PROTESTOS NA GRÉCIA COBRAM SALÁRIOS MAIORES E INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO


Foto: REUTERS/Stelios MisinasEstudantes, professores e funcionários públicos foram às ruas de diversas cidades da Grécia nesta quarta-feira (21) para protestar contra o custo de vida e as condições do sistema educacional. Inspiradas também pelas mobilizações realizadas na França, as manifestações reuniram milhares de pessoas em Atenas, Tessalônica e Patras.
De acordo com a polícia, cerca de 5 mil pessoas participaram dos atos na capital grega, enquanto outras 3 mil se reuniram em Tessalônica, segunda maior cidade do país, e mais 3 mil em Patras.
Entre as principais reivindicações estão o aumento dos investimentos públicos na educação, a melhoria das condições de trabalho e reajustes salariais. Os manifestantes também criticam o impacto da inflação sobre o orçamento das famílias e dos trabalhadores.
Em Atenas, um grande complexo escolar está fechado há duas semanas após um vazamento de gás provocar a suspensão das aulas para aproximadamente 4 mil estudantes. As circunstâncias do incidente ainda estão sendo investigadas.
A situação ampliou as preocupações com a infraestrutura das instituições de ensino e reforçou as cobranças por mais recursos destinados ao setor.
Segundo dados da Eurostat, a Grécia destinou 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação em 2023, abaixo da média de 4,7% registrada na União Europeia.
O sindicato dos professores do ensino médio, conhecido como OLME, estima que faltem 15 mil profissionais nas escolas gregas, cenário que pressiona ainda mais o sistema educacional.
O custo de vida também está entre os principais motivos das manifestações. Em setembro, a inflação na Grécia chegou a 5,1%, enquanto a média da zona do euro ficou em 3,8%, segundo a Eurostat.
Apesar dos reajustes recentes, o salário mínimo mensal informado no país é de 920 euros líquidos, equivalente a aproximadamente R$ 5.180.
Na segunda-feira (19), o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que o país não voltará a enfrentar uma crise financeira como a registrada em 2008. A declaração ocorreu em meio às preocupações com a inflação e às reivindicações por melhores condições de vida.
As manifestações refletem a insatisfação de diferentes setores da sociedade com o poder de compra, os salários e o financiamento dos serviços públicos, especialmente da educação.


