GOVERNO DA BAHIA ASSUME GESTÃO DA HIDROVIA DO SÃO FRANCISCO


Foto: Foto: Juciana Cavalcante | DivulgaçãoO Governo da Bahia passa a responder pela administração e gerenciamento da Hidrovia do Rio São Francisco (HN-500) por meio da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). O acordo de descentralização será assinado nesta quarta-feira, 4, em Brasília, pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, e pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).
A delegação terá vigência de 25 anos e abrangerá a gestão da via navegável, da Eclusa de Sobradinho e das Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) contempladas no convênio. Com a medida, a Codeba assumirá o planejamento, a operação, a manutenção, a conservação e a restauração das estruturas do modal aquaviário.
A iniciativa visa estabelecer governança institucional e atrair investimentos para o desenvolvimento da navegação comercial, além de ampliar a segurança operacional no transporte de cargas e passageiros entre municípios da Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.
A Hidrovia
A Hidrovia do São Francisco projeta movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação renovada. Com cerca de 2,8 mil quilômetros de extensão, o Velho Chico atravessa 505 municípios e abastece mais de 11,4 milhões de pessoas. A retomada da navegação comercial é considerada estratégica para acelerar a integração logística entre o Nordeste e o Sudeste.
O sistema integra um corredor multimodal de exportação agrícola. A cadeia tem início no transporte rodoviário a partir das áreas produtoras de Ibotirama, no Oeste baiano, de onde a produção segue por via fluvial até Pirapora (MG) e, posteriormente, de trem até o Porto de Vitória (ES).
A hidrovia atende ao escoamento de grãos e algodão do Oeste da Bahia e do Sul do Piauí, além de abastecer a fruticultura irrigada e a cana-de-açúcar no Vale do São Francisco. O modal atende ainda polos minerários e abastece o setor avícola concentrado no entorno de Feira de Santana, Recife (PE), Caruaru (PE) e Fortaleza (CE).
Segurança no Aeroporto de Ilhéus
A agenda institucional do ministro Tomé Franca com o governador Jerônimo Rodrigues em Brasília inclui também a assinatura de um Termo de Compromisso para a implantação do sistema de desaceleração de aeronaves (EMAS, na sigla em inglês) na cabeceira 29 do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus. O equipamento de engenharia é projetado para desacelerar com segurança aeronaves que venham a ultrapassar os limites da pista em pousos ou decolagens abortadas.
Parceria estratégica com a Bahiainveste
A transferência da gestão da HN-500 ocorre em paralelo a uma articulação da Codeba para estruturar novos projetos de infraestrutura. Na última terça-feira, 3, a companhia e a Empresa Baiana de Investimentos e Gestão de Ativos (Bahiainveste) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica, em Salvador.
O termo foi firmado pelo diretor-presidente da Codeba, Antonio Gobbo, e pelo presidente da Bahiainveste, Paulo Roberto Britto Guimarães. A parceria estabelece a elaboração conjunta de estudos e projetos voltados à modernização, ampliação e exploração de ativos portuários no estado.
Segundo Gobbo, a cooperação busca conectar ferrovias, rodovias e portos, incluindo a criação de vias de acesso exclusivas para o transporte de cargas sobredimensionadas, como equipamentos para parques eólicos, reduzindo custos logísticos e elevando a competitividade da economia baiana.
Guimarães ressaltou que as ações vão alcançar projetos ao longo do leito do Rio São Francisco, citando municípios como Barra, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes e Xique-Xique, além do Porto de Juazeiro e do projeto do Porto Sul, em Ilhéus.
Concessões e integração ferroviária
O acordo prevê a modelagem de projetos de concessão, arrendamento ou parcerias privadas para terminais sob gestão da Codeba. O instrumento também prevê estudos para integrar a logística portuária às ferrovias operantes e projetadas no estado, englobando a revitalização da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a conexão com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).


