APENAS 9% DAS EMPRESAS USAM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA PROJETAR CUSTOS


Foto: Foto: MagnificUm levantamento inédito conduzido pela GEP Brasil, vertical LATAM da multinacional americana GEP, revelou que apenas 9% utilizam ferramentas de inteligência artificial ou modelagem preditiva avançada para calcular esses cenários, enquanto 73% ainda dependem de planilhas e análises manuais para gerenciar os gastos. Os dados do estudo Procurement Maturity Challenge, que contou com a participação de 402 gestores de suprimentos de diversas companhias do Brasil, foram coletados durante a 23ª edição do Fórum de Compras e Sourcing Inbrasc, em São Paulo (SP).
Ao traçar um diagnóstico sobre governança de dados e capacidade de planejamento em dezenas de companhias de diferentes segmentos, o levantamento apontou que a maior parte das operações corporativas permanece na metade do percurso rumo à digitalização. Do contingente total de participantes, 83% estão concentrados nos estágios de "Visibilidade" (34%) ou de "Inteligência" (49%). Já no quesito maturidade, 11% afirmaram estar no patamar de "Antecipação" e 6% operando no estágio "Orquestração", patamar no qual a tecnologia atua de maneira autônoma e integrada na tomada de decisões estratégicas de suprimentos.
"O levantamento reflete a realidade operacional das empresas atualmente. Há um avanço indiscutível na digitalização primária, mas a inteligência estratégica de compras continua aprisionada a amarras analógicas. Quando mais de 70% das companhias continuam operando com planilhas e métodos artesanais para controlar gastos, a tomada de decisão perde velocidade e precisão. Não se trata de uma limitação puramente técnica, mas de uma fragilidade orçamentária relevante em cadeias que exigem respostas rápidas a oscilações cambiais e oscilações de preços", analisa Erick Boano, CEO da GEP Brasil.
Fragmentação de dados e compras reativas
Os problemas operacionais tornam-se nítidos na visibilidade das despesas corporativas. Apesar de 62% das organizações declararem o uso de plataformas de e-procurement, apenas 27% afirmam possuir uma visão unificada, integrada e automatizada de todos os gastos da companhia. Essa dispersão das informações compromete a blindagem contra choques externos, visto que 59% dos gestores acompanham as tendências e oscilações do mercado apenas de forma pontual ou esporádica. Além disso, 15% admitem que não realizam nenhum tipo de monitoramento, enquanto somente 26% mantêm acompanhamento contínuo em tempo real.
Esse padrão de baixa previsibilidade também contamina o planejamento orçamentário. Embora 71% dos profissionais afirmem elaborar projeções de custos, a dependência de métodos manuais explica por que apenas 9% recorrem à inteligência artificial. Além disso, um quinto das companhias (20%) admitiu operar sob uma lógica puramente reativa, absorvendo o impacto financeiro da alta de insumos diretamente no fluxo de caixa antes de adotar qualquer contramedida.
"Projetar despesas olhando apenas para o passado custa caro para a saúde financeira do negócio. Quando quase 60% das companhias acompanham o mercado somente de tempos em tempos e menos de 10% utilizam tecnologia preditiva, a operação fica exposta a aumentos repentinos de preços e a riscos de desabastecimento que poderiam ser neutralizados com semanas de antecedência", adverte Erick.
A dependência de intervenções manuais também se repete no momento de fechar e executar contratos, já que 38% das organizações decidem aquisições de forma puramente manual e 47% operam apenas com base em alertas e recomendações. Do total analisado, somente 15% contam com agentes de inteligência artificial habilitados a formular estratégias e executar compras diretamente no sistema. Para Erick Boano, romper esse teto de eficiência exige conectar as informações dispersas em uma jornada analítica contínua, unindo a visibilidade primária à antecipação estratégica.
"Gerenciar cadeias globais de suprimentos apoiando-se em planilhas desconexas é como navegar em mar revolto olhando apenas pelo espelho retrovisor. A inteligência artificial não é um recurso de sofisticação estética, mas um escudo financeiro indispensável para blindar margens operacionais, prever riscos de desabastecimento e antecipar negociações antes dos movimentos dos concorrentes. As empresas que demorarem a estruturar essa governança continuarão pagando a conta da ineficiência", finaliza Boano.


