MORALES ENFRENTARÁ SEGUNDO TURNO PELA PRIMEIRA VEZ NA BOLÍVIA

Pela primeira vez desde que chegou ao poder em 2005, Evo Morales deverá enfrentar um segundo turno nas eleições presidenciais bolivianas. Com 83,76% das urnas apuradas, Morales tem 45,28% dos votos, contra 38,16% do ex-presidente Carlos Mesa , da aliança de centro Comunidade Cidadã .
Em terceiro lugar, em resultado surpreendente, aparece o pastor evangélico de extrema direita nascido na Coreia do Sul, Chi Hyun Chung, com 8,77% dos votos — candidato que fez elogios ao presidente Jair Bolsonaro durante sua campanha. A quarta posição ficou com o senador da oposição Óscar Ortiz, com 4,41%, que aparecia a frente de Chi nas pesquisas. Votos brancos são 1,40% e nulos, 3,48%.
Para se eleger no primeiro turno, o Movimento ao Socialismo de Morales precisaria ter 50% mais um dos votos ou 40% e 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Confirmando-se o resultado, a segunda rodada de votações deverá ocorrer no dia 15 de dezembro. Logo após a divulgação dos resultados preliminares, Morales disse ter confiança de que os votos das zonas rurais garantirão sua vitória ainda no primeiro turno:
“Ganhamos mais uma vez quatro eleições consecutivas na Bolívia. O esforço e o compromisso com a Bolívia não foram em vão”, disse à imprensa e a apoiadores. “O povo boliviano decidiu continuar com o processo de mudança. Nós teremos maioria absoluta na Câmara dos Deputados e no Senado e esta é a consciência do povo”.
Mesa, por sua vez, celebrou o provável segundo turno: “Realizamos um triunfo inquestionável que nos permite dizer com absoluta certeza e segurança, tanto pelas informações da mídia como por nosso cálculo interno: estamos no segundo turno!”. Durante o final da noite, a Organização dos Estados Americanos (OEA), que fiscaliza as eleições na Bolívia, pediu para que o TSE do país explique o motivo da interrupção na transmissão dos resultados preliminares:
"A missão de observação eleitoral da OEA segue acompanhando com rigor o processo eleitoral na Bolívia. É fundamental que o TSE explique porque interrompeu a transmissão dos resultados preliminares e que o processo de publicação da computação dos dados ocorra de maneira fluida."
O Itamaraty também demostrou preocupação com a "interrupção imprevista da apuração e a falta de resposta das autoridades eleitorais bolivianas aos pedidos de esclarecimento da OEA", segundo publicação na conta oficial do Ministério das Relações Exteriores no Twitter. Em outro tuíte, o Itamaraty afirma que o "Brasil espera que o processo de apuração tenha continuidade dentro das regras estabelecidas, com transparência e lisura".
Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS



