URNAS SE FECHAM EM ISRAEL E RESULTADO PODE MUDAR RUMO DO GOVERNO NETANYAHU


Foto: ReproduçãoAs eleições parlamentares de Israel chegaram ao fim nesta terça-feira (27), em uma votação que pode determinar a permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder. Pesquisas divulgadas antes do pleito indicavam dificuldades para que o bloco governista conquistasse a maioria das cadeiras do Parlamento.
O principal adversário de Netanyahu é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel. Apesar de aparecer como um dos principais nomes da oposição, ele também enfrenta dificuldades para reunir sozinho o apoio necessário à formação de um governo.
De acordo com o Comitê Central Eleitoral de Israel, aproximadamente 7,3 milhões de eleitores estavam aptos a votar em cerca de 12 mil seções eleitorais. O voto é facultativo para cidadãos israelenses maiores de 18 anos.
O Parlamento israelense, conhecido como Knesset, possui 120 cadeiras. Para alcançar a maioria absoluta, são necessários pelo menos 61 parlamentares, o que torna as alianças entre partidos fundamentais para a formação do governo.
O sistema eleitoral estabelece uma cláusula de barreira de 3,25% dos votos para que os partidos conquistem representação parlamentar. Como nenhuma legenda conseguiu historicamente obter sozinha a maioria absoluta, os governos israelenses costumam depender de coalizões.
Netanyahu, líder do partido de direita Likud, está no poder desde 2009, com uma interrupção entre 2021 e 2022. Sua atual base política reúne partidos conservadores e de ultradireita, mas enfrenta divisões relacionadas a questões como o recrutamento militar de judeus ultraortodoxos.
A oposição, por sua vez, tenta reunir forças suficientes para impedir a continuidade do atual governo.
Gadi Eisenkot, fundador do partido de centro Yashar, construiu sua trajetória como militar e ganhou projeção política após integrar o gabinete de guerra de Netanyahu. Ele passou a criticar o governo pela falta de uma estratégia clara para o conflito na Faixa de Gaza.
Outro grupo relevante é formado pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid. Os dois já conseguiram afastar Netanyahu do poder em 2021, quando lideraram uma coalizão que reuniu partidos de diferentes orientações políticas.
A aliança entre Bennett e Lapid busca apresentar uma alternativa ao atual governo, com propostas de reformas internas e mudanças na condução de questões políticas e militares.
Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa e antigo aliado de Netanyahu, também figura entre os críticos do primeiro-ministro. Com posições firmes em questões de segurança, ele rompeu com o governo em 2018 e passou a integrar a oposição.
A votação acontece em meio aos impactos da guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023. Na ocasião, mais de 1.200 pessoas morreram e 251 foram levadas como reféns.
Em resposta, o governo israelense lançou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza, que provocou milhares de mortes e uma grave crise humanitária no território palestino.
A condução da guerra tornou-se um dos principais pontos de debate político no país. Enquanto Netanyahu enfrenta críticas sobre a estratégia militar e os resultados do conflito, seus adversários tentam conquistar apoio entre eleitores insatisfeitos com o governo.
Especialistas também apontam que a participação eleitoral de grupos urbanos, seculares e árabes pode influenciar o resultado, especialmente diante da disputa por uma maioria parlamentar.
Com o encerramento das urnas, a definição do próximo governo dependerá da distribuição das cadeiras no Knesset e da capacidade dos partidos de construir alianças.
Mesmo que o Likud não consiga a maioria, Netanyahu poderá tentar permanecer no cargo por meio de negociações com outras legendas. Da mesma forma, a oposição precisará superar diferenças internas para formar uma coalizão alternativa.
O resultado eleitoral, portanto, será decisivo para determinar os rumos políticos de Israel e poderá influenciar a condução da guerra, as relações regionais e as políticas internas do país.


