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SANTIAGO PEÑA TEVE DOIS EPISÓDIOS PROBLEMÁTICOS ENVOLVENDO O BRASIL; RELEMBRE

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SANTIAGO PEÑA TEVE DOIS EPISÓDIOS PROBLEMÁTICOS ENVOLVENDO O BRASIL; RELEMBRE
Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña. Ele foi destituído do cargo em meio a uma crise política provocada pelo fechamento do banco digital ueno. Durante os pouco mais de três anos em que esteve no poder, Peña também enfrentou episódios de tensão diplomática com o Brasil. Dois deles ganharam destaque:

• a revelação de uma operação de espionagem hacker contra autoridades paraguaias;

• as falas do presidente Lula sobre a Guerra do Paraguai, além de uma nova disputa pela devolução de um canhão levado pelo Brasil durante o conflito.

Os dois episódios envolveram questões sensíveis para os países vizinhos: a negociação sobre a energia produzida pela usina de Itaipu e a memória de um dos conflitos mais traumáticos da história paraguaia.

Relembre os episódios a seguir:

Espionagem hacker

Em março de 2025, Brasil e Paraguai entraram em um atrito diplomático após a revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) havia autorizado uma operação hacker contra sistemas do país vizinho.

Um funcionário da Abin afirmou em depoimento à Polícia Federal que agentes brasileiros mantiveram operações de invasão a sistemas da Presidência da República e do Congresso do Paraguai.

A ação também envolveu acessos a equipamentos de autoridades envolvidas nas negociações sobre as tarifas de Itaipu.

As informações foram publicadas pelo portal UOL e confirmadas pela TV Globo.

As ações tinham como objetivo obter informações sigilosas sobre as tratativas relacionadas ao Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as bases financeiras e as condições de comercialização da energia produzida pela usina.

O depoimento apontou que a operação começou em junho de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e continuou após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023.

À época, em nota conjunta, a Presidência da República e o Ministério das Relações Exteriores confirmaram a existência da operação, mas afirmaram que ela foi encerrada em março de 2023, quando o governo Lula tomou conhecimento das ações.

A revelação provocou uma reação do governo Peña. O Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção para pedir explicações e anunciou a suspensão das negociações sobre a revisão do Anexo C de Itaipu.

Guerra do Paraguai

Em julho de 2026, uma declaração de Lula sobre a Guerra do Paraguai provocou uma nova reação do governo de Peña.

Durante um discurso em Jacareí (SP), o presidente brasileiro defendeu investimentos em defesa nacional e afirmou que o Brasil, apesar de gostar da paz, não poderia esquecer que o Paraguai havia invadido o território brasileiro no século 19.

O conflito, também conhecido como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870 e colocou o Paraguai contra uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.

As consequências foram especialmente devastadoras para os paraguaios.

Estimativas históricas apontam que o país perdeu entre 60% e 70% da população durante a guerra, embora não exista consenso sobre o número exato de mortos.

A declaração provocou críticas no Paraguai. O chanceler Rubén Ramírez Lezcano disse que o governo paraguaio defenderia a dignidade e os interesses nacionais diante das falas do presidente brasileiro.

A Câmara dos Deputados paraguaia também aprovou uma declaração de repúdio, afirmando que Lula havia minimizado a dimensão histórica do conflito.

Dias depois, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção para entregar uma nota diplomática de protesto. O documento também retomou uma antiga reivindicação do país: a devolução de troféus de guerra levados pelo Brasil durante o conflito, entre eles o canhão El Cristiano, exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

Segundo reportagem da colunista Bela Megale, publicada pelo jornal O Globo em agosto, Lula autorizou a devolução da peça. A transferência, no entanto, depende de trâmites e negociações diplomáticas entre os dois países.

O canhão

O El Cristiano é um obuseiro de aproximadamente 12 toneladas, com 2,94 metros de comprimento e 1,34 metro de largura. A peça foi produzida durante a Guerra do Paraguai com o bronze de sinos de igrejas paraguaias. O nome significa "O Cristão", em espanhol. O artefato foi utilizado pelas tropas paraguaias durante o conflito e acabou levado pelo Brasil após a derrota do país vizinho. Desde 1870, está em território brasileiro.

Atualmente, pode ser visto gratuitamente no Museu Histórico Nacional, na região da Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro.A reivindicação pela devolução não é recente. O governo paraguaio pede a restituição do canhão há mais de uma década, por considerar a peça parte importante da memória nacional e um símbolo da resistência do país durante a guerra.

No Brasil, o El Cristiano é considerado patrimônio histórico e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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