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DERROTA DE FLÁVIO BOLSONARO PROVOCA MUDANÇAS NO CENTRÃO

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DERROTA DE FLÁVIO BOLSONARO PROVOCA MUDANÇAS NO CENTRÃO
Foto: EFE/ Lucas Figueiredo

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste domingo (25) levou partidos do Centrão a reavaliar estratégias para buscar espaço no próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As siglas avaliam que a formação de alianças deverá ocorrer por meio de acordos com grupos internos, e não necessariamente com os partidos em sua totalidade.

A expectativa é que ministérios e cargos sejam negociados com setores mais próximos do Palácio do Planalto. Diretórios do Norte e do Nordeste que apoiaram Lula durante a campanha aparecem entre os grupos que esperam ampliar sua participação no governo.

No MDB, os diretórios do Amazonas, do Pará e de Alagoas são citados nesse cenário. No PSD, a ala da Bahia é apontada como próxima ao presidente. Já integrantes do PP e do Republicanos na Paraíba também esperam maior espaço após terem apoiado o petista.

O PSD, presidido por Gilberto Kassab, manteve neutralidade no segundo turno e agora avalia as possibilidades de participação no governo. O Republicanos, que apoiou Flávio Bolsonaro, reconhece que poderá enfrentar dificuldades nas negociações, mas considera que a necessidade de ampliar a base no Congresso pode abrir espaço para o diálogo.

O MDB também deverá enfrentar negociações, após setores expressivos da legenda terem declarado apoio ao candidato do PL. No governo atual, o partido ocupou ministérios como Cidades, Planejamento e Transportes.

A federação União Brasil-PP, cujos dirigentes Antônio Rueda e Ciro Nogueira participaram da campanha de Flávio, também terá de reorganizar sua estratégia. Apesar do apoio ao candidato do PL, a avaliação entre aliados é que o governo precisará construir acordos para garantir apoio parlamentar.

A eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027, também está no centro das articulações. O PL pretende ampliar sua influência na Casa e trabalha com o nome do senador Rogério Marinho (RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) aparece como alternativa.

O partido terá uma bancada de 29 senadores, segundo os dados apresentados no cenário político citado. Para eleger o presidente do Senado, são necessários pelo menos 41 votos, o que exige articulações com outras legendas.

Parte do Centrão avalia que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), poderá manter espaço nas negociações por ser visto como um interlocutor entre o Legislativo e o Executivo.

Na Câmara dos Deputados, o Republicanos aposta na aproximação com o governo após a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Casa. O PL, que ampliou sua representação parlamentar, chegou a articular uma reação contra Motta, mas encontrou resistência de partidos do Centrão.

Com a nova configuração política, as negociações por ministérios, cargos e comando das Casas legislativas devem ocupar o centro das discussões entre o governo e os partidos para a próxima legislatura.

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