MELATONINA BARRA A AÇÃO DA COVID-19, DIZ PESQUISA

MELATONINA BARRA A AÇÃO DA COVID-19, DIZ PESQUISA

A melatonina produzida no pulmão atua como uma barreira contra o novo coronavírus. É o que constataram pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A descoberta abre a perspectiva de uso da melatonina administrada por via nasal – em gotas ou aerossol – para impedir a evolução da doença em pacientes pré-sintomáticos. Outra ideia é utilizar o índice de melatonina pulmonar como um biomarcador de prognóstico para detectar portadores assintomáticos do vírus.

Segundo o Correio, para comprovar a eficácia terapêutica do hormônio contra o novo coronavírus, porém, será necessária a realização de uma série de estudos pré-clínicos e clínicos, destacam os autores do estudo. Os resultados do trabalho, apoiado pela Fapesp, foram descritos em artigo publicado na revista Melatonin Research.

Os pesquisadores analisaram um total de 455 genes associados na literatura a comorbidades relacionadas à Covid-19, à interação do Sars-CoV-2 com proteínas humanas e a portas de entrada do vírus. Desse total, foram selecionados 212 genes envolvidos na entrada do novo coronavírus em células humanas, tráfego intracelular, atividade mitocondrial e processo de transcrição e pós-tradução, para criar uma assinatura fisiológica da Covid-19.

A partir de dados de bancos de sequenciamento de RNA foi possível quantificar os níveis de expressão dos 212 genes que compuseram a chamada “assinatura COVID-19” em 288 amostras de pulmão saudáveis.

Ao correlacionar a expressão desses genes com um índice chamado MEL-Index – que estima a capacidade do pulmão de sintetizar melatonina, baseado na análise do órgão de roedores saudáveis. “Vimos que quando o MEL-Index era alto as portas de entrada do vírus no pulmão ficavam fechadas e, quando estavam baixo, essas portas ficavam abertas. Quando as portas estão fechadas, o vírus fica vagando um tempo pelo ar pulmonar e depois tenta escapar para encontrar outro hospedeiro”, afirma Regina Pekelmann Markus, professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenadora do projeto.

Foto: Agência Gazeta