ENTREVISTA COM ALEXANDRE BALDY VICE-PRESIDENTE SÊNIOR DO GRUPO BYD NO BRASIL


Foto: João PauloBahia Econômica – A BYD apresentou na última quinta-feira dia 29 os números do impacto econômico da empresa no estado. Depois de dois anos da chagada da fábrica como você avalia esses números?
Alexandre Baldy – Nós estamos muito felizes com a resposta que a BYD está trazendo para Bahia. São mais de R$ 11 bilhões em investimentos até o momento, novos complexos industriais vão ser montados e esse investimento vai dobrar praticamente, então são mais de 9 mil empregos atuais na fábrica, esse número pode chegar a 20 mil quando ele estiver em plena atuação, então nós estamos apenas iniciando um processo que é revolucionário para indústria automotiva nacional. A Fábrica da BYD hoje tem praticamente o dobro do tamanho em área construída da antiga montadora que estava aqui. Nosso objetivo atual é dobrar o tamanho, então o projeto é grandioso.
Bahia Econômica – O governo aprovou o fim da escala 6x1 o que gerou muitas criticas do setor econômico. Para a BYD haverá alguma mudança
Alexandre Baldy – Acompanhamos de perto esse processo no congresso e hoje o eu posso garantir é que nada irá mudar. Nós vamos seguir crescendo e nos adaptando a essa nova legislação. No momento é isso que posso explicar
Bahia Econômica – Sobre a nova reforma tributária, que inicia o processo de transição em 2027, como a BYD está vendo.
Alexandre Baldy – A reforma tem um ponto importante para nós montadoras de carros eletricos que a questão do incentivo previsto na lei 9440. Nós estivermos presentes no congresso acompanhando de perto esse processo e eu posso assegurar para a BYD quanto mais tempo esse incentivo permanecer nós estaremos incentivando ainda mais a economia desses pais. Estamos cientes da reforma e trabalhando para seguir todos os protocolos.
Bahia Econômica – Em relação aos componentes de fabricação dos carros como está a relação com as fabricas baianas?
Alexandre Baldy – Na semana passada nós estivermos reunidos com algumas produtoras de pneus do estado e fizemos um pedido de uma grande quantidade para nossa fabrica. Nós temos hoje projetos de colocar alguns fornecedores instalados dentro do nosso complexo em Camaçari, pois é muito importante ter essa proximidade com nossos fornecedores locais. A relação com eles tem sido diária e construtiva. Hoje nós estamos com nossos carros quase 100% sendo produzidos no Brasil, e na Bahia, e nosso projeto é que, de fato, os carros que saiam de Camaçari sejam 100% nossos, fabricados no Brasil, com peças e fornecedores baianos e brasileiros.
Bahia Econômica – Já tem um prazo para o carro ser 100% construído em camaçari?
Alexandre Baldy – Nós estamos proximos. A BYD tem 17 fornecedores instalados no sua fábrica e já tem unidades de pintura, estamparia de peças e soldagem em processo final de construção. Com isso a fábrica irá migrar do regime CKD e SKD —em que os veículos chegam desmontados ou parcialmente montados no país— serão gradativamente substituídos pela produção local. Os carros considerados nacionais começarão a ser feitos entre novembro e dezembro, e o índice de 50% de localização deve ser atingido em janeiro.
Bahia Econômica – Sobre a qualificação profissional, como a BYD está qualificando seus funcionários?
Alexandre Baldy – Através de parcerias com Senai e com IEL nós estamos formando algumas turmas já de pessoas para trabalhar na nossa fábrica. Nós tivemos um apoio fundamental da FIEB também nesse aspecto, pois nos ajudou a qualificação de nossos profissionais através de parcerias com Senai. São 9 mil trabalhadores e nosso objetivo é chegar a 20 mil, então esse tipo de parceria é de fundamental importância para a BYD.
Bahia Econômica – Sobre o porto da antiga Ford a BYD tem interesse?
Alexandre Baldy – O porto é de interesse extremo para a Byd. Nós temos hoje uma demanda maior que a nossa capacidade de produção e ter aquele porto ali seria um elemento agregador grande e poderia ajudar em muito as nossas exportações para a América Latina e outros países. Então estamos atentos a todas as movimentações do governo da Bahia que detém a responsabilidade pelo porto e vamos demostrar total interesse quando ele for licitado


