BRUNO PERRI, ECONOMISTA-CHEFE, ESTRATEGISTA DE INVESTIMENTOS E SÓCIO-FUNDADOR DA FORUM INVESTIMENTOS
Bolsa sobe aqui no Brasil. Isso acontece muito porque, no ambiente externo, temos um movimento global de melhora na percepção de risco, com recuperação nas empresas de tecnologia americana e impulsionadas pelos sinais mais “dovish” de viés para corte de juros de dirigentes do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano. Fica claro que o apetite ao risco colabora com a queda de prêmio nas taxas de juros mais longas, o que favorece também a bolsa brasileira, enquanto nos vencimentos mais curtos temos pressão nos juros de olho no fiscal, com receio da pauta bomba no Senado, após a indicação de Messias para o STF contrariando Alcolumbre.
O IPCA-15, embora em linha com as expectativas, trouxe uma composição menos benigna do que a esperada, sobretudo por conta da inflação de serviços. No meu entendimento, o IPCA-15 veio com um "quali" ruim e em Brasília há os temores com a pauta bomba do Alcolumbre e a sanção do presidente ao pl do IR sem considerar a demanda das empresas para deixar os lucros do 4T25 de fora da nova regra.
Já no cenário das bolsas americanas, acredito que o movimento de apetite por risco nas bolsas americanas hoje reflete fundamentalmente a redução nas taxas das treasuries, com sinais de dirigentes do FED estimulando apostas de corte de juros na reunião de dezembro, e por indicadores de atividade, como os pedidos iniciais de seguro-desemprego e as encomendas de bens duráveis, que continuam sinalizando à desaceleração da economia americana.
Dentre os destaques, temos as ações dos bancos e do setor financeiro, que sobem em bloco recuperando parte da correção dos últimos dias em dia queda nas taxas de juros longas e maior apetite ao risco, após uma temporada de balanços mais favorável, com destaques para Bradesco (BBDC4) e B3 (B3SA3).
Dentre as quedas, Hapvida (HAPV3) chama atenção, após uma sequência de rebaixamentos nas recomendações de analistas que seguiram o balanço do 3T25.
Dólar em queda hoje também. Na minha visão, o alívio nas treasuries, reflexo da sinalização mais dovish de dirigentes do FED e de indicadores de atividade mais modestos nos EUA, e o ambiente de apetite ao risco derrubam o dólar no pregão de hoje.
A curva de juros tem movimentos distintos, com alta nos vencimentos mais curtos em meio a um IPCA-15 com uma composição menos benigna do que se esperava e recuo nos vencimentos mais longos.



