ENTREVISTAS

DÊNIO CIDREIRA – ARENA FONTE NOVA
DÊNIO CIDREIRA - ARENA FONTE NOVA

BE – Qual o balanço que o senhor faz do desempenho da Arena Fonte Nova em 2018

DC – 2018 foi um ano bem desafiador, mas nós conseguimos seguir nosso planejamento à risca. Registramos um aumento de 10% no número de pessoas que forma Arena. Elevamos a quantidade de eventos e chegando perto da nossa capacidade máxima, nós tivemos em 2018 um evento a cada 2,8 dias. Geramos cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos e tivemos uma quantidade bem elevada de eventos não esportivos, cerca de 40%,  e não tivemos mais por que o Bahia teve um volume de jogos maior que no ano passado, então eu posso afirmar que em 2018 nós alcançamos as metas traçadas.

BE- Quais as perspectivas para 2019 ?  

DC- Nós iniciamos 2019 com nosso projeto de verão, que iniciamos em 2018 e vamos repetir em 2019. Teremos Saulo e Durval , que  já foi um sucesso no ano passado,  e em 2019 eu acredito que será ainda melhor. Teremos alguns ensaios como o do Parangolé e convidados, teremos o Mortalha, antes do carnaval, e também haverá  durante o carnaval um carnavalito, por dois dias, onde reproduziremos uma Salvador cenográfica dentro da Arena Fonte Nova. O carnavalito será seguramente um esquenta para quem quiser curtir o carnaval a tarde e depois seguir para a rua ou para os camarotes, pois o evento começa à tarde. Mas em 2019 o grande destaque da Arena seguramente será a Copa América, quando sediaremos 4 jogos, um deles da Seleção Brasileira. Tivemos uma grande vitória por sermos a única capital do Nordeste a receber a Copa América. Vale destacar que Salvador será a única cidade do Norte de Nordeste que sediará jogos da Copa América.  Agente estima um volume bem elevado de turistas que virão para o evento. Estamos nos preparando juntamente com a Prefeitura e com o governo do Estado e também estamos negociando alguns shows internacionais para nos consolidar a Arena Fonte Nova como a maior arena multiuso do Norte Nordeste do Brasil.

BE- O que diferencia a Arena Fonte Nova de outros equipamentos de entretenimento e que tipo de parcerias vocês estão buscando para consolidá-la como um HUB de entretenimento?

DC- O primeiro ponto que diferencia a Arena dos demais equipamentos é que nós trabalhamos com muito planejamento. Nós procuramos identificar as necessidades dos usuários, o que as pessoas buscam, para nós oferecermos como diferencial.  Agente concorre com as grandes arenas espalhadas pelo país, principalmente nos shows internacionais, então agente busca que as pessoas que frequentam esse espaço o enxerguem como uma opção de entretenimento. Além disso é importante também que os produtores nos enxerguem como importante destino para seus shows. Então nós fazemos todo o trabalho operacional interno,  e uma parte operacional externa, que eu chamo de operação ampliada, ou seja queremos trazer o usuário desde de sua casa até a  Arena. Fizemos então  uma excelente parceria com o metrô e agora em 2019 vamos firmar uma parceria com o Aeroporto de Salvador, então o usuário tanto local quanto de fora tem toda facilidade para acessar a Arena, tanto chegando quanto saaindo, e isso tem sido um diferencial reconhecido.

BE- Você acredita que a Arena contribui para o turismo na Bahia e como essa interação ocorre?  

DC- Eu acredito que a Arena contribui muito para o turismo na Bahia. Nós estamos cada vez mais estreitando a relação com órgãos de turismo no estado e com os dirigentes desses órgãos ,  também com hotéis e com hotelaria em geral, inclusive colocando pessoas para visitar o equipamento. Estamos destacamos a qualidade do som que a Arena Fonte Nova oferece hoje, e nossa acústica é considerada das melhores do país. É um ponto de diferenciação em relação as demais arenas do país, então existe fazemos um trabalho para que as pessoas possam conhecer  nosso espaço.  Hoje em parceria com o trade turístico e os hotéis acompanhamos o turista desde ponto da chegada dele em Salvador até a sua volta para casa, através das nossas parcerias. É importante ressaltar todo nosso esforço de planejamento para que o turista saiba que ele vindo para Salvador ele vai ser assistido desde sua chegada, vai assistir um show com uma bela qualidade de áudio e depois voltar para casa com toda infraestrutura e segurança possível.

RUI COSTA – GOVERNADOR DA BAHIA
RUI COSTA - GOVERNADOR DA BAHIA

Valor: No fim da campanha, o então candidato Jair Bolsonaro disse que iria banir “esses marginais vermelhos” da nossa pátria. A Bahia deu 60% dos votos para o candidato do PT, Fernando Haddad. Vai ser difícil a relação do Estado com o governo federal?

Rui Costa: Eu espero que isso tenha sido apenas a retórica da campanha. Na posse, no dia 1º, ele vai jurar respeito à Constituição brasileira, que é clara ao dizer que vivemos em uma federação, e que Estados e municípios devem ser tratados de forma equânime e respeitosa. É isso que eu espero: um tratamento respeitoso, até porque os 15 milhões de baianos também são 15 milhões de brasileiros. Quando as pessoas chegam ao cargo de presidente ou governador, são chamadas pela sua consciência a ter grandeza, e não ficar governando com mesquinharia.

Valor: O senhor já tem audiência marcada com ele?

Rui: Nós formalizamos um documento [carta dos governadores do Nordeste] com um pleito de audiência, sem nenhum tom de cobrança, para ele marcar na melhor oportunidade de data, até porque ele está fazendo a transição, num período de intensas reuniões. Quando tomar posse, ele deve oficialmente chamar a gente. Tanto Dilma [Rousseff, ex-presidente] quanto o [presidente Michel] Temer reuniram os governadores do Nordeste, porque temos pautas específicas da região. Queremos discutir juntos porque isso poupa a agenda dele, ao invés de, seguidamente, nove governadores falarem do mesmo assunto.

Valor: O senhor conduz uma obra de grande porte na Bahia que é a ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), para o transporte de grãos e minério-de-ferro, e tem a China como potencial parceiro. Acha que as declarações de Bolsonaro contra a China podem impactar as negociações?

Rui: A obra até agora vem sendo feita com o orçamento da União [pela estatal Valec], sendo tocada em pequenos trechos, mas em um deles, cerca de 70% já foi executado [de Ilhéus a Caetité]. A ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] e o TCU [Tribunal de Contas da União] estão trabalhando juntos [no edital do leilão, previsto para dezembro]. Tem vários concorrentes, inclusive os chineses. Uma vez sentando na cadeira de presidente, ou de governador, você deve deixar as ideologias de lado e cuidar de gerar emprego e desenvolvimento. O Brasil não pode se dar ao luxo de descartar investidores internacionais porque não gosta desse país ou daquele. Temos que cativar investidores.

Valor: Atribui-se a vitória de Jair Bolsonaro, em grande parte, ao antipetismo que teria contaminado os brasileiros, ante as denúncias de corrupção nos governos petistas. O governo errou em não fazer uma aliança para apoiar Ciro Gomes, do PDT?

Rui: Não foi o antipetismo que venceu a eleição, foi a antipolítica, a rejeição ao establishment. O povo votou contra os políticos que representavam a política tradicional, contra esse modelo de alianças do toma-lá-dá-cá. Foi esse o recado. Quem por interesse político-partidário quiser fazer a leitura de que foi antipetismo, que faça. O Ciro [Gomes] bateu no PT, o [Geraldo] Alckmin bateu forte no PT a campanha inteira. Se alguém queria votar contra o PT, votaria no Alckmin, governador de São Paulo, com experiência de gestão.

Valor: Então o senhor acha que o PT não saiu derrotado da eleição?

Rui: O Alckmin foi governador quatro vezes, e perdeu feio no Estado dele. Quem foi o grande derrotado em São Paulo: o PT ou o Alckmin? Quem tinha força eleitoral? Se eu perdesse na Bahia, o derrotado seria o PT, porque eu era o governador. Ao perder de forma tão fragorosa, o grande derrotado em São Paulo foi o PSDB.

Valor: Mas Bolsonaro é deputado há 27 anos, como o senhor acha que ele conseguiu se apresentar aos eleitores como “o novo”?

Rui: Aí só procurando um cientista político, um sociólogo, um psicólogo para explicar como ele conseguiu passar essa imagem. Mas conseguiu, mérito dele. Apesar de ser deputado há 27 anos, de ter participado de todas as votações, de todas as negociações na Câmara, ele conseguiu por alguma fórmula passar a imagem de que ele era o novo, e que não fazia parte dessa política tradicional. Ele encontrou uma fórmula de encantar e convencer os eleitores que ele era diferente de tudo isso que está aí.

Valor: E que lição o PT tira dessas eleições?

Rui: Não só o PT, mas os políticos precisam tirar uma lição. Primeiro de tudo, precisam estar mais próximos do povo, ser menos distantes da população.

Valor: O senhor acha que o PT se distanciou da população?

Rui: Não tenho dúvida disso. Mas, veja: assim como toda instituição, o PT é composto de gente. E as pessoas têm comportamentos diferentes. Então em muitos lugares, ou nacionalmente, a gente se distanciou. Tanto se distanciou que perdeu a eleição. A segunda lição é de que não podemos ficar reproduzindo acordos políticos que o povo não enxergue como benéficos à sociedade. Acho que é preciso cuidar de temas muito valorosos, como saúde, educação e segurança.

Valor: Como o PT pode reverter esse quadro para se reconectar com a população?

Rui: Os partidos todos têm que repensar sua forma de atuação, talvez seja o momento até de se formar novos partidos, com novas práticas políticas, defendendo novas questões, mais próximas ao interesse da população. De forma mais sincera, mais verdadeira, olho no olho das pessoas. É o que o povo quer.

Valor: O senhor afirma que não foi o antipetismo que derrotou o PT nas urnas, mas esse sentimento não motivou uma parcela dos eleitores?

Rui: Esse processo todo mostrou que no PT tinha gente também que estava fazendo coisa errada, mas como ocorre em todos os partidos, sem exceção. Não é filiação partidária que define o comportamento das pessoas. Eu acho é que precisamos juntar os homens e as mulheres de bem, que têm bons propósitos na política, para construir uma nova agenda para o Brasil, para que ele se pareça com os principais países do mundo.

Valor: Para esse modelo se viabilizar, se for o caso em 2022, o PT pode apoiar um candidato a presidente de outra sigla?

Rui: Já defendi essa possibilidade nesta eleição. Eu e Wagner [o senador eleito pela Bahia, Jaques Wagner], além de outras pessoas do PT, defendemos essa possibilidade já neste ano. Na política, se você quer o apoio de alguém, tem que admitir a possibilidade de apoiar outra pessoa. Se você acha que só pode receber apoio, nunca apoiar, isso não é uma boa prática política. Se acha que só você presta, e ninguém mais, por que vai querer o apoio de quem não presta?

Valor: Mas como essas alianças se processariam?

Rui: Nossa missão é juntar todos aqueles, independentemente se estão no PT, no PCdoB, no PSB, no PSDB, no PP: onde tenha gente que queira construir uma nova prática política, feita com seriedade, verdade, e honestidade, acho que essas pessoas são nossas aliadas para construir o Brasil. A gente não pode fazer cerco ideológico a partido, o critério não é esse, e o povo já disse na eleição que não aceita mais esse comportamento.

Valor: Como é o ajuste fiscal que o senhor está promovendo no Estado?

Rui: Vamos extinguir 1.500 cargos comissionados, e deixar mais clara a Constituição Estadual para fixar o teto salarial do Executivo. A redação era dúbia, e agora será igual à da Constituição Federal: ninguém vai poder ganhar acima do salário do governador [R$ 22 mil]. Eu fiz um ajuste antes de assumir o primeiro mandato: fechei três empresas, extingui dois mil cargos, e criei a previdência complementar dos novos servidores. A Bahia foi o primeiro Estado do Nordeste a criar a previdência complementar. Agora estamos dando continuidade: a cada período temos que ter um novo olhar sobre a máquina pública, reduzir, reorganizar para atravessarmos eventual crise pelos próximos quatro anos.

Valor: Já é a segunda parte da reforma da Previdência?

Rui: Na verdade, a previdência complementar criada em 2014 só vale para os novos servidores. Com ela, eles se aposentam com até R$ 5,6 mil, que é o teto do INSS. Mas a Bahia tem o mesmo problema dos outros Estados, de desequilíbrio estrutural. Quando entrei no governo, o déficit da previdência era de R$ 2 bilhões, agora em dezembro fechamos em R$ 4 bilhões. Uma forma de financiar isso é elevar a alíquota de contribuição de 12% para 14%, dez Estados já fizeram isso. Mas isso financia uma parte, vai propiciar cerca de R$ 260 milhões. Para cobrir o grande déficit não tem medida mágica, são várias ações juntas que vão ajudar a diminuir a dívida.

Valor: E no plano nacional?

Rui: Tem dois tipos de previdências: a pública, que precisa de reformas porque traz condições que trabalhadores em geral não têm. A outra é a aposentadoria rural, que não tem conceito previdenciário, tem caráter social. Uma coisa é quem se aposenta com 50 anos, que não trabalho debaixo de sol quente, que tem expectativa de vida de 80 anos, outra coisa é uma velhinha trabalhadora rural, que tem uma expectativa de vida menor, as mãos calejadas, o rosto rachado, se vai abandonar as pessoas a própria sorte. Isso não é cálculo matemático. Tem que separar as duas.

Valor: Mas uma reforma pelo menos no setor público tem que ser feita?

Rui: Eu acho que sim, para igualar condições de aposentadoria no país. Sou a favor de que caminhem para ser iguais quem é servidor público e trabalhador geral. Até porque quem paga o meu salário de governador é a população. Quem é servidor não pode ter condições muito privilegiadas em relação à maioria da população.

Valor: O PT deve apoiar uma reforma nesses moldes?

Rui: Eu não falo em nome do PT, falo em meu nome, até porque eu fiz uma reforma assim, quando criei a previdência complementar.

Valor: Não tem receio de que essa reforma contamine sua popularidade?

Rui: Não, até porque a reforma que eu fiz em 2014 [com Jaques Wagner, após a eleição] foi maior e mais forte. Eu não teria sido reeleito com 75% dos votos se isso tivesse afetado [a popularidade]. As pessoas querem saber da verdade, estão cansadas da política feita com demagogia. Eu ando nas ruas com tranquilidade, encontro pessoas aposentadas, e às vezes me dizem que estão sem reajuste. Eu digo que estou fazendo de tudo para não atrasar um dia sequer o seu salário e para garantir que receba a aposentadoria. Acho que quando você demonstra sinceridade, é verdade, as pessoas podem não gostar; todo mundo só gosta de notícia boa. Mas elas compreendem.

Valor: A Bahia vai sofrer com o efeito cascata do reajuste da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal?

Rui: No Executivo, eu tenho como evitar, com a aprovação dessa emenda constitucional que fixa o teto do funcionalismo. Nos outros poderes, não tem como. Se o Brasil é uma federação, por que a Justiça estadual tem de estar atrelada – salários, inclusive, – à Justiça Federal? O funcionalismo federal não deveria ter influência no estadual. Todo ano precisa de suplementação orçamentária para pagar a folha do Judiciário.

Valor: O senhor voltou de um périplo internacional, passando por Portugal e Israel. Trouxe novos investimentos?

Rui: Fomos buscar parcerias em Israel na área de segurança pública, eles têm tecnologia na área de monitoramento. Queremos fazer parcerias com o setor privado. Vamos começar agora um projeto piloto de monitoramento de câmera, faremos reconhecimento facial, inclusive nas estações de metrô, no aeroporto, nos estádios de futebol, e também reconhecimento de placas de carro. Depois de Salvador, vamos fazer licitação ou PPPs pra ampliar para todo o Estado.

Valor: Israel se tornou referência no combate à seca, tem algum projeto para o semiárido?

Rui: A escassez de água deles é semelhante à do semiárido, tem regiões deles que chove menos. No Nordeste chove 700 mm por ao, lá tem lugares que chove 400 mm. Eles têm tecnologia de reuso de água para o consumo, para irrigação, e de dessalinização. Boa parte da água que eles usam é do mar. Temos barragens aqui em que hoje a água está salinizada.

Valor: A segurança pública era uma das bandeiras de Bolsonaro, ao lado do combate à corrupção. Acha que os partidos não deram atenção necessária à segurança pública na campanha?

Rui: Eu acho que nem os partidos nem os governos federais trataram com a devida atenção esse tema, e tenho receio de que o próximo governo também não trate. O Brasil virou o segundo ou o terceiro maior consumidor de drogas do mundo: isso não é qualquer dado, é uma epidemia.

Publicada no jornal Valor Econômico em 10/12/2018

PATRIC PITON – PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE JOVENS EMPREENDEDORES DA BAHIA (AJE)
PATRIC PITON - PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE JOVENS EMPREENDEDORES DA BAHIA (AJE)

BE- O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. O empreendedor jovem que deseja montar seu primeiro negócio fica limitado pela alta carga de impostos que o governo federal e estadual impõe. O que o senhor poderia comentar a respeito?

PP- De fato, a alta carga tributária é um dos principais fatores de entraves para o jovem empreendedor. A pesquisa do perfil do jovem empreendedor brasileiro, realizada pela CONAJE neste ano, identificou a burocracia e impostos como o principal fator de desafio externo para o sucesso de um negócio de um jovem empreendedor, totalizando 75%. Faz-se necessário que o governo crie projetos de desburocratização e simplificação tributária além de incentivos para as micro e pequenas empresas durante os primeiros anos.

BE- A reforma trabalhista completou recentemente um ano. Porém, o clima de insegurança jurídica ainda é grande. existem processos que ainda não tem uma conclusão clara. Qual a importância da reforma para o empreendedor jovem?

PP- A reforma trabalhista veio para contribuir com a flexibilização das relações trabalhistas, possibilitando que mais empregos sejam gerados além de relações trabalhistas menos burocráticas. Países mais desenvolvidos possuem relações trabalhistas mais flexíveis, possibilitando que os empreendedores e seus colaboradores definam as suas relações. Muitas vezes o colaborador queria tirar férias segmentadas em 10 dias e não podia porque a legislação só permitia repartir em 2 vezes, por exemplo. Sendo assim, a reforma vem para trazer ganhos ao desenvolvimento dos negócios.

BE – quais os principais pontos que serão abordados no congresso?

PP- O Congresso Nacional de Jovens Empreenderes irá abordar diversos assuntos vitais para os negócios: marketing de conteúdo, gestão de finanças empresariais, PNL para vendas, implantação de um programa de compliance, megatendências de agronegócios e governança corporativa, empreendedorismo feminino, startups, propósito e muitos outros. Serão realizadas oficinas, casos de sucesso e insucesso de empreendedores, palestras e painéis.

LÚCIO FLÁVIO ROCHA – DIRETOR DO MOVIMENTO BRASIL 200
LÚCIO FLÁVIO ROCHA - DIRETOR DO MOVIMENTO BRASIL 200

BE- A reforma trabalhista da completando um ano, quanto ela pode ter influenciado a mente de empresários na geração de novos empregos

LFR – Com a nova reforma trabalhista começamos a desconstruir a idéia de que patrões são inimigos de empregados e vice versa. Começamos a criar novas visões e demandas que antes não se existia. E no imaginar das contas apresentamos que a balança de empregos ela se tornou positiva, ainda muito pouco diante do rombo que nós tivemos, porém já é um avanço. Nós já temos hoje mais contratações do que demissões. Mais observamos que essa transformação com menos litígio e menos conflitos e principalmente mais flexibilização na sua relação contratual fica melhor para se contratar.

BE- Abri empresa no Brasil hoje é uma dificuldade. Principalmente no segmento de shoppings, onde você atua. O senhor acredita que isso inibe o empresário de investir?

LFR – Pra você ter uma idéia eu já passei seis meses pagando aluguel em shopping na Bahia sem conseguir a minha inscrição na junta comercial do estado, sem conseguir inscrever minha empresa na justa comercial. E eu estou falando de um quiosque de cinco metros quadrados e não de uma super loja. Então durante seis meses foram empregados sem empregos, fornecedores parados, a economia sem ter a geração de impostos. Então chegamos à conclusão de que a burocracia não tem nenhum beneficio, nem para o estado nem para comunidade. Muito pelo contrario ela atrapalha muito o progresso.

BE- Em relação às convenções coletivas existe hoje na Bahia um problema que o sindicato do comércio e o sindicatos dos lojistas não chegaram a um acordo para o estado. Como isso pode atrapalhar o comércio no estado?

LFR- Eu lamento que as convenções coletivas tenham se tornado um momento de queda de braço. O objetivo da convenção coletiva deveria conciliar interesses entre os limites que o empresário consegue ceder e as necessidades que os funcionários precisam ter hoje as coisas não funcionam assim. Hoje é uma medição de força. Hoje nós passamos por um momento de muita dificuldade por que os shoppings fecharam aos domingos. Os próprios vendedores afirmavam que precisavam ganhar suas comissões e o sindicato que devia defender os interesses dos trabalhadores acabaram inviabilizando os trabalhos aos domingos.

BE- Na questão política a chegada de Paulo Guedes é vista com bons olhos pelo empresário baiano?

LFR – Paulo Guedes é um dos grandes estímulos que o empresário tem para voltar a investir, vou voltar a contratar, justamente por ele ter consciência de que o maior gerador de prosperidade de uma nação não é o estado é o trabalho, ele é o que gera maior beneficio social que existe. Ele traz dignidade. Então a chegada de Paulo Guedes deixa o empresário confortável

BE- Estão afirmamos que o ambiente para 2019 é muito melhor do esse de 2018?

LFR – Incomparável. Se você tem uma boa expectativa eu diria que 90% do caminho já foi traçado. E com Guedes nós temos muita expectativa.

JULIO RIBAS É DIRETOR-PRESIDENTE DO AEROPORTO DE SALVADOR
JULIO RIBAS É DIRETOR-PRESIDENTE DO AEROPORTO DE SALVADOR

BE- A Fonte Nova Negócios e Participações e a Concessionária do Aeroporto de Salvador assinaram um termo de parceria e cooperação. Como vai funcionar essa parceria e qual o objetivo dela?

JR- O objetivo é promover ações conjuntas com foco no turismo, cultura, entretenimento e negócios em Salvador. Através dessa parceria, inédita no Brasil entre uma arena multiuso e um terminal aeroportuário, pretende-se ativar e integrar a cadeia produtiva desses setores com a finalidade de incrementar a economia na cidade e no estado.

BE- A concessionária negou na semana retrasada que tenha interesse em construir uma terceira pista no aeroporto de Salvador. A medida foi anunciada após o Inema acatar a recomendação do Ministério Público Federal na Bahia (MPF-BA), que alega danos ambientais numa possível obra. Como a concessionária analisa essa questão?

JR- A recomendação do Ministério Público Federal foi apenas preventiva, já que nenhum projeto de construção de uma terceira pista foi apresentado pela Concessionária do Aeroporto de Salvador. Não há intenção ou necessidade de construir uma terceira pista no Aeroporto de Salvador no curto e médio prazo. Nós temos duas pistas – uma auxiliar que acabou de ser reformada e a principal – que atendem bem à demanda atual do Aeroporto de Salvador. Além disso, outras soluções podem ser usadas para aumentar a capacidade de pousos e decolagens sem a necessidade de construção de outra pista. Destaco que a A VINCI Airports tem uma política ambiental bastante rigorosa e todos os aeroportos que integram a sua rede atuam em conformidade com as legislações e regulamentações aplicáveis.

BE- Quais ações devem ser tomadas pelo governo do estado para que o aeroporto tenha uma movimentação de passageiros que justifique a construção de uma segunda pista?

JR- Já existe uma segunda pista no Aeroporto de Salvador, a pista 17/35, também chamada de pista auxiliar. Com comprimento superior a 1.500m ela está em operação e com condições de receber voos comerciais. A construção de uma terceira pista está condicionada a um aumento significativo no tráfego de passageiros. O aumento de tráfego aéreo é uma equação complexa, que depende de múltiplos fatores e atores. É preciso ter desde uma situação econômica favorável no País e no mundo, como atratividade do destino, share of mind, a disponibilidade de voos, entre tantos outros.

Uma das expertises da VINCI Airports é justamente a de aumento de tráfego aéreo nos aeroportos que administra. Através de pacotes de incentivos e do relacionamento com mais de 250 companhias aéreas através da sua rede de aeroportos, nosso time comercial está trabalhando intensamente para atrair novos voos. Somente este ano, inauguramos sete novas rotas, sendo cinco delas internacionais. Agora, Salvador tem voo direto para Miami, mais uma opção para Buenos Aires, para Ilha do Sal, Cidade do Panamá e para Santiago. A conexão dentro do Brasil foi ampliada através de novos voos para Goiânia e João Pessoa.

Também vemos com bons olhos os esforços por parte tanto do Governo do Estado quanto por parte da Prefeitura de Salvador para promover o destino Salvador. A exposição do destino em eventos nacionais e internacionais de turismo, a construção de dois novos centros de convenções e construção de uma intensa agenda de eventos, entre tantas outras ações, nos deixa bastante otimistas em relação ao futuro.

BE- Qual a expectativa de movimentação de passageiros nesse final de ano no aeroporto da capital? 

JR- Acreditamos que haverá um aumento de fluxo de passageiros no Aeroporto de Salvador durante a alta temporada como um todo. A partir de dezembro, contaremos com três novos destinos de temporada – Teixeira de Freitas (Bahia), Cuiabá (Mato Grosso) e Rosário (Argentina), aumento de frequência de voos regulares e rotas sazonais, como voos diretos para Porto Alegre, Curitiba, Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro (Santos Dumont). No total, 1.626 voos extras irão operar no Aeroporto de Salvador entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, o que representa um incremento de 3% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

BE- Como estão as obras de melhoria anunciadas no primeiro semestre? Qual a previsão de entrega?

JR- As obras para modernização e ampliação do Aeroporto de Salvador estão dentro do prazo estabelecido. A primeira etapa começou em abril de 2018 e estará concluída até 31 de outubro de 2019. Ela contempla 90% das intervenções que serão feitas no Aeroporto, como ampliação do Terminal de Passageiros em 20.000 m², construção de 6 novas pontes de embarque, ampliação do pátio de embarque e desembarque das aeronaves, intervenções nas duas pistas, entre outros.

Algumas das obras entregues são a reforma na pista auxiliar, construção de uma nova Estação de Tratamento de Efluentes e alteração de layout de parte dos check-ins. Atualmente, há 25 frentes de obra em atividade. Estão em curso a reforma da pista principal, a construção de um segundo píer de embarque e desembarque e a implantação de novos elevadores, por exemplo.

Já a segunda etapa será iniciada em novembro de 2019 e será concluída em outubro de 2021.

BE- Salvador tem perdido espaço no nordeste para outros aeroportos que conseguiram alguns Hubs importantes, como o da Azul. O aeroporto e o governo do estado estão trabalhando juntos para conseguir esses Hubs novamente? Como o senhor analisa esse processo?

JR- A promoção do destino é uma equação complexa, que envolve os poderes municipal e estadual, além dos operadores do trade turístico. Entendemos que somos parte desse processo e nossa diretoria comercial já desenvolveu um plano de incentivos para a taxação das operações. Além disso, o setor está trabalhando em parceria com entidades governamentais para estimular as companhias aéreas a trazer novas rotas para Salvador. O desenvolvimento do tráfego aéreo em parceria com as linhas aéreas são uma das nossas principais forças em muitos dos aeroportos que operamos mundo afora.

RICARDO ALBAN – PRESIDENTE DA FIEB
RICARDO ALBAN - PRESIDENTE DA FIEB

BE- Alban, o novo presidente do Brasil Jair Bolsonaro anunciou que vai unir três ministérios da área econômica formando um superministério. Essa medida pode prejudicar a gestão industrial do Brasil, ou vai beneficiar? Qual a posição da FIEB em relação a essa fusão?

RA- A fusão, simplesmente como fusão,não atende às necessidades da indústria, que requer um tratamento à parte, à semelhança do que acontece com o setor do agronegócio. A indústria vem perdendo participação no PIB brasileiro, nas últimas décadas, um forte indicador de que é necessária a definição de uma política setorial, capaz de criar as condições para que o empresário volte a acreditar que é possível investir sem sobressaltos.

BE- A indústria em 2018 teve um ano de muitos altos e baixos. Qualo balanço que o senhor faz desse ano para o setor?

RA- De acordo com os últimos dados disponíveis, até outubro de 2018, a indústria de transformação brasileira apresenta crescimento de 2,9% no acumulado do ano e de 3,6% em 12 meses (taxa anualizada). Esses dados devem ser analisados com cuidado, pois, embora sejam positivos, se dão sobre uma base de comparação deprimida, tendo em vista que a indústria foi o segmento mais afetado pela crise econômica, com elevadas quedas nos anos de 2014,2015 e 2016, em que acumulou uma retração da ordem de 19%. A recuperação iniciada em 2017 e em curso ainda não retorna ao nível de produção anterior. Por outro lado, a sinalização de crescimento é positiva na medida em que acreditamos que o pior já passou e iniciamos um novo ciclo de crescimento.

BE- Qual a expectativa para 2019 com uma nova gestão no Brasil?

RA- O Brasil passa por um momento histórico difícil, no qual há grandes desafios a serem enfrentados, tanto em medidas urgentes, quanto em medidas que garantam um crescimento econômico sustentado. Em 2019, certamente a economia vai continuar a crescer, pois acreditamos que o ciclo de baixa já se encerrou, no entanto, a velocidade de crescimento dependerá das medidas a serem promovidas pelo novo governo. Esperamos que sejam direcionados àmelhoria do ambiente de negócios nacional, sinalizando a todos os brasileiros que a gestão é responsável e comprometida com o setor produtivo e a estabilidade da economia.

BE- Qual a importância da reforma da Previdência para o setorem 2019?

RA- É a reforma mais urgente, pois a previdência vem comprometendo, de forma crescente, um volume grande de recursos. De acordo com recente avaliação de economistas do IPEA (Valor Econômico, 31/10), o Ministério do Planejamento projeta odéficit do Regime Geral da Previdência para 2018 em R$ 202,4 bilhões,enquanto o déficit primário total para o Governo Central é menor, R$ 150,8bilhões. Assim, há uma inequívoca necessidade de ajuste nas contas da Previdência.Ademais, o próprio modelo de sustentabilidade da previdência está em xeque, considerando o rápido envelhecimento da população. Por conta disso, há consenso de que essa reforma deverá ter prioridade em 2019. Contudo, outras reformas são de grande importância, tais como a administrativa e a tributária.

BE- Como a FIEB avalia as medidas do governo Temer para indústria/economia?

RA- Temer tomou algumas medidas importantes para a economia, como a reforma trabalhista e a PEC dos gastos. No geral, o grande mérito desse governo foi não ter deixado a economia entrar em colapso, com o avanço da inflação e do desemprego. Certamente, as condições econômicas para o próximo governo estarão melhores do que as que ele pegou quando assumiu o governo.

DAYANE PIMENTEL – DEPUTADA FEDERAL ELEITA PELO PSL
DAYANE PIMENTEL - DEPUTADA FEDERAL ELEITA PELO PSL

BE- Segundo informações da Tribuna da Bahia Bolsonaro pode colocar um político de grande expressão na Bahia no comando do PSL. Existe a possibilidade do PSL trocar de presidente na Bahia e colocar uma figura conhecida?

DP – Bolsonaro conhece todos os políticos baianos, trabalhou com muitos em Brasília e sabe do perfil de cada um. Quando eu era apenas uma cidadã comum fui a escolhida por ele para lhe representar na Bahia, agora eleita a deputada federal mais votada dessas eleições, na Bahia, uma política formada pelo próprio Bolsonaro, essa troca só existe na cabeça dos especuladores.

BE- A sua eleição como a deputada federal mais votada da Bahia foi uma surpresa visto que o estado tem em sua grande maioria apoio ao governo do estado que tem o PT no comando. A que a senhoria atribui essa votação expressiva no estado?

DP – Atribuo a Bolsonaro, que me trouxe para a política, a todos os eleitores que anseiam a mudança e a mim também, pois realizei um trabalho com muita dedicação, consegui conscientizar e entusiasmar milhares de brasileiros nesse processo de mudança política.

BE- O candidato derrotado nas últimas eleições o Irmão Lazaro afirmou que pensa em ser candidato a prefeitura de feira nas próximas eleições. Ele foi um defensor da campanha de Bolsonaro na Bahia. A senhora vai apoiar o nome de Lazaro na prefeitura de Feira ?

DP – Estou totalmente voltada para minha função (legislar). Quero ajudar Bolsonaro a consertar muitas coisas em nosso país. Analisarei, com calma, as eleições de 2020 para ofertar a minha opinião de forma que venha contribuir com o povo feirense e não com político A ou B.

BE- A rejeição de Bolsonaro no Nordeste chega a 57% segundo pesquisa datafolha. Como trabalhar essa questão no segundo turno para que ele cresça na região? 

DP – A diferença entre Bolsonaro e Haddad na Bahia já é mínima e iremos passar os petistas. Entendemos que somos a primeira opção aqui no estado. Os baianos estão com vontade de mudança e sabem que Haddad não nos representa. O Nordeste segue esse mesmo ritmo.

BE- Qual será a principal bandeira da Bahia que a senhora vai defender em Brasília?

DP – Não podemos mais priorizar determinada área entre tantas que são  essenciais. Vou trabalhar para garantir melhor Educação, mais geração de empregos, Segurança efetiva, mais dignidade na Saúde e investimentos na infraestrutura. É o mínimo que um governo pode oferecer.

BE- Como a senhora analisa a composição da câmara federal formada nas últimas eleições?

DP – Entramos, o PSL, com uma bancada extensa, renovada e com vontade de mudar o Brasil para melhor. Minhas expectativas são boas, teremos muito trabalho, claro, mas temos também muita disposição!

BE- Como a senhora analisa o segundo turno das eleições com Bolsonaro vencendo em cinco estados e Haddad no Nordeste ?

DP – Mesmo o Nordeste, região onde nosso povo vivenciou o assistencialismo perversamente, trabalhado pelos discursos imorais da esquerda, vejo que o nordestino está cada dia mais apto a discutir e fazer política de forma inovadora e consciente. Tenho certeza que o nosso amado e rico Nordeste será um marco nessas eleições, ajudando a garantir a vitória de Bolsonaro.

HENRIQUE MEIRELLES – CANDIDATO A PRESIDÊNCIA E EX-MINISTRO DA FAZENDA
HENRIQUE MEIRELLES - CANDIDATO A PRESIDÊNCIA E EX-MINISTRO DA FAZENDA

Henrique Meirelles (MDB) disse que ficará “independente” no 2.º turno da campanha entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Candidato derrotado à Presidência, ele abriu um sorriso, no entanto, quando soube que seu slogan “Chama o Meirelles” já foi transformado em “Chama o Bolsonaro”. “Podem me imitar à vontade”, afirmou o ex-ministro da Fazenda. Apesar de ter obtido apenas 1,2% dos votos, Meirelles disse que não se arrepende de nada. Seu plano, agora, é montar um canal digital para divulgar propostas para o País. Ele será uma espécie de “youtuber”.

ESP- Quem o sr. vai apoiar no segundo turno da eleição presidencial?

HM- A minha posição é de independência e de avaliação sobre o que os candidatos, de fato, pretendem fazer.

ESP- Com qual programa econômico o sr. se identifica mais?

HM- Depende de saber qual é. O programa do Haddad é o que está no plano de governo do PT ou o que foi o Lula no primeiro mandato? Se for o Lula 1, foi um bom governo do ponto de vista econômico. Se for o que foi a Dilma, é péssimo, um desastre. Do lado do Bolsonaro, se for o que está dito pelos economistas liberais, é um bom plano. Agora, se for produto mais direto do que o candidato tem dito, algumas vezes com conteúdo estatizante, aí é mais questionável.

ESP- Isso quer dizer que, dependendo do programa, o sr. pode ir para um lado ou outro?

HM- Como estamos em pleno curso da campanha do segundo turno, considero mais provável que isso só fique claro depois das eleições.

ESP- O publicitário Elsinho Mouco, que colaborou com sua campanha, lançou o slogan “Chama o Bolsonaro”. Como o sr. viu isso?

HM- Ótimo. Podem me imitar à vontade. Fico honrado.

ESP- Seria ministro novamente?

HM- Decisão não é como peru que morre na véspera. Dependendo de quem for eleito, se esse alguém me convidar para alguma coisa, vou analisar qual é o programa e a proposta.

ESP- Haddad disse que, se eleito, não terá um banqueiro no governo.

HM- É o embate político dele com Bolsonaro, por causa do Paulo Guedes (guru econômico do candidato do PSL).

ESP- O sr. parece ter gostado da política. Disputaria outra eleição?

HM- No momento, não tenho esses planos. A minha primeira medida concreta será a criação de um canal digital no qual vamos veicular conteúdos, com uma série de especialistas de diversas áreas para falar com todo esse público. Nas pesquisas que fiz, saí com boa imagem da eleição. Isso, de fato, me dá uma possibilidade muito grande de influenciar o debate.

ESP- E o que faltou para o voto?

HM- Vivemos um momento muito peculiar em que houve uma polarização muito grande. Houve um movimento de grande preocupação com segurança e aumento do sentimento de indignação. Houve um tsunami em direção aos extremos. Na minha campanha, eu disse com clareza: “Posso perder o seu voto, mas espero ganhar o seu respeito”. Isso eu consegui. Agora, talvez a verdade não tenha ganho voto.

ESP- Foi a Operação Lava Jato que influenciou esse quadro?

HM- Várias coisas influenciaram. Em primeiro lugar, a renda per capita, durante essa crise, caiu 9%. É brutal isso. Ao mesmo tempo, tivemos inflação alta, o que gerou um sentimento de revolta. Depois, tivemos todos esses episódios de denúncias. A eleição foi muito impulsionada pela indignação. Eu fiz até uma peça de propaganda, mostrando um motorista de ônibus dirigindo com venda nos olhos. Dizia o seguinte: “Não vote cego pela indignação, use a indignação para votar certo”.

ESP- Mas por que o sr. foi abandonado pelo MDB na campanha?

HM- Não me senti abandonado. Tive apoio muito grande das principais lideranças regionais.

ESP- Os candidatos têm como cumprir o que estão prometendo, como a capitalização da Previdência e o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda?

HM- Não há dúvida de que o regime de capitalização cria um problema. O maior problema de fazer isso é o grande déficit dos já aposentados. Se todos os que vão contribuir para o futuro deixam de pagar o custo dos aposentados que não têm a capitalização, esse recurso vai sair de onde? A Lei da Responsabilidade Fiscal obriga a definir fonte de recursos.

ESP- Qual a primeira medida que o futuro presidente deve tomar na área econômica?

HM- Promover o equilíbrio fiscal. É insustentável a presente situação. Precisamos ter um programa de eliminação do déficit primário num espaço de tempo realista, de três anos. E o equilíbrio fiscal passa pela reforma da Previdência. Não adianta tentar fazer mágica. São duas reformas fundamentais, a da Previdência e a tributária. Depois, há toda aquela série de medidas para aumentar a produtividade da economia. Segurança, educação e saúde vêm como consequência.

ESP- O sr. se arrepende de ter gasto tanto dinheiro (R$ 53,2 milhões) na campanha?

HM- Não me arrependo de nada.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

GUILHERME AFIF DOMINGOS – PRESIDENTE DO SEBRAE
GUILHERME AFIF DOMINGOS - PRESIDENTE DO SEBRAE

ESP – Candidatos ao Palácio do Planalto têm falado em revisão do Sistema S (que inclui nove instituições, entre elas Sebrae, Senai, Sesi e Sesc).

GD – Não são os candidatos, são os economistas. Persio Arida, da candidatura Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Guedes, de Jair Bolsonaro (PSL), Marcos Lisboa (citado por ele como um possível colaborador de Fernando Haddad, do PT)… Eles são economistas com a visão financeira. Querem mexer na contribuição ao Sistema S e mexer no Simples. Falam, mentirosamente, que o Simples é uma renúncia tributária.

ESP- Mas está nos dados oficiais da Receita o valor da renúncia.

GD – É uma premissa falsa a de que o Simples tem o maior limite (de adesão) do mundo. Nos outros países, o ambiente de negócios não é hostil. Não é esse massacre que nós temos. A empresa fora do Simples não sobrevive ao manicômio tributário. O que se tem é uma pressão de voracidade fiscal total.

ESP- Há uma pressão para reduzir os repasses do Sistema e mudar o Simples.

GD – Diante dessa realidade, vai ter uma bruta mobilização nossa, porque temos uma rede no Brasil inteiro para defender o nosso objeto, que é o Simples. Vamos nos armar com unhas e dentes. Para nós, o Simples é nossa linha de defesa. Se eles apresentarem um sistema tributário fantástico vamos rever o Simples, criar condições para o crescimento dentro do regime único. Temos de sentar à mesa, não posso adiantar. Ainda depende de um debate grande.

ESP- O que o Sebrae propõe para o Simples?

GD – Conseguimos travar um limite de R$ 3,6 milhões de faturamento anual para o ICMS e de R$ 4,8 milhões para os tributos da Receita. A ideia é juntar tudo num limite de R$ 4,8 milhões.

ESP- O sr. quer subir mais? O Brasil vai virar um país de micro e pequenas empresas?

GD – Já é. Nós somos 98% dos empregos e das empresas.

ESP- Depois da MP que retirou recursos do Sebrae para os museus, o sr. tem dito que o Sebrae é diferente do Sistema S. Por quê?

GD – O Sebrae é genericamente colocado como sistema S. Mas o sistema S foi originado de federações sindicais. O Sebrae foi criado como serviço social autônomo à semelhança do sistema das entidades sindicais, mas ele é excêntrico. Os demais têm uma administração vertical, sindical. O Sebrae não é assim.

ESP- Onde o sr. quer chegar?

GD- Vou direto ao ponto. A caixa preta é a administração de recursos do imposto sindical, protegido pela Constituição.

ESP- O sr. está falando das demais entidades do Sistema S?

GD – Das demais. Às vezes, misturava a conta do Sistema S com sindicato. Por isso, os trabalhadores estão bravos, porque cortaram o imposto sindical. Os sindicatos dizem ‘vocês cortaram nossa contribuição sindical’, mas eles continuam tendo acesso e gestão no Sistema S porque eles têm taxa de administração de sistema. E esses recursos do sindicato não têm auditoria por proteção constitucional. O Sebrae é inteirinho auditado pelo Tribunal de Contas, a CGU (Controladoria-Geral da União).

ESP- As demais entidades argumentam que também são auditadas.

GD – O Sistema S. O sindicato (patronal) não. E na hora que passa uma taxa de administração para o sindicato ele não responde. Não tem auditoria de sindicato. O Sebrae tem todas as auditorias.

ESP – Ter auditoria não significa ser transparente…

GD – É transparente. Está tudo no portal. Temos, sim, recursos, mas fazemos provisão. Temos R$ 2,4 bilhões no mercado financeiro e R$ 850 milhões para o fundo de aval e que garante cerca de R$ 5 bilhões em operações. E tem R$ 600 milhões de compromisso orçamentário para atender o governo, porque, com o teto de gastos, a Receita Federal ficou sem dinheiro para desenvolver projetos. São R$ 200 milhões para desenvolver a nota fiscal eletrônica para municípios, o E-Social. E mais R$ 400 milhões para o Turismo nos próximos quatro anos. Também temos de ter 20% em tesouraria, como reserva.

As entrevista foi realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

 

CLAUDIO TINOCO – SECRETÁRIO DE CULTURA DO MUNICÍPIO DE SALVADOR
CLAUDIO TINOCO - SECRETÁRIO DE CULTURA DO MUNICÍPIO DE SALVADOR

BE- Qual a expectativa para o crescimento da movimentação financeira do turismo com a construção do novo centro de convenções?

CT- A nossa expectativa é de recuperar pelo menos algo em torno de R$ 700 milhões, por ano, com a realização de eventos que voltarão a acontecer na cidade, principalmente na área de negócios. Salvador já perdeu R$ 2 bilhões, segundo o trade turístico, após ter o antigo Centro de Convenções, administrado pelo governo do estado, fechado.

BE – A aquisição da área para construção do centro foi alvo de um processo judicial. Existe a possibilidade da justiça reaver a área para a iniciativa privada? 

CT- Não trabalhamos com essa hipótese, sobretudo depois da decisão do Presidente do Tribunal de Justiça, que derrubou a liminar concedida em primeira instância e autorizou a contratação e início imediato das obras de construção do Centro de Convenções de Salvador, que estão a pleno vapor.

BE – A secretaria já tem algum evento programado para o novo centro. Como está esse processo?

CT- A Secretaria, juntamente com a Salvador Destination, vem trabalhando fortemente para a atrair eventos, congressos, feiras e convenções de médio e grande portes, através das entidades nacionais e internacionais promotoras. Já temos 12 congressos nacionais apalavrados e mais 18 com a possibilidade de confirmação a partir de 2020. Esse trabalho de atração de eventos vai ser intensificado a partir da contratação da empresa gestora do CCS, que deverá ocorrer no início do próximo ano.

BE – O trade turístico tem reclamado muito da falta de divulgação do governo do estado. Segundo o trade, durante a novela segundo sol da rede globo era preciso que se tivesse uma inserção maior de vídeo na TV e rádio em outros estados para convidar as pessoas para virem para cá. Como o secretario avalia esse processo?  

CT- Concordo com a falta de promoção eficiente e de melhor resultado da Bahia. Simplesmente participar de feiras de turismo não é mais suficiente para projetar o destino Bahia. É preciso investir inteligentemente na ativação de outras formas de promoção, principalmente através do marketing digital. A novela mostra claramente que Salvador concentra boa parte dos atrativos e ícones do patrimônio e da cultura baiana e isso deve ser reconhecido pelo governo. Mas não vamos ficar nos lamentando. Hoje, a Prefeitura tem um planejamento bem estruturado e possui ferramentas e orçamento próprios para investir na promoção de Salvador.

BE – Quais as novidades que a Secult vai trazer para o turismo durante o verão?

 CT- Estamos finalizando e vamos lançar nos próximos dias duas webséries – Cozinha Raiz e Salvador Fashion Race, respectivamente, de gastronomia e moda, que serão reproduzidas no canal oficial de Salvador no YouTube (youtube.com/salvador). Na Casa Salvador, vamos intensificar o projeto Nosso Som de fomento a novos talentos da música e o projeto Trip dos youtubers, com os influenciadores digitais visitando a cidade e dando sua visão dos nossos atrativos. Teremos uma programação especial para a Casa do Carnaval, com um novo lançamento a cada mês. E vamos ter uma nova edição do Pelourinho Dia & Noite para aquecer a programação cultural do Centro Histórico.