PREFEITURA DE SALVADOR AUTORIZOU REDUÇÃO DE VIAGENS DE ÔNIBUS NAS ELEIÇÕES, DIZ JORNAL

Foto: Reprodução/Redes SociaisDocumentos encaminhados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que o planejamento do transporte público para o domingo (25), dia do segundo turno das eleições, previa intervalos maiores entre viagens em algumas linhas da capital baiana. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo nesta terça-feira (27).
O planejamento divergia dos horários informados pelo município para dias úteis, apesar de a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) ter sustentado ao STF que manteve a mesma programação do primeiro turno, com 2,9 mil viagens. O tema está no centro de questionamentos sobre a oferta de ônibus durante a votação, levantados pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Na linha 1328, que conecta as estações Pirajá e Mussurunga e permite integração com o metrô, o intervalo previsto para o domingo era de 40 a 50 minutos. Nos dias úteis, a frequência informada pela secretaria responsável pelo transporte é de 25 a 30 minutos.
A diferença também aparece na linha 1246, entre Pirajá e Patamares: o planejamento eleitoral previa partidas a cada 70 minutos, diante de intervalos de 22 minutos durante a semana. Já a linha 141, que liga a Estação da Lapa ao Hospital Geral do Estado, em Brotas, tinha previsão de intervalo de 55 minutos, contra os habituais 22 minutos dos dias úteis.
Outro exemplo é a linha 1324, entre a Estação Pirajá e Sete de Abril, passando por Cajazeiras. Para o segundo turno, o intervalo previsto era de 40 a 50 minutos, enquanto a frequência habitual informada para os dias úteis é de 26 minutos. Segundo a reportagem, os documentos também mostram linhas que mantiveram uma programação semelhante à dos dias de semana.
Prefeitura atribuiu problemas a mobilização nas garagens
No domingo, Bruno Reis afirmou que a oferta de transporte havia sido ampliada em relação a eleições anteriores. Depois que uma fiscalização do Procon estadual identificou 944 ônibus parados em sete garagens, o prefeito declarou que parte dos veículos integrava a frota reserva e que eventuais descumprimentos seriam de responsabilidade das empresas.
A prefeitura também atribuiu os atrasos registrados pela manhã à colocação de adesivos com o número 13 nos ônibus por sindicalistas apoiadores do PT. Na ocasião, a gestão afirmou que a circulação havia sido normalizada às 10h30.
Em resposta à Justiça Eleitoral, o município argumentou que a presença de ônibus estacionados faz parte do funcionamento normal do sistema. Também alegou que a determinação de convocar 100% da frota, feita durante a tarde de domingo, exigiu chamar motoristas que estavam de descanso, o que teria atrasado a recomposição do serviço.
O PT questionou a atuação da prefeitura e acusou a gestão municipal de prejudicar o deslocamento dos eleitores. Após denúncias sobre a baixa circulação de coletivos, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a liberação integral da frota e autorizou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A Justiça revogou posteriormente o mandado, mas a apuração sobre o episódio continua.
Apesar das dificuldades relatadas durante a votação, a abstenção em Salvador caiu de 20,1% no primeiro turno para 15,7% no segundo. Na capital baiana, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 73,3% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 26,7%.



