CPI DO CRIME ORGANIZADO CONVOCA JOÃO ROMA E APROVA QUEBRAS DE SIGILO DO BANCO MASTER

VICTOR OLIVEIRA

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), a convocação do ex-ministro da Cidadania João Roma, atual presidente do PL na Bahia, para prestar depoimento nas próximas semanas. Como convocado, ele terá comparecimento obrigatório diante do colegiado. Roma integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e comandou o Ministério da Cidadania.
De acordo com o relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a convocação não significa necessariamente que os chamados sejam investigados. “Não necessariamente são pessoas investigadas. Nós também convocamos testemunhas. São personagens fundamentais, porque o crime organizado só prospera com infiltração no mercado financeiro”, afirmou.
Após a decisão, João Roma se manifestou nas redes sociais e criticou a medida. Ele afirmou que a convocação teria motivação política e citou também o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Segundo Roma, a iniciativa faria parte de uma estratégia do PT para desviar o foco de problemas da atual gestão.
Quebras de sigilo e foco nas investigações
No campo das investigações, a CPI aprovou quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, além do envio de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Também foram autorizadas diligências envolvendo empresas ligadas ao grupo financeiro.
A comissão busca aprofundar a apuração sobre possíveis conexões entre organizações criminosas e estruturas do Estado, com foco em movimentações financeiras e relações societárias.
Convocações aprovadas
Paulo Guedes (Economia)
João Roma (Cidadania)
Ronaldo Vieira Bento (Cidadania)
Convites aprovados
Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal
Alexandre de Moraes, ministro do STF
Viviane Barci de Moraes, advogada
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil
Tomás Miguel Ribeiro Paiva, comandante do Exército
Danilo Lovisaro do Nascimento, procurador-geral do Ministério Público do Estado do Acre e presidente do GNCOC
Carlos Rocha Sanches, superintendente regional da Polícia Federal no Acre
Delegado Uirá Ferreira do Nascimento, diretor-geral da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro
Tenente-Coronel Marcelo de Castro Corbage, comandante do BOPE
Lucas de Morais Gualtieri, procurador federal e coordenador da Operação Trapiche (GAECO-MG)
Christian Vianna de Azevedo, oficial da Polícia Federal
Alberto Simonetti, presidente da OAB-DF
Isabella Buium, especialista em compliance e criptoativos
Loretta Napoleoni, especialista sobre financiamento ao terrorismo
Emanuele Ottolenghi, especialista em redes de ameaças híbridas e financiamento do terrorismo
Armando Antão Cortez, chefe do Secretariado para Análise Integral do Terrorismo Internacional (SAIT), da Argentina
A CPI deve definir nas próximas semanas o cronograma das oitivas e das diligências aprovadas.
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