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DEPUTADOS BAIANOS SÃO CITADOS EM SUPOSTO ‘TRATORAÇO’ DA CODEVASF

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DEPUTADOS BAIANOS SÃO CITADOS EM SUPOSTO ‘TRATORAÇO’ DA CODEVASF

Um suposto esquema montado pelo presidente Jair Bolsonaro para aumentar sua base de apoio no Congresso teria criado um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo.

O flagrante do manejo sem controle de dinheiro público aparece num conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos.

Dois deputados estaduais baianos, Cláudio Cajado (PP) e Charles Fernandes (PSD), são apontados pelo Estadão como parte do esquema. De acordo com a reportagem, Charles Fernandes teria indicado o CNPJ de uma associação beneficente para a qual doaria uma retroescavadeira no interior da Bahia. O parlamentar apontou que o item seria comprado por R$ 300 mil, R$50 mil a mais que o preço médio do equipamento. Já Cláudio Cajado (Progressistas-BA) afirmou ter indicado R$ 12 milhões em cota autorizada pela Secretaria de Governo da Presidência da República (Segov), então comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos e negou que os recursos tenham sido liberados em troca de apoio a Bolsonaro.

Os ofícios, obtidos pela reportagem mostram o atropelo de leis orçamentárias, pois são os ministros que deveriam definir onde aplicar os recursos e a intenção de dificultar o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) já que os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos e a distribuição dos valores só atendeu quem apoia o governo.

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), por exemplo, determinou a aplicação de R$ 277 milhões de verbas públicas só do Ministério do Desenvolvimento Regional, assumindo a função do ministro Rogério Marinho. Ele precisaria de 34 anos no Senado para conseguir indicar esse montante por meio da tradicional emenda parlamentar individual, que garante a cada congressista direcionar livremente R$ 8 milhões ao ano.

Ex-presidente do Senado, Alcolumbre destinou R$ 81 milhões apenas à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a estatal que controla, ao lado de outros políticos.

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Foto- Câmara dos Deputados

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