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O FUTURO DA ARTE E A ARTE DO FUTURO - SÉRGIO FARIA

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O FUTURO DA ARTE E A ARTE DO FUTURO - SÉRGIO FARIA

"Quando a IA começar a criar arte que emocione os humanos, estaremos diante de umanova forma de consciência - ou de uma simulaçãoperfeitadela".

Yuval Noah Harari

A arte reflete o que há de maissensívelna alma e o criador de conteúdo artístico, sejanaarquitetura, escultura, pintura, música, literatura, dançaoucinema (a sétima arte), precisa ter sensibilidade para despertar no público, através do seutrabalho, diferentes emoções.

Uma das maisgeniaiscomposições eruditas de todos os tempos é, semdúvidaalguma, o trecho do quartomovimento da nona sinfonia de Beethoven, conhecido como OdetoJoy (Ode à Alegria), que dura em torno de 25 minutos, sendoabsolutamente impossívelalguém permanecer indiferente a suaexecução.

Na escultura, ojovem Michelangelo, entãocomapenas 26 anos,fez nascerDavi a partir de umblocodemármore carrara, obra monumental, com5,17 metros de altura, exemplo de perfeiçãoanatômica e realismo, símbolomaior da força e da coragem, valores essenciaispara ohomemrenascentista.

Aindanas artes visuais, VIncente Van Gogh, Internado paratratamentopsquiátrico em Saint-Rémy, transformou o sofrimentopessoalnamaispura expressão da beleza, pintando o quadroTheStarryNight (A NoiteEstrelada), visual inconfundível, umshow de movimento, luz e cores.

Na literatura, atragédia de Hamlet, escrita por volta de 1600, trascendeseu tempo ereflete a condiçãohumana.Sendo umadas obras maislidas e estudadas no mundo, se constitue emum marco para a literatura universal, representando o padrãode comportamento dohomem moderno, consciente, pensativoe permanentemente atordoado por suadúvidas. 

De certo,se poderia ilustrar estas constataçõestrazendo à memóriauma lista interminável degêniosque, cominteligência e criatividade,marcaramdefinitivamente a evolução da humanidadeatravésda arte:Bach, Mozart, Pollock, Gaudí, Zaha Hadid, Cervantes,Camões,Monet, Picasso, Villa Lobos, Leonardo da Vinci, Hermeto Pascoal, NanáVasconcelos, Neruda, Niemeyer, Santiago Calatrava, Dante Alighieri, Tarsila do Amaral, Tom Jobim, Castro Alves, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Fellini, GarciaMarquez, Cora Coralina, José Saramago, ...

Vira e mexee, novazio das noites de insônia, vouacrescentando a essa lista muitosoutrosnomesigualmente geniais e fico me perguntando sobre a arte e o papel do artista na era da InteligênciaArtificial (IA).

Como garantir a autenticidade de uma obra?A autenticidade permanecerá como um valor da criação artística?

Qual o comportamento esperado para os consumidadores da arte? Com que critérioscontemplaremos uma obra? Seremos capazes de nos emocionar e nos sensibilizar diante deumtrabalho realizado com a combinação de recursos artificiais? 

Caberáao artista do futuro umofício cada vez maismecânico, burocrático e bem menos inventivo,ou o artista, até aqui criador, assumiráumnovo papel, o de curador e organizador das contribuiçõesgeradascom o emprego de tecnologiasavançadas?

A IA elimina a criatividade, ou, aocontrário, oferecenovos e importantes instrumentos para que o artista possaampliar o uso da criatividade?

Possivelmente, no curto e médioprazos,essasindagaçõesserão consideradasingênuas, fruto da ansiedade, do espanto e da inquietaçãodiante do desconhecido, mas o fato é que sãoperguntas para as quais, nesteexato momento, aindanão se pode precisar as resposta.

"É viver para crer"...

Sérgio Faria, engenheiro e escritor, presidente da ALAS - Academia de Letras e Artes do Salvador e membro da ABROL - Academia Brasileira Rotária de Letras

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