PERDA DE ALTURA PODE INDICAR OSTEOPOROSE


Foto: Foto: Banco de imagemPerder alguns centímetros de altura ao longo dos anos pode parecer uma consequência natural do envelhecimento. No entanto, essa mudança também pode estar relacionada à osteoporose, doença que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas, muitas vezes sem sintomas evidentes.
Em diversos casos, a redução da estatura ocorre devido a fraturas nas vértebras, que podem surgir após pequenos esforços ou até mesmo sem um trauma significativo. Como nem sempre provocam dor intensa, essas lesões podem passar despercebidas por muito tempo.
A osteoporose costuma evoluir silenciosamente até que ocorra uma fratura. Na coluna, o enfraquecimento dos ossos pode provocar o achatamento das vértebras, contribuindo para a perda de altura e para mudanças na postura.
“É muito comum o paciente achar que está só ‘ficando curvado com a idade’ e não ligar isso a nada preocupante"
❝ Mas quando essa mudança de postura ou de altura é mais evidente, vem acompanhada de dor nas costas ou acontece em um intervalo de tempo curto, ela merece ser investigada: pode ser a coluna contando uma história de fratura que não foi diagnosticada”, explica a reumatologista Ana Luísa Pedreira. ❞
A dor persistente nas costas, a redução perceptível da estatura e o aumento da curvatura da coluna são sinais que merecem atenção. Embora não confirmem a presença de osteoporose, essas alterações podem indicar a necessidade de uma investigação médica.
A osteoporose é mais frequente com o avanço da idade, especialmente entre mulheres após a menopausa, devido à redução dos níveis de estrogênio, hormônio importante para a manutenção da saúde óssea.
O histórico familiar de osteoporose ou fraturas, a baixa ingestão de cálcio, a deficiência de vitamina D, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença.
O uso prolongado de corticoides merece atenção especial, pois esses medicamentos podem contribuir para a perda de massa óssea. Pessoas com doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide e lúpus, devem conversar com o médico sobre a necessidade de monitoramento regular.
“Como reumatologista, vejo isso por dois lados: tenho pacientes que chegam com dor crônica na coluna e, quando investigamos, descobrimos uma fratura vertebral antiga que nunca tinha sido diagnosticada".
❝ Tenho pacientes em tratamento para doenças como artrite reumatoide ou lúpus, que usam corticoide por período prolongado e, por isso, têm o osso mais vulnerável: para esse grupo, o acompanhamento da saúde óssea precisa ser parte da rotina, não um exame isolado ❞
A densitometria óssea é um dos principais exames utilizados para avaliar a densidade mineral dos ossos e auxiliar no diagnóstico da osteoporose. Sua indicação considera fatores como idade, histórico clínico, presença de fraturas e outros riscos individuais.
Quando existe suspeita de fratura vertebral, exames de imagem da coluna também podem ser necessários para identificar possíveis lesões.
O diagnóstico precoce permite adotar medidas para preservar a saúde óssea, incluindo alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos adequados, correção de deficiências nutricionais e uso de medicamentos quando necessário.
A perda significativa de altura, as mudanças na postura e as dores persistentes nas costas devem ser avaliadas por um profissional de saúde, principalmente em pessoas com fatores de risco para osteoporose. Fraturas após quedas leves ou pequenos esforços também precisam ser investigadas.
Embora a estatura possa diminuir gradualmente com o envelhecimento, essa mudança não deve ser automaticamente considerada normal. Identificar a causa pode ajudar a detectar fraturas silenciosas, prevenir novas lesões e preservar a mobilidade e a qualidade de vida.


