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JATO QUE LEVOU FLÁVIO BOLSONARO AOS EUA É DE EMPRESA LIGADA A INVESTIGADO NA ARGENTINA

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JATO QUE LEVOU FLÁVIO BOLSONARO AOS EUA É DE EMPRESA LIGADA A INVESTIGADO NA ARGENTINA
Foto: Divulgação/Baires Fly/Renato Pizzuno/Band

O jato particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na viagem da Argentina aos Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa ligada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro. Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a recursos desviados da Agência Nacional de Deficiência (Andis), na Argentina.

As apurações sobre o caso Andis apontam desvios superiores a 7,8 bilhões de pesos argentinos, equivalentes a cerca de R$ 27 milhões. O escândalo veio à tona durante o governo de Javier Milei e provocou repercussão política no país, inclusive por envolver acusações contra Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência. Ela é acusada de cobrar propina de empresas farmacêuticas em negociações para a compra de medicamentos destinados à agência.

Mastropietro também é alvo de outras investigações por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Entre elas, há uma apuração sobre sua relação com Fred Machado, apontado como traficante.

Empresário teve ligação com empresa da família Macri

O empresário também manteve vínculos com o ex-presidente argentino Mauricio Macri, que governou o país entre 2015 e 2019. Mastropietro presidiu a Avian Líneas Aéreas, criada em 2016 após a venda da Macair Jet, empresa de táxi aéreo da família Macri, à colombiana Avianca.

Na época, Macri foi investigado por suspeita de tráfico de influência em um caso que envolvia uma possível concessão irregular de rotas aéreas à companhia após a negociação.

Em novembro de 2025, quando vieram a público as suspeitas envolvendo a Andis, o deputado peronista Luis Rodolfo Tailhade se referiu a Mastropietro como “o homem de Maurício Macri” em uma publicação nas redes sociais.

Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, empresas de aviação ligadas ao empresário teriam sido utilizadas para dar aparência legal a recursos desviados. As autoridades identificaram transferências superiores a 95 milhões de pesos argentinos para contas da Baires Fly.

Polícia Federal acompanhou deslocamento da aeronave

A Polícia Federal (PF) monitorou o Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, utilizado por Flávio Bolsonaro na viagem. Segundo as informações divulgadas, a aeronave permaneceu na pista do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, durante todo o dia, sob acompanhamento dos investigadores.

A PF já tinha informações sobre a possível entrada do senador no país vizinho pela região de fronteira com Foz do Iguaçu. Registros da imigração argentina indicavam Guayaquil, no Equador, como destino inicial declarado. Depois da escala, Flávio seguiu para os Estados Unidos, onde vive desde 2025 o irmão dele, Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado.

Como a corporação brasileira não tem jurisdição para atuar em território argentino, os agentes não puderam impedir a decolagem do avião.

A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes. O senador havia sido intimado pela PF na segunda-feira (26) a apresentar os documentos até a manhã de terça-feira (27), mas não cumpriu o prazo, segundo o relato.

Ao fundamentar a decisão, Moraes apontou “risco concreto” de fuga. O ministro considerou um pedido apresentado pela Polícia Federal às 21h16 de domingo (25), minutos após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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