OFICINAS DE ARTE PROMOVEM OPORTUNIDADES DE RENDA EM SALVADOR


Foto: Otávio Santos / Secom PMSPedaços de cerâmica, criatividade e vontade de aprender têm ajudado a transformar a rotina de moradores de Salvador. Promovidas pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), as oficinas gratuitas de mosaico oferecem oportunidades de aprendizado, convivência e geração de renda para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente, a iniciativa está presente em dez Centros de Referência de Assistência Social (Cras) da capital baiana. No Cras Itapagipe, uma das participantes é Adriana Freitas, de 37 anos, moradora do Uruguai há mais de duas décadas. Desempregada, ela encontrou na oficina uma oportunidade de aprender uma nova profissão e conquistar autonomia financeira. Sem experiência anterior com mosaicos, Adriana pretende utilizar os conhecimentos adquiridos para produzir e comercializar peças. "Quero utilizar o que aprender aqui profissionalmente, como uma oportunidade de trabalho. Pretendo produzir minhas peças, divulgar o que faço e oferecer meus serviços às pessoas da comunidade", contou.
Para outros participantes, a atividade representa uma oportunidade de socialização e de ocupar o tempo livre. É o caso de Marivalda Soares, de 78 anos, que passou praticamente toda a vida no Pero Vaz e se mudou recentemente para a região de Itapagipe. Morando com a sobrinha, ela decidiu participar das oficinas para conhecer novas técnicas e aproveitar as tardes na companhia de outras pessoas. "Eu me dou bem com as colegas e, na verdade, com todo mundo. Vim justamente para ter uma tarde mais aconchegante, estar com outras pessoas e conversar. Essa foi a principal razão de eu procurar a oficina", relatou.
Marivalda participa da atividade pela segunda vez. Na primeira experiência, produziu uma peça utilizando fragmentos de cerâmica, que ainda guarda em casa. "Vim mais para passar a tarde, porque gostei muito da primeira aula de que participei. Agora, quero aproveitar esse momento e conhecer outros trabalhos que o professor ensina", acrescentou.
O professor Fernando Queiroz, de 54 anos, que há 13 anos ministra oficinas de mosaico pela Sempre, destacou que as atividades vão além do aprendizado artístico. Com cerca de dez turmas e entre 200 e 300 participantes por semestre, ele ressaltou a importância dos encontros para o acolhimento e a convivência social.
"O objetivo do nosso encontro não é só a arte pela arte. É você sair de casa um dia para se conectar com você, com sua essência. A arte para adoçar a vida, para você se conectar e esquecer um pouco os problemas do cotidiano", afirmou.
Acolhimento
A coordenadora do Cras Itapagipe, Soraia Azevedo, explicou que as oficinas acontecem quinzenalmente, às sextas-feiras, a partir das 14h, e estão com inscrições abertas. Segundo ela, além da possibilidade de geração de renda, os encontros contribuem para o bem-estar emocional e aproximam pessoas de diferentes idades e realidades sociais.
"Não é uma aula apenas para construir um quadro com pequenas peças. O professor explica a história do mosaico, conversa com cada participante e dá oportunidade para que as pessoas falem sobre si mesmas e compartilhem suas experiências de vida", destacou.
Para Soraia, a oficina também funciona como espaço de acolhimento e troca de experiências. "Convidamos a comunidade a participar, porque será uma tarde diferente. Não é apenas um momento para colar pedras, mas uma oportunidade de trocar experiências, conhecer pessoas e abrir novos caminhos", completou.
*Informações da Secom PMS.


