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PORTOS DO NORDESTE DISPUTAM NOVAS CARGAS E PREPARAM INVESTIMENTOS BILIONÁRIOS

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PORTOS DO NORDESTE DISPUTAM NOVAS CARGAS E PREPARAM INVESTIMENTOS BILIONÁRIOS
Foto: Elias Norbert

Os portos do Nordeste ampliam investimentos em infraestrutura e buscam novas rotas comerciais para atrair cargas e fortalecer sua participação no comércio internacional. Projetos de novos terminais, dragagens e modernização operacional movimentam complexos como Suape, Pecém e Itaqui, enquanto portos menores tentam conquistar espaço em mercados nacionais e estrangeiros.

No Piauí, o Porto de Luís Correia, o mais novo da região, começou a estruturar conexões internacionais. Após obter o alfandegamento da Receita Federal, em setembro, o Porto Piauí avançou nas tratativas com o Porto de Aveiro, em Portugal. Formalizada em abril, a parceria prevê o desenvolvimento de rotas comerciais entre os dois países, com a expectativa de realizar a primeira operação de exportação de grãos em 2027.

A iniciativa busca inserir o Piauí no mercado europeu e reduzir a dependência dos portos do Ceará e do Maranhão. O terminal também poderá atender ao escoamento da produção do Matopiba, região agrícola que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Para consolidar a rota, porém, será necessário garantir volumes regulares de carga e uma estrutura de transporte terrestre competitiva.

Em Pernambuco, o Porto do Recife procura oportunidades na cadeia de petróleo e gás, diante das perspectivas de exploração da Margem Equatorial. Empresas do setor offshore já consultaram a administração portuária sobre a disponibilidade de áreas para futuras operações.

O presidente do Porto do Recife, Wagner Maciel, aposta na experiência adquirida durante o desenvolvimento do pré-sal, quando a GE utilizou instalações do terminal para montar equipamentos destinados a plataformas de petróleo. O porto dispõe de aproximadamente 130 mil a 135 mil metros quadrados de área alfandegada, além de armazéns e pátios que podem ser utilizados pelo setor.

Porto Sul prevê R$ 6,59 bilhões em investimentos

Na Bahia, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou o projeto de implantação do Terminal de Uso Privado (TUP) Porto Sul, em Ilhéus, com investimentos previstos de R$ 6,59 bilhões. Executado pela Bahia Mineração (Bamin), o empreendimento deverá ser integrado à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), criando um corredor para o transporte de minério de ferro, grãos e celulose do interior baiano e do Centro-Oeste.

O Porto Sul integra um conjunto de 15 propostas aprovadas pelo conselho, que somam R$ 10,8 bilhões em financiamentos. A concretização do projeto, no entanto, depende do avanço da Fiol.

As obras do trecho entre Ilhéus e Caetité, com 75% de execução, estão suspensas desde abril de 2025. O governo federal negocia a transferência da concessão da Bamin para a portuguesa Mota-Engil e o reequilíbrio do contrato. A conclusão da ferrovia será determinante para viabilizar a operação do terminal e consolidar o corredor de exportação.

Leilões de terminais estão previstos para dezembro

A disputa por novas cargas também envolve concessões e arrendamentos. Em 9 de dezembro, estão previstos leilões de três terminais portuários na B3, em São Paulo, com investimentos estimados em R$ 582,3 milhões.

O maior aporte previsto é para o terminal MUC04, no Porto de Fortaleza, com cerca de R$ 429 milhões. Também estão na lista uma área destinada a fertilizantes no Porto do Itaqui, com investimentos de R$ 147 milhões, e um terminal de carga geral em Salvador, estimado em R$ 6,39 milhões.

As iniciativas fazem parte de um movimento de ampliação da infraestrutura portuária nordestina, que busca atrair novos operadores, diversificar as mercadorias movimentadas e criar alternativas para o escoamento da produção regional.

(Folha de Pernambuco)

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