ALTA DA INFLAÇÃO É O PRINCIPAL PROBLEMA QUE A ECONOMIA ENFRENTA, DIZ PESQUISA BTG

(FILES) This file photo taken on May 18, 2017 shows the index chart in the electronic board at the Sao Paulo Stock Exchange (B3), in Sao Paulo, Brazil. On December 28, 2017 Sao Paulos - Foto: NELSON ALMEIDASegundo dados da pesquisa do banco BTG Pactual e do Instituto FSB Pesquisa, 94% dos brasileiros acreditam que o país vive uma crise econômica, e 62% enxergam que há dificuldade para superar esse cenário. A inflação foi apontada como o maior impacto econômico para a população, com 60% das pessoas sendo muito afetadas por ela, com as dívidas (39%) e desemprego (38%) logo depois.
No contexto de variação de preços, com a inflação em 11,3% no acumulado de 12 meses e alta do custo de vida, a melhora da pandemia junto com a retomada econômica não estão sendo suficientes para grande parte dos brasileiros. Fazer cortes nas despesas, substituir certos alimentos e economizar no uso da energia e água em casa são algumas das soluções encontradas para passar pela crise.
Paulo Marcelo Oliveira trabalha há 6 anos como condutor escolar e conta que se sente totalmente “prejudicado pela situação econômica do Brasil. Minha categoria sofreu muito na pandemia, as escolas foram as primeiras a parar e as últimas a retornar. A gente olhou para todos os lados e viu que não tínhamos o que fazer”, lembra. “Até que surgiu a oportunidade de eu poder prestar serviço para uma empresa de transporte, mas com um salário bem abaixo do que eu tinha. A minha renda mensal diminuiu mais de 70%, porém foi importante para mim porque pelo menos a alimentação e os gastos básicos com água e luz eu pude manter”, diz Paulo.
E mesmo com o retorno das aulas e a volta do trabalho de condução escolar, a situação está longe de ser como antes da pandemia. Para ele, o que mais tem pesado é o aumento de preço dos alimentos e das contas de casa: “As coisas vêm piorando este ano, eu me sinto com um sentimento de impotência às vezes, de que a gente não é capaz de mais nada porque o dinheiro não tem mais valor”.
“Se você for no mercado no dia 3 do mês e ver o valor do produto, se você volta lá no dia 15 vai estar mais caro, as coisas estão aumentando não chega nem a ser mensalmente. A carne, o feijão, até alimentos básicos como pão estão caros”, afirma Paulo. Dentre as mudanças no dia a dia de sua família, ele diz que o pão já está sendo substituído por produtos mais baratos e que duram mais como aipim e banana da terra.
Trocar alimentos, como a carne por frango, é outro costume que começou a acontecer com mais frequência. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) em parceria com o Citizen, o preço da carne bovina aumentou cerca de 146% na pandemia, entre abril de 2020 e outubro de 2021. Esse foi o item com a maior diferença em comparação ao índice oficial de inflação do período (12,53%).
A estudante universitária Kizzy Lumumba trabalha com marketing digital e mora junto com o irmão em Salvador. Ela conta que tem sentido bastante o aumento dos preços, principalmente nos itens do mercado. “Antes eu gastava R$ 300 na compra mensal e depois semanalmente comprava as coisas mais perecíveis, mas agora eu tenho que gastar muito mais e eu continuo ganhando a mesma coisa. Eu estou tendo que aumentar o preço da minha feira”, explica.
Apesar dessa ser uma crise que se iniciou a mais de 2 anos, Kizzy diz que nos últimos meses foi quando começou a perceber ainda mais a inflação: “O principal impacto é que minhas compras foram sendo cortadas, compro mais o básico e para economizar eu comecei a preferir um produto que é mais barato do que um outro com a qualidade melhor que antes eu comprava”.
E apesar do retorno das atividades presenciais ter saldos positivos para a economia, a estudante aponta que isso tem implicado na volta de certos gastos como a alimentação fora de casa e o transporte, que ela aponta estar encarecendo também com o preço da gasolina. “Ainda bem que divido a casa, com essa economia é até mais viável porque pagamos junto as contas de energia e água”, diz.
E para o futuro, a falta de esperança é grande ainda. A pesquisa do BTG Pactual mostrou que 80% dos brasileiros acham que a inflação irá aumentar ou ficar igual ao que está pelos próximos seis meses. “Eu não sou nem um pouco otimista em relação ao preço das coisas nesse país. A única esperança que eu tenho é em mim mesma, de trabalhar pra conseguir me sustentar melhor dentro desse cenário”, comenta Kizzy.
Foto: divulgação



