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NOBEL DE ECONOMIA ALERTA PARA RISCOS COM FLÁVIO BOLSONARO

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NOBEL DE ECONOMIA ALERTA PARA RISCOS COM FLÁVIO BOLSONARO
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, alertou que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República poderia representar riscos para a economia brasileira. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 22 de outubro de 2026, o especialista criticou propostas de redução de gastos públicos, redução de impostos e privatizações, apontando possíveis consequências para o crescimento econômico e a desigualdade social.

Stiglitz, que também foi economista-chefe do Banco Mundial, argumenta que a combinação de cortes nas despesas públicas com redução de tributos pode prejudicar a atividade econômica, afetar a geração de empregos e prejudicar os investimentos em áreas estratégicas. Na avaliação do economista, medidas dessa natureza precisam ser comprovadas não apenas pelos efeitos imediatos sobre as contas públicas, mas também pelas consequências para o desenvolvimento do país a longo prazo.

Um dos principais pontos de preocupação envolve a possibilidade de reduzir as despesas públicas em até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em um artigo escrito por Stiglitz e pela economista brasileira Laura Carvalho, professora da Universidade de São Paulo (USP), os autores analisaram os possíveis efeitos de um ajuste fiscal dessa magnitude, especialmente se atingirem programas sociais, de saúde, educação e investimentos em infraestrutura.

Segundo as estimativas dos economistas, uma redução dos gastos sociais equivalente a 1,5% do PIB poderia provocar uma queda de 2,7% na atividade econômica no primeiro ano e de 3,2% ao longo de dois anos. Os números representam projeções para o cenário analisado pelos autores, e não resultados já registrados ou de reflexão consensuais do mercado financeiro.

Stiglitz e Laura Carvalho argumentam que a redução dos gastos públicos pode reduzir o consumo das famílias, afetando o comércio e dificultando a criação de empregos. Os efeitos podem ser especialmente importantes para trabalhadores de baixa renda, pequenos comerciantes e setores que dependem diretamente da demanda interna. Além disso, cortes em educação e infraestrutura poderiam comprometer a produtividade e limitar o crescimento econômico nos anos seguintes.

O economista também questionou a ocorrência dos investidores às perspectivas eleitorais. Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, após o primeiro giro, o dólar caiu para aproximadamente R$ 5, enquanto o Ibovespa alcançou cerca de 206 mil pontos. Stiglitz avalia que o mercado financeiro pode reagir positivamente às propostas de redução de impostos e despesas, mas nem sempre considera os possíveis efeitos sociais e econômicos de longo prazo dessas medidas.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem defendido o controle das contas públicas, a redução de impostos e o corte de despesas desnecessárias. Entre as medidas mencionadas pelo senador estão a diminuição do número de ministérios e de cargas comissionadas. Ele também declarou que pretende preservar os gastos sociais, incluindo benefícios destinados a aposentados e trabalhadores que recebem o salário mínimo.

A divergência está na dimensão do ajuste fiscal e na maneira como ele seria executado. Enquanto o senador apresenta o controle das despesas como uma medida necessária para melhorar a situação econômica do país, Stiglitz questiona se a combinação de austeridade e redução de impostos seria capaz de estimular um crescimento sustentável sem provocar prejuízos sociais.

Outro ponto levantado pelo Nobel envolve a política externa brasileira. Stiglitz declarou preocupação com a possibilidade de uma aproximação excessiva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhado de um eventual afastamento da China. O economista destaca a importância do mercado chinês para as exportações brasileiras e considera que as decisões diplomáticas precisam levar em conta os interesses comerciais e estratégicos do país.

Joseph Stiglitz é professor da Universidade Columbia, em Nova York, e recebeu o Nobel de Economia em 2001, ao lado de George Akerlof e Michael Spence, por pesquisas sobre mercados com informações assimétricas. Entre 1997 e 2000, atuou como economista-chefe do Banco Mundial e também presidiu o Conselho de Assessores Econômicos durante o governo de Bill Clinton. Ao longo da carreira, tornou-se conhecido por suas críticas à desregulamentação excessiva dos mercados e às políticas de austeridade que, segundo ele, podem aprofundar as desigualdades.

O alerta do economista coloca os efeitos do ajuste fiscal no centro do debate sobre o futuro da economia brasileira. Para Stiglitz, uma combinação de cortes de gastos e redução de impostos pode comprometer o crescimento, ampliar a vulnerabilidade das famílias de baixa renda e limitar investimentos essenciais ao desenvolvimento. As projeções, entretanto, dependem das medidas aplicáveis, das condições econômicas nacionais e internacionais e da forma como o próximo governo conciliaria responsabilidade fiscal, crescimento e proteção social.

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