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ADARY OLIVEIRA – OS SETE PROJETOS INACABADOS DA BAHIA

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ADARY OLIVEIRA – OS SETE PROJETOS INACABADOS DA BAHIA
Foto: reprodução

Sempre que muda o governo, no âmbito estadual ou federal, é sempre bom chamar a atenção para os grandes projetos que estão em construção na Bahia e que não podem ficar de fora de nenhum plano de governo. Eles apresentam em todas as promessas e passam a figurar nas listas dos inacabados.

A Bahia carrega, sem cimento e sem aço, uma coleção de obras grandiosas que atravessam os tempos numa construção lenta, como obras de construção de novas, ou pararam no meio do caminho. São promessas que nasceram com pompa e viraram canteiros esquecidos, ferrovias sem trilhos e viadutos que terminam no nada. Vou relembrar aqui os projetos inacabados mais emblemáticos do estado.

1. Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) - A FIOL nasceu para ligar o interior da Bahia ao mar, escoando minérios e grãos do Oeste até o Porto Sul, em Ilhéus. Apresentados nos planos federais desde a década de 2000, a ferrovia avançou em trechos que somam uma fração do traçado original e nunca chegou a operar de forma contínua. A obra virou símbolo da distância entre anúncio e entrega. Bilhões previstos, quilômetros de trilho entregues a conta-gotas. Ela sempre foi transmitida de esperança. Eu mesmo, no passado, escrevi um artigo onde ressaltava o despertar do gigante adornado, para viabilizar a exploração de minas distantes de baixo teor de minério, daqui e do norte de Minas Gerais. Seria o início da construção do corredor bioceânico Atlântico-Pacífico dos sonhos do mestre Vasco Neto. Vasco nos deixa saudades, mas seu sonho continua vivo.

2. Ponte Salvador–Itaparica - Prometida desde pelo menos os anos 1960, a ponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica seria uma das maiores obras de infraestrutura do país, com cerca de 12 km sobre a Baía de Todos os Santos. Passou por bolsas de estudos, editais cancelados e leilões adiados. Hoje segue no papel, enquanto a trajetória continua dependendo de balsas e de uma travessia desmoralizada. Lembro-me da construção da ponte ligando Propriá (SE) ao Colégio (AL), no Rio São Francisco, que a construtora conhecia as dificuldades que enfrentaria, tendo de cravar estações de concreto de mais de 70 metros abaixo do leito do rio. Fico imaginando qual será o comprimento das estacas que serão cravadas na sustentação do vão central abaixo do nível do fundo do mar. Será que o detalhamento do projeto das fundações já foi concluído?

3. Metrô de Salvador - O metrô soteropolitano foi inaugurado em 2014, mas a expansão prometida na ponta do lado do mar nunca acompanhou o ritmo das promessas. Estações e trechos anunciados com dados certos foram empurrados ano após ano, e a malha final prevista continua menor do que o planejado originalmente. Um caso clássico de obra que "sempre está quase pronto". A promessa de sua extensão até a localidade de Portão não sai da memória da população que reside na velha Abrantes e redondezas.

4. Trem Regional de Salvador – O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), imaginado para modernizar o transporte na região metropolitana, teve estudos, projetos e até trilhos entregues, mas nunca chegou a operar como serviço regular. Este projeto é mais recente e o que mais ocupa espaço na mídia. Está precisando ser acelerado para não virar uma promessa.

5. Ampliação do Porto Aratu-Candeias – A ampliação dos três terminais graneleiros, de sólidos, de líquidos e de produtos gasosos, que servem à área industrial e deveriam funcionar como principal atrativo do Polo Industrial de Camaçari, carecem de maior atenção. O Terminal de Granéis Líquidos (TGL), que movimenta o maior volume de carga, é o mais crítico. A lentidão de carga e descarga faz com que os proprietários das mercadorias sejam penalizados com multas elevadas.

6. Recuperação da Hidrovia do Rio São Francisco – O desenrocamento, retificação das margens e dragagem dos bancos de areia, entre Pirapora e Juazeiro, trariam de volta ao setor de transporte este importante modal, reduzindo custos, integrando microrregiões e contribuindo para perenização do Rio da Integração Nacional.

7. Projetos de barragens e canais de transposição - Previstos para a região semiárida baiana pensados ​​para enfrentar secas históricas, também acumulam paralisações, atrasos e trechos incompletos. São obras essenciais para o abastecimento e a agricultura que ficaram paradas.

Esses projetos têm em comum os prazos que nunca terminam, o custo que só cresce e a esperança que nunca morre. Serão sempre lembrados pelos seus atrasos e dando a impressão que integram as promessas das campanhas políticas.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)

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