O ATENTADO CONTRA TRUMP VAI TER POUCO IMPACTO NA ELEIÇÃO AMERICANA

Republican presidential candidate and former U.S. President Donald Trump gestures as he is assisted by security personnel after gunfire rang out during a campaign rally at the Butler Farm Show in Butler, Pennsylvania, U.S., July 13, 2024. REUTERS/Brendan McDermid TPX IMAGES OF THE DAY - Foto: REUTERSÉ próprio dos fatos inesperados terem o condão de gerar expectativas e previsões definitivas. E essa tendência é mais forte ainda quando se trata de um ataque a tiro a um político que usa as mídias de maneira competente e usa até o próprio atentado para sair de punho erguido fazendo campanha. Foi o caso do ex-presidente e candidato Donald Trump, por isso é compreensível a avalanche de analistas e políticos dizendo que ele já ganhou as eleições americanas. Mas não é bem assim. Tampouco faz sentido as comparações com o atentado a Jair Bolsonaro que, efetivamente, catapultou o presidente na corrida eleitoral brasileira em 2018. Não há como fazer comparações com o que ocorreu com Bolsonaro por um motivo simples: naquele atentado o ex-presidente praticamente saiu de cena, deixando a mídia se ocupar de boletins médicos e fotos com ar de mártir do ex-presidente. Ou seja, ele foi poupado pela imprensa, foi poupado dos debates e dos ataques dos concorrentes e, na época, ainda existia um forte elemento antipetista na sociedade. Com Trump isso não vai ocorrer, afinal, já a partir de hoje ele estará no palanque dizendo mentiras e impropriedade e atacando os adversários. No momento em que estiver novamente em ação, ele voltará a ser o Trump de sempre e a comoção pelo atentado ficará restrita aos seus apoiadores. Além disso, ao contrário do ocorria no Brasil, nos Estados Unidos o que existe é um sentimento anti-trumpista por causa do perigo que ele representa para a democracia e do ataque ao Capitólio que estará nas telas americanas logos após a comoção natural desaparecer. Além disso, como ressaltou o comentarista Guga Chacra, nos EUA episódios que parecem definitivos na campanha, rapidamente acabam perdendo força no eleitorado. Em 2016,por exemplo, o vídeo no qual Trump fala barbaridades sobre mulheres e o processo dos e-mails de Hillary Clinton pareciam fatais para as campanhas de cada um e não deram em nada. E tampouco teve importância nas pesquisas eleitorais a condenação de Trump na corte de Nova York e o mesmo ocorrerá quando a sentença for divulgada em setembro. Aliás, mesmo o desempenho tragicômico de Biden no debate foi capaz de afetar fortemente o eleitorado, bastando ver que as pesquisas feitas após o evento fizeram Trump ganhar poucos pontos, praticamente na margem de erro. Isso ocorre porque a eleição americana não é direta, é indireta, e os votos são dados pelos delegados de cada partido eleitos nas eleições primárias. Isso significa que o eleitor define seu voto partidariamente e, além disso, apenas seis estados têm capacidade de modificar o resultado da eleição, os chamados estados pêndulos e aí é que a campanha vai ser decidida. O impacto do atentado estará presente nas campanhas, mas outros eventos vão contrapor-se a eles, afinal faltam quatro meses para as eleições. É verdade que, para os democratas, a substituição de Biden seria conveniente, não só porque seria um fato excepcional, capaz de mobilizar a imprensa tanto quanto o atentado, como também porque o desempenho fraco do atual presidente será muito mais decisivo na campanha que o atentado sofrido por Trump. A verdade é que ainda cedo para o já ganhou tanto do lado dos Republicanos, quanto do lado dos Democratas. Muita água ainda vai rolar nesse rio de votos. (EP- 15/07/2023)



