BOLSONARO DISCUTIRÁ HOJE O FIM DO USO DE MÁSCARAS

Brazilian President Jair Bolsonaro gestures as he speaks during the announcement of support measures to philanthropic hospitals in the fight against the novel coronavirus disease, COVID-19, at Planalto Palace in Brasilia, on March 25, 2021. - Brazil's death toll in the coronavirus pandemic surpassed 300,000 on March 24, as a deadly surge that has pushed hospitals to the brink made it the second country after the United States to pass the bleak milestone. (Photo by EVARISTO SA / AFP) - Foto: AFPO presidente Jair Bolsonaro afirmou pretende conversar nesta segunda-feira com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre um protocolo para tornar o uso de máscaras facultativo. Em junho, o presidente pediu a Queiroga um parecer sobre o assunto.
— Alguns países do mundo já adotaram isso que você está falando, liberou geral. Eu pedi um estudo para o nosso Ministério da Saúde. Hoje vou me reunir com o ministro Queiroga, para nós darmos uma solução para esse caso — disse o presidente, em entrevista à Rádio Regional FM 91, de Registro (SP).
A ideia de Bolsonaro é que o uso da máscara passa a ser "facultativo":
— Nós tornarmos facultativos, orientarmos que o uso da máscara não precisa mais ser obrigatório. Essa é nossa ideia, que talvez tenha uma data a partir de hoje para essa recomendação do Ministério da Saúde.
Na mesma entrevista, Bolsonaro contrariou decisões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e diversos estudos científicos, ao afirmar que a CoronaVac — chamada por ele de vacina "chinesa" — não está "dando certo". Bolsonaro cobrou que a Anvisa ou o Instituto Butantan deem uma "resposta" sobre a eficácia da vacina.
Na semana passada, a diretoria da Anvisa considerou que a Coronavac tem contribuído para uma redução significativa de hospitalizações e óbitos causados pela Covid-19 e manteve a autorização de uso emergencial do imunizante, concedida em janeiro. A posição foi exposta na reunião em que a agência negou, por falta de dados, a autorização para uso da vacina em crianças e adolescentes.
— Algumas vacinas não estão dando certo. Tem uma chinesa aí que gente tomou a segunda dose, está se infectando, está morrendo, e não é pouca gente, não. A gente espera que a Anvisa dê uma resposta para a isso, ou o próprio Butantan dê uma resposta para isso. A população tem o direito de saber da real efetividade da vacina que está tomando — afirmou Bolsonaro,
Especialistas médicos explicam que casos em que uma pessoa morre mesmo após tomar as duas doses não significam um atestado de falta de efetividade dos imunizantes. Na verdade, o agravamento do quadro está intimamente ligado ao funcionamento do sistema imune do corpo.
Além do aval da Anvisa, a Coronavac também teve registro emergencial concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Bolsonaro também citou dois dados incorretos durante a entrevista: que pessoas já contaminadas com o novo coronavírus já estão imunizados (existem diversos casos documentados de reinfecção) e que as vacinas ainda são "experimentais" (todas os imunizantes passaram por diversas etapas de estudos antes de terem seu uso aprovado).
Foto: O Globo



