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ÁFRICA AVANÇA NO COMBATE À MISÉRIA E FOME, DIZ ONU

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Zuru Pewu holds her four-year-old son Micah inside a home in the Staten Island borough of New York October 23, 2014. 
Pewu, 29, who emigrated from Liberia in 2005, and her son Micah recently underwent an experience where they were insulted and linked to the spread of the Ebola virus. Pewu's experience points to an alarming trend. While many Americans have reached out to help, African communities in the U.S. are reporting an increasing number of incidents of ostracism. Picture taken October 23.     REUTERS/Shannon Stapleton (UNITED STATES - Tags: HEALTH DISASTER TPX IMAGES OF THE DAY) - RTR4BI9Y
Zuru Pewu holds her four-year-old son Micah inside a home in the Staten Island borough of New York October 23, 2014. Pewu, 29, who emigrated from Liberia in 2005, and her son Micah recently underwent an experience where they were insulted and linked to the spread of the Ebola virus. Pewu's experience points to an alarming trend. While many Americans have reached out to help, African communities in the U.S. are reporting an increasing number of incidents of ostracism. Picture taken October 23. REUTERS/Shannon Stapleton (UNITED STATES - Tags: HEALTH DISASTER TPX IMAGES OF THE DAY) - RTR4BI9Y - Foto: Reuters

No quesito mudanças estruturais na tributação e governança de programas sociais para combater a miséria e a fome, países africanos têm avançado mais que o Brasil. É o que aponta o representante brasileiro do United Nations World Food Programme (programa mundial de alimentos da ONU), Daniel Balaban. Em sua análise, o país brasileiro precisa adotar tributação mais progressiva e desonerar o consumo para avançar nessa questão. No Brasil, apenas cerca de 15% da população paga Imposto de Renda e os mais pobres são onerados pela cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que incide sobre o consumo.

“Em todos os países que trabalhamos, batemos nesse mesmo ponto. Temos visto mudanças radicais, inclusive em nações pobres da África. Mas, no Brasil, isso é tabu. Todo país desenvolvido tem alguma política para desconcentrar renda, fazendo com que pessoas que estão na pobreza não caiam na miséria extrema e na fome. Isso pode ser feito por meio do aumento de salário mínimo, política que foi interrompida no Brasil, e por financiamentos aos pequenos produtores”, disse à Folha de S.Paulo.

Sobre o fato de mais da metade do Brasil sofrer algum tipo de insegurança alimentar, ele opinou: “Países que saíram dessa mesma situação no passado, como os nórdicos e a Coréia [do Sul], mostram que o crescimento econômico está atrelado a uma base de sustentação da própria população. Ao deixar que uma proporção muito grande da população caia abaixo da linha da miséria, estamos achatando o PIB, porque essas pessoas não contribuem”.

E acrescentou: “É um ciclo vicioso que já estamos vendo no Brasil, com um quadro de estagflação [inflação elevada sem crescimento econômico]. O Brasil é um exemplo perfeito de erros de política e seus resultados, que redundaram no aumento da fome. O Brasil não é como alguns dos países com os quais trabalhamos, realmente pobres, como na África, na Ásia e mesmo na América Latina. Nesses países, não há alimentos e eles têm infraestrutura realmente precária, o que é totalmente diferente do Brasil, que está entre os maiores produtores de alimentos do mundo. A fome está relacionada à economia e à desigualdade, e o Brasil figura entre os países mais desiguais do mundo. Para trabalhar isso, é preciso mudar a estrutura econômica e tributária. Não adianta darmos uma migalha aqui, ter programa de cesta básica ali. Isso não resolve nada. Em todos os países que trabalhamos, batemos nesse ponto, e temos visto mudanças radicais, inclusive em nações pobres da África.É preciso mudar a estrutura tributária para que quem tem mais possa contribuir mais. É uma coisa básica”.

Foto: Roberto Parizotti/ CUT

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