BAHIA DEVE REGISTRAR 6.540 CASOS DE CÂNCER DE PRÓSTATA EM 2026


Foto: Foto: MagnificA Bahia deve registrar 6.540 novos casos de câncer de próstata em 2026, dos quais 1.070 em Salvador, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A dimensão do problema norteia a campanha Novembro Azul, que destaca a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, mas simultaneamente abre a perspectiva de explorar as diversas camadas da saúde do homem, convidando-o para o autocuidado. Esperar pelos sintomas não é uma opção, já que o câncer de próstata costuma ser silencioso nas fases iniciais. Ainda assim, dificuldade para urinar, jato fraco, idas mais frequentes ao banheiro ou sangue na urina sempre merecem avaliação urológica.
Para o oncologista clínico Dr. Audrey Cabral Ferreira de Oliveira, do Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), propor o rastreamento do câncer de próstata passa pelo conceito de medicina personalizada. Idade, etnia, histórico familiar, saúde global, valores e preferências do paciente entram na equação, para que a decisão compartilhada favoreça o diagnóstico precoce dos tumores com potencial de avançar e ameaçar a vida.
O posicionamento conjunto de 2023 da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) propõe discutir o rastreamento caso a caso. A conversa é indicada para homens acima dos 50 anos com expectativa de vida superior a dez anos. Ela pode começar entre os 40 e os 50 anos para homens negros, para quem tem histórico familiar da doença e para portadores de variante patogênica hereditária (alteração genética herdada que aumenta o risco de câncer) nos genes BRCA1 ou BRCA2.
O PSA, exame de sangue, e o toque retal oferecem informações complementares. Quando o toque é indicado, explicar o exame, ouvir os receios do paciente e pedir seu consentimento ajudam a reduzir o medo e a quebrar tabus. Conforme os resultados, a investigação pode incluir nova dosagem do PSA, o cálculo da relação entre o PSA e o volume da próstata ou uma ressonância magnética multiparamétrica para esclarecer os achados.
O INCA não recomenda o rastreamento em escala populacional. A preocupação é que o sobrediagnóstico leve ao tratamento excessivo de tumores que não ameaçam a vida do paciente, expondo-o a efeitos adversos. Paradoxalmente, segundo o oncologista, essa posição reforça a importância de estratificar o risco para identificar os grupos e as pessoas que podem se beneficiar. “É como procurar agulhas em um palheiro, com um olhar ampliado pelo conhecimento. Isso é medicina de consultório, individualizada, que considera fatores sociais, étnicos, biológicos e biográficos. O risco de sobrediagnóstico existe, mas o lugar de discuti-lo é o consultório médico”, afirma.
Na prática, dois homens com o mesmo valor de PSA podem ter indicações diferentes de biópsia. Calculadoras de risco, como a PCPT 2.0 e a PBCG, têm sido usadas para decidir se a biópsia se justifica, ao combinar variáveis como idade, etnia, PSA, toque retal, histórico familiar e resultado de biópsia anterior.
Uma vez diagnosticado o câncer, o estadiamento (extensão da doença), o escore de Gleason (grau do tumor) e o PSA ao diagnóstico orientam a conduta. As opções incluem vigilância ativa, prostatectomia (cirurgia de retirada da próstata) ou radioterapia, com ou sem tratamento hormonal concomitante. A escolha leva em conta a estratificação de risco, as expectativas, os valores e as preferências do paciente.
“O Novembro Azul cumpre seu papel quando o homem chega à consulta, fala do que o preocupa e sai com um plano que compreende. Pode ser hora de investigar mais cedo, vigiar de perto um tumor de baixo risco ou tratar uma doença que ameaça sua saúde. Em cada etapa, a evidência orienta a conduta e o paciente participa da escolha”, conclui o oncologista.
Sobre o HFBCCC
A Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer é uma instituição sem fins lucrativos, dedicada à assistência, inovação, ensino e pesquisa em saúde. Criada em 1990 para apoiar a Unidade de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA), a Fundação consolidou-se como uma das principais referências em assistência cardiovascular da Bahia, ampliando sua atuação ao longo das últimas décadas para outras especialidades médicas e para a gestão hospitalar de unidades públicas e privadas. Hoje, mantém o Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), em Salvador, além de atuar na administração de outras unidades de saúde, como o Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão (HEOAS), em Caetité (BA), e o Hospital Ana Mariani, em Barra (BA), bem como na administração do serviço de Hemodinâmica no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), em Aracaju (SE), onde leva atendimento especializado. Reconhecida pela excelência clínica, pelo investimento permanente na formação de profissionais de saúde e pela produção científica, a instituição alia tecnologia, inovação e atendimento humanizado, acumulando certificações de qualidade e reconhecimentos que reforçam seu compromisso com a segurança do paciente, a responsabilidade social e a melhoria contínua da assistência prestada aos baianos.
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