QUEDA DE JUROS PODE ADICIONAR R$ 4,9 BI AOS LUCROS DA BOLSA


Foto: Imagem de Nattanan Kanchanaprat por PixabayA perspectiva de redução dos juros no Brasil pode representar um impulso relevante para os resultados das empresas listadas na Bolsa. Segundo levantamento do Itaú BBA, cada corte de 1 ponto percentual nos custos da dívida doméstica das companhias do índice IBX teria potencial para elevar em cerca de R$ 4,9 bilhões o lucro líquido projetado para 2027, o equivalente a um avanço de 0,9% nos ganhos agregados das empresas.
O estudo mapeou a exposição das companhias mais líquidas da Bolsa a dívidas atreladas ao CDI e à inflação (IPCA), descontando o caixa disponível. Ao todo, os analistas identificaram R$ 742 bilhões de exposição líquida à dívida doméstica. Segundo os cálculos do banco, um cenário de corte de 300 pontos-base na Selic combinado com uma redução de 150 pontos-base na inflação implícita poderia adicionar cerca de R$ 12,6 bilhões aos lucros das empresas, ou 2,3% dos resultados estimados para 2027.
Na análise setorial, utilities aparecem como as grandes beneficiárias de um ciclo de queda dos juros. O segmento teria aumento de 4,6% nos lucros para cada redução de 100 pontos-base nos custos da dívida doméstica. Na sequência aparecem os setores industrial, com ganho potencial de 4,3%, e saúde, com 3,9%. Empresas de consumo discricionário também se beneficiariam, embora em menor intensidade, com impacto de 1,6% nos lucros.
Bancos, energia, saneamento e Petrobras tendem a mostrar maior resiliência, enquanto varejo, construção civil e empresas mais alavancadas seguem pressionadas por juros elevados; atenção do mercado estará voltada para 2027 e não apenas para o lucro do trimestre
Em termos absolutos, as utilities concentram quase metade do benefício total calculado pelo banco. O setor responderia sozinho por R$ 2,3 bilhões dos R$ 4,9 bilhões de ganho projetados para o IBX em um cenário de redução de 100 pontos-base nos custos da dívida. Juntamente com as empresas industriais, o segmento representa cerca de 64% de todo o efeito positivo estimado pelo Itaú BBA.
O relatório mostra ainda que a maior parte do ganho vem da redução dos juros pós-fixados. Cerca de 71% do benefício total está ligado às dívidas atreladas ao CDI, enquanto o restante decorre dos papéis indexados ao IPCA.
No recorte por empresa, a maior sensibilidade aos juros aparece na Simpar (SIMH3). Segundo o Itaú BBA, um corte de 100 pontos-base nos custos da dívida poderia elevar o lucro projetado da companhia em 39,5%. Em seguida aparecem Cosan (CSAN3), com potencial de alta de 30,4%, Marfrig (MRFG3), com 28,2%, Minerva (BEEF3), com 25,7%, e Ecorodovias (ECOR3), com 24,7%.
Entre as empresas com maior volume absoluto de dívida doméstica, os destaques são Auren (AURE3), com R$ 57,5 bilhões, Equatorial (EQTL3), com R$ 57,2 bilhões, Cosan (CSAN3), com R$ 47,8 bilhões, Simpar (SIMH3), com R$ 45,8 bilhões, e Sabesp (SBSP3), com R$ 44,7 bilhões.
Goldman Sachs aponta que lançamentos seguem superando vendas no segmento econômico, elevando os estoques a níveis recordes e aumentando a atenção sobre construtoras expostas à baixa renda
A Equatorial chama atenção por combinar elevado endividamento local e forte impacto potencial nos resultados. O banco estima que cada corte de 100 pontos-base nos juros poderia elevar o lucro da companhia em 14,4%.
Empresas de energia e infraestrutura ganham destaque
Ao analisar especificamente as dívidas indexadas à inflação, o Itaú BBA observa que os maiores beneficiários de uma queda dos juros reais pertencem principalmente aos setores de energia e infraestrutura. Nesse cenário, a Ecorodovias aparece novamente como destaque, com potencial de aumento de 24,7% nos lucros para cada redução de 1 ponto percentual no custo das dívidas atreladas ao IPCA. Na sequência surgem Eneva (ENEV3), Motiva (MOTV3), ISA Energia (ISAE4) e Taesa (TAEE11).
Na avaliação do Itaú BBA, a análise reforça a importância do ciclo de juros para a Bolsa brasileira. Além do efeito tradicional sobre valuations, a redução da Selic tem potencial para impulsionar diretamente os resultados corporativos por meio da queda das despesas financeiras, beneficiando sobretudo companhias mais alavancadas e com maior exposição à dívida doméstica.


