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MOBILIDADE E TRABALHO AJUDAM A EXPLICAR LIDERANÇA DA BAHIA NO CONSÓRCIO DE MOTOS

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MOBILIDADE E TRABALHO AJUDAM A EXPLICAR LIDERANÇA DA BAHIA NO CONSÓRCIO DE MOTOS
Foto: : Divulgação

Durante 12 anos, a motocicleta de José Vaz fez parte de uma rotina simples e indispensável: ir ao trabalho e resolver os compromissos do dia a dia. Quando o veículo começou a envelhecer, o barbeiro passou a considerar a troca, mas a decisão foi amadurecendo aos poucos.

A história de José ajuda a colocar rosto em um mercado que ganhou peso na Bahia. No primeiro semestre de 2026, o estado comercializou 98.394 cotas de consórcio de motocicletas, crescimento de 17,4% sobre o mesmo período do ano anterior e o maior volume do país, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

A relevância vai além das novas adesões. No período, foram registradas 41.206 contemplações no segmento. Pela metodologia da ABAC, esse volume correspondeu a uma participação potencial de 50,2% diante das motocicletas comercializadas no mercado baiano no semestre. O indicador não significa que metade das motos tenha sido efetivamente comprada por consórcio, já que o crédito contemplado pode ser utilizado posteriormente, mas ajuda a dimensionar a presença da modalidade no estado.

Para Thiago Savian, diretor comercial da Unifisa, os números mostram que a força do segmento na Bahia não se resume ao tamanho do mercado. “O dado que chama atenção é que a Bahia cresceu 17,4% mesmo partindo de uma base que já era a maior do país. Quando olhamos também para as 41,2 mil contemplações, que representaram uma participação potencial de 50,2% sobre as motocicletas comercializadas no estado, vemos o espaço que o consórcio já ocupa nesse mercado. É um consumidor que tem uma relação muito prática com a moto e, por isso, o planejamento dessa compra ganha um peso importante”, analisa.

José conheceu melhor o consórcio nas conversas com Mário Alves, vendedor na unidade de Salvador da Unifisa, que já era cliente de sua barbearia. Como possuía uma motocicleta quitada e dependia dela para a rotina, a troca foi organizada para reduzir o período sem o veículo. Segundo Mário, o planejamento considerou o prazo para vender a moto antiga e a possibilidade de utilizar esse recurso na oferta de um lance. José pagou as seis primeiras parcelas, ofertou o lance no período programado e foi contemplado. Entre a venda da antiga e a chegada da nova, ficou cerca de seis meses sem motocicleta.

“No começo, eu tinha aquela impressão de que o consórcio demorava e isso me deixava com receio. Quando fui entendendo melhor como funcionava, passei a enxergar de outro jeito. O mais importante para mim era conseguir me organizar para fazer a troca sem me atrapalhar financeiramente e continuar com uma moto para a minha rotina”, conta José, sobre a percepção que tinha antes de passar pelo processo.

Na experiência de Mário, a importância das duas rodas aparece em perfis diferentes de consumidores. “Tem muito disso aqui em Salvador. Muitos clientes estão utilizando para locomoção e renda extra”, afirma. Ele relata casos de pessoas que usam a moto para chegar ao emprego e, antes ou depois do expediente, fazem entregas ou corridas por aplicativos.

Dados oficiais ajudam a mostrar como trabalho e mobilidade se cruzam nesse mercado. Levantamento da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), em parceria com o Dieese e elaborado a partir de microdados do IBGE, mostra que o número de trabalhadores que atuam no transporte por aplicativo na Bahia - considerando diferentes tipos de veículos - passou de 50 mil, em 2022, para 76 mil, em 2024, crescimento de 52,9%. A Bahia também mantém o projeto Condução Decente, que prevê a qualificação de 6,5 mil mototaxistas e motofretistas em 75 municípios e oferece aos profissionais habilitados acesso a uma linha de crédito para aquisição de motocicletas novas.

Para José, porém, a função da moto continua sendo aquela que motivou a troca: facilitar a rotina. Depois de um período sem o veículo, ele conta que voltou a ganhar agilidade para trabalhar e resolver as tarefas do dia a dia.

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