MARROCOS E FRANÇA DECIDEM HOJE ÚLTIMA VAGA NA FINAL DA COPA

This combination picture made on December 12, 2022 shows France's forward Kylian Mbappe Morocco's defender Achraf Hakimi in Doha on December 6, 2022 and during the Qatar 2022 World Cup football tournament. - France will play Morocco in the Qatar 2022 World Cup football semi-final match in Doha on December 14, 2022. (Photo by Kirill KUDRYAVTSEV and Franck FIFE / AFP) - Foto: AFPHá quem diga que grandes equipes e grandes conquistas no futebol são fruto de trabalhos longos, contínuos e bem planejados. É uma verdade para a maioria dos times marcantes na história, mas pode não ser para a seleção do Marrocos, que tem a chance de se tornar uma dessas memoráveis.
Enfrenta a França hoje, às 16h, em Al Bayt, pela semifinal da Copa do Mundo, e, quem diria, pode chegar à inédita final.
Apesar de ser a grande zebra do Mundial 2022, a essa altura já não é mais possível atribuir à campanha do país africano apenas sorte de principiante. É preciso exaltar a competência da campanha e do recente trabalho iniciado há três meses pelo técnico Walid Regragui. Cinco jogos, nenhuma derrota, cinco gols marcados e apenas um sofrido (por sinal, foi um gol contra), o que coloca os marroquinos na condição de melhor defesa.
A solidez defensiva talvez seja a chave para explicar como a seleção marroquina chegou tão longe no Mundial e é também o que mantém viva a possibilidade de eliminar os atuais campeões nesta semifinal. Fazendo um recorte desde 1982, quando foi estabelecido o atual formato de disputa, outras seis seleções além de Marrocos passaram das quartas de final tendo levado até um gol.
Polônia (1982), França (1998), Alemanha (2002), Portugal e Itália (ambos em 2006) levaram só um gol em cinco partidas do Mundial. Os italianos já tinham alcançado uma marca melhor em 1990, quando chegaram com a defesa zerada nas semifinais. O sistema defensivo marroquino merece atenção não só pelo baixo número de gols sofridos, mas também pela capacidade de suportar a pressão dos adversários e tirar disso força para marcar seus gols e vencer os jogos.
Foi assim contra a Bélgica na fase de grupos e contra Portugal nas quartas, quando Marrocos usou muito bem os contra-ataques para abrir o marcador (contra a Espanha, nas oitavas, o desenho do jogo foi o mesmo, mas o placar terminou 0x0, e os marroquinos avançaram nos pênaltis). Para isso, a seleção conta com a habilidade de jogadores que fazem bem a transição da defesa ao ataque, como os laterais Hakimi e Mazraoui - este é dúvida para a semifinal por causa de lesão -, o volante Amrabat e os atacantes Ziyech, Em-Nesyri e Anass Zaroury.
No gol, Marrocos ainda tem o melhor goleiro da Copa até então. Yassine Bounou, que atua pelo Sevilla, da Espanha, foi quem teve a missão de parar os ataques da Croácia, Bélgica, Espanha e Portugal, tendo ainda defendido duas penalidades contra os espanhóis. Dessa vez, contra a França, atual campeã, tem a dura missão de bloquear Mbappé, que divide a artilharia do Mundial com Messi, cada um com cinco gols.



