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TRABALHO INFANTIL CAI 9,2%, MAS ATINGE 1,5 MILHÃO NO BRASIL

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TRABALHO INFANTIL CAI 9,2%, MAS ATINGE 1,5 MILHÃO NO BRASIL
Foto: Guilherme Weber de Lima

O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil caiu 9,2% no Brasil em 2025, mas ainda alcança quase 1,5 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos. Desse total, 525 mil estavam submetidas às piores formas de exploração, que colocam em risco a saúde, a segurança e o desenvolvimento. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Ao todo, o país contabilizou 1,499 milhão de crianças e adolescentes nessa condição, o equivalente a 4% da população dessa faixa etária. Em 2024, eram 1,65 milhão. Na comparação com 2016, quando o número chegou a 2,1 milhões, a redução foi de 28,6%.

Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, fatores como a ampliação das políticas de assistência social, o aumento da renda familiar e o aquecimento do mercado de trabalho podem ter contribuído para a queda.

Apesar da redução geral, 525 mil crianças e adolescentes estavam envolvidos nas chamadas piores formas de trabalho infantil em 2025. A classificação abrange atividades que expõem esse público a riscos graves, incluindo escravidão, exploração sexual e tráfico de drogas.

O número representa 1,4% da população entre 5 e 17 anos e é o menor da série histórica apresentada pelo instituto. Em 2024, eram 560 mil pessoas nessa situação. Em 2016, o total chegava a 919 mil.

A incidência do trabalho infantil aumenta conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, foram registrados 280 mil casos, correspondentes a 1,1% dessa população. Na faixa dos 14 aos 15 anos, o número chegou a 348 mil, ou 5,9%. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, foram contabilizados 871 mil casos, equivalentes a 14,5% do grupo.

Em números absolutos, o Sudeste concentrou o maior contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, com 481 mil casos. O Nordeste apareceu em seguida, com 408 mil.

Quando considerados os percentuais em relação à população de cada região, o Norte apresentou a maior proporção, de 6,3%. O Sudeste registrou a menor taxa, de 3,3%.

O Nordeste, por sua vez, apresentou a maior redução ao longo do período analisado. Entre 2016 e 2025, os registros caíram 45,6%. Na comparação com 2022, a diminuição foi de 29,2%.

A pesquisa também identificou uma queda expressiva do trabalho infantil entre crianças e adolescentes que vivem em domicílios beneficiários do Bolsa Família. Entre 2016 e 2025, a redução chegou a 41%, enquanto a média nacional ficou próxima de 29%.

Em 2025, 4,4% das pessoas de 5 a 17 anos residentes em domicílios beneficiários estavam em situação de trabalho infantil. Entre a população total dessa faixa etária, o percentual era de 4%.

Apesar da diferença, o IBGE aponta que a distância entre as taxas diminuiu ao longo do período. O levantamento também revelou disparidades de renda: a renda domiciliar per capita média era de R$ 660 entre os beneficiários com crianças e adolescentes nessa faixa etária, contra R$ 1.990 nos domicílios que não recebiam o auxílio.

Os dados mostram diferenças importantes relacionadas a gênero e raça. Os meninos representavam 65,4% das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil, embora correspondessem a 51,2% da população de 5 a 17 anos. As meninas respondiam por 34,6% dos registros.

Pessoas pretas e pardas concentravam 67% dos casos, apesar de representarem 59,7% da população nessa faixa etária. Entre pessoas brancas, a participação nos registros era de 32%, diante de 39,5% de representação na população total.

A frequência escolar também era menor entre adolescentes submetidos ao trabalho infantil. Entre aqueles de 16 e 17 anos, 79,6% frequentavam a escola, enquanto o índice geral para a mesma faixa etária era de 89,6%.

Entre os adolescentes de 14 e 15 anos, a frequência escolar era de 95% entre aqueles em situação de trabalho infantil, ante 98,1% no conjunto da população dessa idade.

Do total de 1,499 milhão de crianças e adolescentes identificados pela pesquisa, 1,141 milhão exerciam atividades econômicas. Outros 358 mil realizavam exclusivamente atividades voltadas ao autoconsumo, destinadas à subsistência da própria família.

A jornada de trabalho também chama a atenção: em 36,3% dos casos, as atividades ocupavam mais de 25 horas semanais. Em 21,4%, a carga horária chegava a 40 horas ou mais.

Entre adolescentes de 16 e 17 anos, 67% trabalhavam na informalidade em 2025. Embora o percentual continue elevado, foi o menor da série histórica. Em 2024, a taxa era de 69,4%, enquanto em 2022 chegava a 76,3%.

Além do trabalho infantil, o IBGE investigou a realização de tarefas domésticas não remuneradas e de cuidados com outras pessoas. Essas atividades não são classificadas como trabalho infantil na metodologia utilizada pela pesquisa.

Dos 37,8 milhões de brasileiros entre 5 e 17 anos, 15,9 milhões realizavam tarefas domésticas ou cuidavam de pessoas, o equivalente a 42,1% dessa população.

A participação foi maior entre as meninas, com 47,9%, enquanto entre os meninos ficou em 36,6%. O percentual também cresceu conforme a idade: entre adolescentes de 16 e 17 anos, 64,6% realizavam atividades domésticas ou prestavam cuidados a outras pessoas.

Os resultados mostram que, embora o Brasil tenha registrado uma redução no trabalho infantil em 2025, centenas de milhares de crianças e adolescentes continuam expostos às formas mais graves de exploração, enquanto desigualdades regionais, raciais e de gênero permanecem presentes nos indicadores.

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