COM FALA POPULISTA, BOLSONARO PODE AGRAVAR CRISE ENERGÉTICA

Brazilian President Jair Bolsonaro gestures as he speaks during the announcement of support measures to philanthropic hospitals in the fight against the novel coronavirus disease, COVID-19, at Planalto Palace in Brasilia, on March 25, 2021. - Brazil's death toll in the coronavirus pandemic surpassed 300,000 on March 24, as a deadly surge that has pushed hospitals to the brink made it the second country after the United States to pass the bleak milestone. (Photo by EVARISTO SA / AFP) - Foto: AFPEm mais um movimento populista, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que irá determinar ao ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, que revogue já no próximo mês de novembro a bandeira de escassez hídrica da conta de luz. A bandeira tarifária "escassez hídrica" foi criada no fim de agosto pelo governo e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ela é ainda mais 'grave' que a vermelha 2, que vinha sendo aplicada e adiciona R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos.
O problema da fala do presidente é que dados técnicos do setor elétrico e do próprio MME demonstram que a tarifa de escassez hídrica não está sendo suficiente para arcar com os gastos extras de geração de energia térmica, para compensar a falta de chuvas. Com a fala populista, o presidente contrata ainda mais incerteza para o setor elétrico e afasta investidores, o que pode agravar ainda mais a situação de escassez hídrica no próximo ano.
Em evento do setor elétrico na quarta-feira (6), a secretária executiva do MME, Marisete Dadald, afirmou que a pasta, a Aneel e as distribuidoras de energia têm debatido a defasagem. A previsão é a de que a bandeira "escassez hídrica" permaneça em vigor até 30 de abril de 2022. Entretanto, dados da Aneel podem sugerir a extensão da cobrança ou outras formas de compensar o custo na geração.
Bolsonaro sugeriu que quer saber detalhes sobre as chuvas que caíram nas últimas semanas, como se elas fossem suficientes para resolver o baixo índice dos reservatórios da hidrelétricas. Ele afirmou que vai "determinar" que a bandeira vermelha deixe de ser aplicada — decisão que cabe à Aneel. Mesmo com a criação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética, que pode tomar medidas extraordinárias em relação à gestão da crise hídrica, as mudanças nas bandeiras tarifárias precisam ser baseadas em estudos da agência reguladora.
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