LULA X FLÁVIO: PESQUISA NÃO DIZ NADA QUANDO HÁ EMPATE TÉCNICO. VEJA 3 DELAS

Foto: reprodução bandQuando as pesquisas mostram percentuais muito próximos entre os candidatos, com diferenças dentro da margem de erro, elas perdem a capacidade de indicar com segurança quem vencerá a eleição. É o caso da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Isso ocorre porque as pesquisas não são capazes de medir os indecisos e a abstenção, que são parâmetros fluidos, e mudam ao sabor dos acontecimentos. São fatores que podem mudar até o dia da votação, ao sabor dos acontecimentos e da mobilização eleitoral.
A dificuldade de prever o resultado não resulta apenas dos indecisos. Pesquisas indicam que 95% dos eleitores que declararam voto em Lula ou Flávio afirmaram estar com a escolha definida. O espaço para mudanças entre esses participantes seria, portanto, limitado. Mas ninguém sabe quantos deles aconteceram nas urnas. Intenção de voto não é garantia de comparação. E aí está um dos limites das pesquisas.
Três levantamentos divulgados entre domingo e segunda-feira ilustram essa dificuldade. A Vox Brasil aponta Lula com 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio Bolsonaro. A BTG/Nexus registra Flávio com 50,3%, ante 49,7% de Lula. Já a AtlasIntel/Bloomberg indica 51,1% para Flávio e 48,9% para o presidente.
Os institutos divergem sobre quem está numericamente à frente. Mais importante: as diferenças estão dentro das margens de erro informadas, caracterizando empate técnico. Nenhum dos resultados permite apontar com segurança o vencedor.
Uma pesquisa eleitoral não é uma contagem antecipada de votos, mas uma estimativa das intenções de uma população a partir de uma amostra. Quando a diferença diminui a décimos ou poucos pontos percentuais, a incerteza ganha peso decisivo.
A BTG/Nexus registra 2,9% de indecisos e 4,7% de entrevistados que pretendem votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum candidato. Na Vox Brasil, 3,9% não sabem ou não opinaram, enquanto 5% declaram voto branco, nulo ou em nenhum dos concorrentes.
Esses eleitores escolherão um dos candidatos, manterão a exclusão de ambos ou deixarão de votar. A exposição também é relevante: no BTG/Nexus, 47,8% afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 46,8% disseram o mesmo sobre Flávio. Nesse cenário, a parte do eleitorado pode decidir mais pela exclusão do adversário que pela identificação com o candidato escolhido.
Mas talvez o fator mais subestimado seja a abstenção. Um candidato pode aparecer numericamente à frente e perder se uma parcela maior de seus apoiadores deixar de votar. Da mesma forma, uma mobilização mais eficiente pode alterar o resultado sem que isso tenha sido antecipado pelas pesquisas.
É preciso distinguir, portanto, a medição das intenções de voto da previsão do resultado eleitoral. As pesquisas são úteis para acompanhar tendências e compreender o cenário, mas o empate técnico não permite transformar uma liderança numérica em vantagem competitiva.
Os três levantamentos mostram uma eleição aberta. A Vox Brasil aponta Lula à frente; a BTG/Nexus e a AtlasIntel/Bloomberg indicam Flávio. Diante de diferenças tão pequenas, afirmar quem vencerá é ir além do que os dados permitem concluir.
Em eleições muito competitivas, a pesquisa retrata o equilíbrio, mas não resolve a principal incógnita: quem terá mais votos no dia da eleição.
É nesse sentido que, diante de um empate técnico, a pesquisa diz quase nada sobre quem vencerá. Diz muito sobre a proximidade entre os candidatos, mas um pouco sobre o resultado final. E essa diferença é fundamental para que a informação eleitoral não seja confundida com uma previsão. Em poucas palavras: ninguém sabe quem vencerá a eleição. (PE – 19/10/2023)



