PROCESSO DE IMPEACHMENT DE TRUMP DEVE SER VOTADO HOJE

U.S. President Donald Trump speaks to reporters after arriving from Camp David to the White House in Washington, U.S. May 17, 2020. REUTERS/Eric Thayer - Foto: REUTERS/Eric ThayerO vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, anunciou em uma carta para a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, que não irá invocar a 25ª Emenda da Constituição, que versa sobre o afastamento do presidente da República por incapacidade. A negativa de Pence foi divulgada enquanto a Câmara dos Deputados votava um pedido formal ao vice-presidente para que declarasse que Donald Trump é incapaz de governar depois de ter incitado a invasão do Congresso para impedir a homologação da vitória eleitoral do democrata Joe Biden. Embora já fosse esperado que Pence fosse recusar o pedido, ele ainda não havia oficializado este posicionamento, e a votação terminou com placar de 223 a 205 a favor que Mike Pence acionasse a 25ª emenda.
“Não acredito que tal curso de ação seja do interesse do que é melhor para nossa nação ou seja consistente com nossa Constituição", disse Pence. A carta afirma que isso abriria um “precedente terrível” e “dividiria ainda mais e inflamaria as paixões do momento”. Com a negativa do vice-presidente, a Câmara, de maioria democrata, deve votar nesta quarta-feira a abertura de um processo de impeachment, acusando o presidente de incitar uma multidão violenta de seus apoiadores a invadir o Capitólio, onde saquearam a sede do Legislativo americano e mataram um policial.
O impeachment — que depende do apoio de dois terços do Senado (67 votos) para ser aprovado — abriria caminho para a cassação, em uma votação independente, dos direitos políticos de Trump, o que o tornaria inelegível em futuras eleições. Além de quererem deixar claro que o comportamento do presidente é inaceitável, os democratas desejam também anular qualquer chance de ele voltar a concorrer à Presidência. Na acusação que será votada, os democratas afirmam que "incitada pelo presidente Trump, uma multidão violou ilegalmente o Capitólio, feriu funcionários da lei, ameaçou membros do Congresso e o vice-presidente, interferiu com o dever constitucional solene da Sessão Conjunta de certificar os resultados da eleição e se envolveu em atos violentos, mortais, destrutivos e atos sediciosos".
Para ser aprovada, a abertura do processo precisa da maioria simples dos votos dos deputados. Embora o Partido Republicano tenda a impedir a condenação no Senado — como aconteceu em janeiro de 2020, quando Trump foi alvo de um primeiro processo de impeachment —, a força do presidente no partido está diminuindo. Alguns correligionários sinalizaram que pretendem apoiar o impeachment, seja por considerarem inaceitável o comportamento do presidente, ou por entenderem que, desta forma, poderão facilitar a reconstrução do partido. A primeira deputada a declarar que apoiará o processo de impeachment foi Liz Cheney, de Wyoming, filha do antigo rival de Trump Dick Cheney. Ela — a terceira liderança dos republicanos na Câmara — afirmou que “nunca houve uma traição maior por parte de um presidente do Estados Unidos" do que o incitamento de Trump à multidão.
Em uma declaração contundente, Cheney desqualificou republicanos que argumentam que o impeachment é precipitado, prematuro ou injustificado. “O presidente dos Estados Unidos convocou essa turba, reuniu a turba e acendeu a chama desse ataque. Tudo o que se seguiu foi obra sua. Nada disso teria acontecido sem o presidente”, ela disse. Os deputados John Katko, de Nova York, e Adam Kinzinger, de Illinois, também afirmaram que vão apoiar o impeachment. Segundo a CNN, estima-se que até 20 deputados podem vir a apoiar a iniciativa. Na outra Casa, o senador Mitch McConnell, líder republicano e antiga aliado de Trump, disse a pessoas próximas que acredita que o presidente cometeu infrações dignas de impeachment e que está satisfeito com os procedimentos adotados por democratas nesta direção, acreditando que isso tornará mais fácil tirar Trump do partido. Caso McConnell apoie o processo, aumentam muito as chances de condenação de Trump no Senado.
o mesmo tempo, o deputado Kevin McCarthy, da Califórnia, líder da minoria na Câmara e um dos aliados mais firmes de Trump no Congresso, perguntou a outros republicanos se ele deveria pedir que Trump renunciasse após o tumulto no Capitólio, de acordo com três funcionários republicanos informados sobre as conversas. Embora McCarthy tenha dito que se opõe pessoalmente ao impeachment, ele e outros líderes partidários decidiram não fazer lobby formalmente para que os republicanos votem "não", e um assessor de McCarthy disse que ele estava aberto a uma medida que censure Trump por sua conduta.
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