ABRASEL SE POSICIONA CONTRA O FIM DA ESCALA 6X1 "É UMA PROPOSTA ESTAPAFÚRDIA"

A Abrasel - Associação Brasileira de Bares e Restaurantes - se posicionou contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar a escala de trabalho de 6x1 (seis dias de trabalho e um dia de folga) para um regime de 36 horas semanais com descanso de três dias, afirmando que a medida "traz potenciais impactos negativos para consumidores, sociedade e empreendedores do setor de alimentação fora do lar".
"É uma proposta estapafúrdia e que não reflete a realidade. As regulamentações estabelecidas pela Constituição e expressas na CLT são modernas e já trazem as ferramentas para garantir condições de trabalho dignas e justas aos colaboradores. A legislação atual permite que os trabalhadores escolham regimes de jornada adequados ao seu perfil, sem a necessidade de uma alteração constitucional que impacte a operação dos estabelecimentos em todo o Brasil, além de prejudicar os consumidores", diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
Apesar da grande adesão ao fim da escala 6x1 nas redes sociais, principalmente por parte de trabalhadores do setor de comércio e serviços, onde afirmam que a jornada atual é exaustiva e desumana, a associação afirma que é "uma demanda da própria sociedade ter bares e restaurantes abertos sete dias da semana", completando que "a mudança forçada na escala de trabalho teria impactos nesta oferta. Cerca de 95% do setor é de microempresas, que precisariam reduzir o horário de funcionamento diante da mudança, já que a folha de pagamentos é um dos maiores custos para manter o empreendimento aberto".
Em nota, a associação ainda afirma que a redução drástica na jornada de trabalho pode resultar em aumento dos custos operacionais, o que, por sua vez, elevaria os preços finais para o cliente, afetando a experiência do consumidor e a competitividade do setor, em um momento que, segundo pesquisa da Abrasel, cerca de um quinto do setor trabalha com prejuízo, estimando que a medida poderia acarretar uma elevação de até 15% nos preços dos cardápios.



