CÂMARA MUNICIPAL DE SALVADOR DISCUTE RETORNO ÀS AULAS

Professora Eliane Conconi conversa com alunos em sala de aula da escola Thomaz Rodrigues Alckmin, no primeiro dia de retorno das escolas do estado de São Paulo para atividades extracurriculares em meio ao surto de coronavírus (COVID-19) em São Paulo, Brasil 7 de outubro de 2020 . REUTERS / Amanda Perobelli - Foto: REUTERS / Amanda PerobelliUma audiência pública foi realizada na manhã desta sexta-feira (19) para discutir as possibilidades de retorno às aulas presenciais em meio à pandemia da Covid-19, bem como as alternativas para um ensino híbrido e remoto aos alunos. O evento foi promovido pela Ouvidoria da Câmara Municipal de Salvador (CMS) em conjunto com a Comissão de Educação, Esporte e Lazer do Órgão e contou com mediação do vereador e ouvidor-geral da CMS, Augusto Vasconcelos, e da presidente da Comissão de Educação, Esporte e Lazer, Cris Correia.
Participaram como debatedores da audiência, o Superintendente de Planejamento Operacional da rede Escolar, Manoel Calazans, o secretário de educação do município de Salvador, Marcelo Oliveira, o presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB), Rui Oliveira, a vice-presidente do Conselho Municipal de Educação, Rita de Cássia, o promotor de Justiça do ministério público da Bahia e coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação (Seduc), Dr. Adalvo Nunes e a médica infectologista, Dra. Fabiana Bahia.
“A audiência foi muito rica com a participação de vários segmentos da cidade. Não posso deixar de reafirmar que tudo isso está acontecendo em razão do nosso país estar enfrentando a pandemia da pior maneira possível, graças a um governo federal irresponsável que não se planejou adequadamente para a compra das vacinas e tem gerado essa aflição para pais, mães, profissionais da educação e a sociedade em geral que clama pela volta às aulas. Todo mundo quer que as aulas voltem, mas elas precisam voltar em segurança, preservando vidas e com mecanismos pedagógicos que incluam as pessoas e não deixem ninguém de fora”, afirmou Augusto, que defende um amplo processo de modernização pública com investimentos para a ampliação da banda larga, possibilitando que mais pessoas possam ter acesso às aulas remotas para que o conteúdo pedagógico possa ser ofertado.
“A iniciativa cumpriu com seu papel, que é o do diálogo, do debate, de ouvir as diversas representatividades da sociedade, dos segmentos envolvidos com essa questão da educação e das voltas aulas. Houve uma pluralidade de posicionamentos e nos discursos. E isso, na verdade, é o que faz o enriquecimento do debate que fortalece esse diálogo”, relatou a presidente da Comissão de Educação, Esporte e Lazer, Cris Correia.
Cris Correia ainda comemorou o anúncio da antecipação da data de inclusão dos professores no plano de vacinação contra a Covid-19: “Encerramos a audiência com a informação muito importante de que houve uma antecipação no programa de vacinação para os profissionais de educação. Essa informação é importante para a retomada das aulas presenciais. E mais que isso, ela abre uma nova perspectiva, tanto do diálogo, quanto também do próprio movimento de retomada.”
O debate
O presidente da APLB, Rui Oliveira, defendeu o ensino híbrido e afirmou que retornar as aulas presenciais é uma possibilidade sem condições a ser discutida: “Precisamos discutir a vida, e a vida neste momento é com a vacina.” Para o Superintendente de Planejamento Operacional da rede Escolar, Manoel Calazans, no momento também não há condições sanitárias para o retorno presencial.
A médica-infectologista, Dra. Fabiana Bahia, ressaltou que os pilares básicos para evitar a contaminação do coronavírus é o uso da máscara, higienização das mãos e distanciamento social. Para Fabiana, a educação precisa ser colocada em prioridade no mesmo patamar das atividades que já foram retomadas e que havendo um treinamento adequado para os alunos de como aplicar corretamente esses protocolos, é possível retornar com as aulas presenciais de uma forma segura.
Para o secretário municipal de educação, Marcelo Oliveira, é preciso avançar na discursão e buscar formas de resolver esta questão. Marcelo afirmou que é preciso retornar as aulas presenciais: “não consigo imaginar uma educação fundamental exclusiva à distância”, mas também entende que agora, numa nova onda crescente da pandemia, ainda não é o momento. Segundo Marcelo, o primeiro passo para essa volta às aulas já foi dado a partir da elaboração de um plano de retomada físico sanitário de como garantir a segurança dos alunos no retorno presencial das aulas.
Rita de Cássia, a vice-presidente do Conselho Municipal de Educação, também defendeu a ideia de que não há condições de retornar as aulas presenciais sem antes pensar na vacina para toda a população: “Defender a educação neste momento é substituir o grito de guerra do retorno presencial por ‘vacinação, já’, por ‘preservação da vida, já’. Educação neste momento é defender o ensino remoto.
“Precisamos discutir a educação para além desse momento pandêmico que nos aflige. É preciso discutir a educação em sua plenitude. Também não podemos pensar nessas mortes como números. Precisamos pensar nessas mortes como seres humanos que abandonaram as suas profissões e famílias precocemente por força de um evento imprevisto e imprevisível”, pontuou o coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação (Seduc), dr. Adalvo Nunes.
Foto: Agência Brasil



