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MINERAL EXPLORADO NA BAHIA DEVE GANHAR FORÇA COM IA E DATA CENTERS

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MINERAL EXPLORADO NA BAHIA DEVE GANHAR FORÇA COM IA E DATA CENTERS
Foto: Alan Christian/Divulgação

A expansão da inteligência artificial (IA) e dos data centers pode ampliar a demanda por vanádio produzido na Bahia, impulsionada pela necessidade de tecnologias de armazenamento de energia em larga escala. O mineral é utilizado na fabricação de baterias de fluxo de vanádio, que podem armazenar eletricidade por longos períodos e atender a instalações que exigem fornecimento contínuo de energia.

A Bahia tem participação relevante no setor mineral nacional. O estado produz vanádio e urânio e responde pela extração de 47 das 93 tipologias minerais existentes no Brasil.

A mineradora canadense Largo opera a mina Maracás Menchen, na Bahia, considerada uma das principais operações de vanádio do mundo. Além de liderar a produção de vanádio e urânio, o estado é responsável por produzir 47 das 93 tipologias minerais existentes no Brasil.

Tradicionalmente, o vanádio é empregado na fabricação de aços de alta resistência e ligas metálicas especiais. Nos últimos anos, o mineral também ganhou espaço nas discussões sobre tecnologias de armazenamento de energia, especialmente diante da expansão das fontes renováveis e do aumento do consumo de eletricidade por instalações digitais.

Eletricidade prolongada

Diferentemente das baterias convencionais de íons de lítio, essa tecnologia armazena energia em soluções líquidas que contêm vanádio. Os líquidos circulam entre tanques e células eletroquímicas, permitindo o armazenamento de grandes volumes de eletricidade por períodos prolongados.

Entre as características das baterias de fluxo estão a possibilidade de armazenamento por várias horas, a longa vida útil e o menor risco de incêndio em comparação com algumas tecnologias convencionais. Essas características podem tornar o sistema uma alternativa para aplicações industriais, redes elétricas e data centers, que precisam manter servidores e equipamentos de processamento em funcionamento contínuo.

O avanço da inteligência artificial amplia a demanda por capacidade computacional e, consequentemente, por infraestrutura elétrica. Nesse cenário, soluções de armazenamento podem contribuir para a gestão do fornecimento de energia e para a estabilidade das redes.

Mercado brasileiro de data centers

Segundo a consultoria imobiliária JLL, o mercado brasileiro de data centers deve dobrar de tamanho até 2030. No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou 706 megawatts (MW) de capacidade instalada no segmento, de acordo com os dados apresentados no levantamento. O volume representa um crescimento superior a seis vezes em relação a 2012, equivalente a uma taxa composta de crescimento anual de 15%.

A expansão dos centros de processamento de dados exige investimentos em geração, transmissão e sistemas de reserva de energia. Essa necessidade pode abrir espaço para tecnologias de armazenamento de longa duração, entre elas as baterias de fluxo de vanádio.

Para a Largo, a ampliação desse mercado representa uma possibilidade de diversificação da demanda pelo mineral, atualmente utilizado sobretudo pela indústria siderúrgica. A concretização dessa oportunidade, porém, depende da evolução da adoção da tecnologia e dos investimentos em infraestrutura energética.

Setores de defesa e aeroespacial

Além das aplicações no armazenamento de eletricidade, o vanádio é utilizado na produção de aços de alta resistência e ligas metálicas destinadas a setores como defesa e indústria aeroespacial.

A demanda norte-americana também integra a estratégia comercial da Largo. Em julho, a mineradora recebeu um aporte de US$ 60,1 milhões para fornecer pentóxido de vanádio de alta pureza aos Estados Unidos, com entregas previstas até janeiro de 2030. A empresa é fornecedora da Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos (DLA).

Segundo a companhia canadense, o relacionamento comercial com os Estados Unidos também está associado ao interesse de países ocidentais em reduzir a dependência de fornecedores como China e Rússia.

*Com informações do Portal A Tarde.

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