BYD COMEÇA A PRODUZIR NOVO MODELO NACIONAL AINDA EM 2026. ÍNDICE DE NACIONALIZAÇÃO CHEGA A 50% EM JANEIRO DE 2027

Foto: byd DivulgaçãoA BYD confirmou a chegada de 17 fornecedores instalados no sua fábrica e já tem unidades de pintura, estamparia de peças e soldagem.
Com essas etapas fabris realizadas na fábrica de Camaçari, os regimes CKD e SKD —em que os veículos chegam desmontados ou parcialmente montados no país— serão gradativamente substituídos pela produção local.
Os carros considerados nacionais começarão a ser feitos entre novembro e dezembro, e o índice de 50% de localização deve ser atingido em janeiro.
A estratégia abre a possibilidade de exportações para países do Mercosul, cujo acordo prevê um conteúdo nacional mínimo de 35%.
O início da nacionalização dos carros ocorreu em uma velocidade jamais vista na indústria automotiva no Brasil, mesmo quando comparado a marcas que já produziam no país e anunciaram novas linhas de montagem.
As ações que serão executadas já partir de novembro. Já há carrocerias da picape Mako sendo preparadas, e o lançamento do novo modelo nacional vai ocorrer ainda em 2026. O Brasil será o primeiro mercado do modelo no mundo.
Quando as novas áreas estiverem ativadas, a fabricante irá dominar todo o processo de produção de um automóvel. O objetivo é continuar a crescer e dobrar a produção até 2030, chegando à capacidade de 600 mil veículos produzidos por ano.
A unidade emprega hoje 9.000 funcionários, sendo 8.500 brasileiros e 500 chineses, segundo informação oficial da empresa. Há novas contratações em curso.
O espaço utilizado hoje é bem maior que os 334 mil m² ocupados pela Ford até 2021, quando a empresa encerrou as atividades fabris no Brasil. A BYD está se aproximando de 1,25 milhão de m² em área construída, e pretende chegar a 2,4 milhões de m² ao longo dos próximos anos. O crescimento, contudo, depende da obtenção de licenças.
"O projeto ainda não chegou na metade, chegaremos a 20 mil funcionários", afirma Alexandre Baldy, vice-presidente executivo sênior do grupo BYD no Brasil. Se for atingido, esse número fará da BYD a maior geradora de empregos diretos entre as fabricantes instaladas no país.
A empresa representa 7% do PIB (Produto Interno Bruto) de Camaçari, com um salário médio de R$ 3.905,85 (24% acima da média na indústria baiana). Até o momento, com a soma dos empregos indiretos, foram geradas 22.080 vagas na região, segundo a Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia).
A entidade diz ainda que a massa salarial movimentada em Camaçari pela montadora chinesa é superior a R$ 1,03 bilhão por ano.
O crescimento acelerado traz algumas dificuldades. A empresa tem enfrentado entraves com os pneus para seus carros, sendo necessário estabelecer novos contratos com fornecedores instalados no Brasil.
Há também pontos mais complexos para a nacionalização, como a produção das baterias. Hoje, a maior parte dos componentes (85%) vem da China. A empresa espera que a exploração de terras raras possibilite a manufatura nacional desses equipamentos, mas ainda não há planos conhecidos na área. Com informações da Folha de São Paulo.



