de serviços e que o sistema esta aberto a novos credenciamentos. O Planserv tem 500 mil associados e é o maior plano de saúde do Norte e Nordeste.

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