ARMANDO AVENA:E OS PROJETOS DE GOVERNO?
ARMANDO AVENA:E OS PROJETOS DE GOVERNO?

Faltando cerca de 3 meses para a eleição presidencial, a disputa começa a se afunilar em torno de 6 candidatos. Jair Bolsonaro e o candidato do PT, provavelmente Fernando Haddad ou Jaques Wagner, polarizam os extremos do espectro eleitoral, enquanto 4 candidatos –  Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alkmin e Álvaro Dias – tentam ocupar os espaços de centro mais ou menos à esquerda  ou à direita. O mais interessante é que, apesar de praticamente definidos, os candidatos ainda não deram forma as suas ideias e cada um diz o que quer na imprensa e de acordo com a plateia e o interesse de cada um. A verdade é que, diferente de outros países onde o programa é que faz o candidato, no Brasil só há candidatos e nenhum programa.

Nenhum candidato explicita sua política de segurança pública, num país que a cada ano bate recordes em números de homicídios. Nenhum candidato diz com clareza qual será sua política com relação ao sistema previdenciário, quando se sabe que este será um tema inescapável. Tampouco se fala explicitamente sobre privatizações, desigualdades sociais, habitação, bolsa família e por aí vai. Faltando 3 meses para a disputa presidencial, os brasileiros não conhecem as propostas de governo dos candidatos.

Um exemplo é a questão das disparidades regionais e a pobreza da região Nordeste. Qual o projeto de desenvolvimento que os candidatos vão apresentar para estimular o desenvolvimento social e econômico da região mais pobre do país. É urgente que essa resposta seja dada.  Os candidatos à presidente precisam dizer se e como vão estimular a indústria regional e necessitam definir se haverá algum tipo de prioridade quando o assunto for infraestrutura, rodoviária, portuária e ferroviária. Em relação ao turismo, os candidatos precisam dizer se vão continuar centralizando voos e operações no Sudeste ou se vão estabelecer uma política de céus abertos para a região, estabelecendo um mercado livre para a indústria aérea, desvinculando-a dos acordos bilaterais e acordos específicos, de modo que toda e qualquer empresa área internacional que queira estabelecer uma rota saindo do Nordeste possa ser comtemplada.

E como será a política relativa ao Bolsa Família, projeto indispensável para a região, mas que precisa ter o componente emprego atrelado cada vez mais aos benefícios/ O fato é que os brasileiros estão começando a se perguntar: cadê o programa de governo? E os temas listados aqui são apenas alguns dos que precisam ser objeto de manifestação formal dos candidatos. A hora dos arroubos e das intenções acabou e, já agora, depois da Copa, os candidatos a presidente do Brasil precisam apresentar seus programas de governo e as fontes de onde virão os recursos para viabiliza-los.

                            O PROJETO DE OTTO E O CARTEL DOS POSTOS

Em toda parte, quando o preço de um produto cai, as vendas aumentam e todos ganham, tanto vendedores quantos compradores. E foi com essa intenção que o Senador Otto Alencar conseguiu aprovar no Senado um projeto que permite aos produtores de etanol entregar seu produto diretamente aos postos, aumentando a competição e consequentemente baixando os preços. Mas no Brasil é diferente, aqui é o único país do mundo onde o dono de posto não quer que o preço do combustível caia.  O Sindicato dos Combustíveis da Bahia, por exemplo  é contra a medida, argumentando que a venda direta do produto poderia aumentar a sonegação prejudicando aqueles postos que pagam seus impostos. Ou seja, o sindicato prefere que o preços fiquem altos para ajudar o governo a combater a sonegação, sob a alegação de que se muitos fornecedores não pagarem impostos, os que pagarem  serão prejudicados.

Ora, sonegação é problema do governo, não do sindicato, e se fosse motivo para centralizar a distribuição dos produtos, o Brasil seria um imenso cartel. E aí está a verdade,  a oferta direta de etanol aos postos vai aumentar a competitividade e acabar com o cartel dos postos e das distribuidoras. O projeto do Senador Otto Alencar vai nessa linha e foi aprovado no Senado, mas  terá de passar pela Câmara de Deputados e aí o lobby dos atravessadores e dos cartéis vai atuar. Mas, felizmente, já há juízes concedendo liminar para que usinas  comercializem etanol hidratado diretamente aos postos de combustíveis, sem a necessidade da intermediação de distribuidoras.

                                     O DETERMINISMO DE ELSIMAR

O nosso Elsimar Coutinho deu uma bela entrevista a Mario Kertész esta semana na Rádio Metrópole e resgatou uma tese defendida no distante século XVI.  Como bom polemista, Elsimar defendeu a tese de que o clima é o determinante para o desenvolvimento dos povos. E disse que um povo como o nosso, nascido nos trópicos, é afeito a festa e ao sexo, jamais a pesquisa, que estaria concentrada nos povos dos clima frios, que muitos consideram os povos construtores de civilizações. Essa tese do determinismo climático é a parte ruim dos escritos de Montesquieu, filósofo no século 16, que tornou-se universal por sua obra “O Espírito das Leis”.

Montesquieu, que mais tarde reviu suas ideias climáticas,  dizia que há 3 tipos de povos:  o povo do norte, brutal e impetuoso, mas casto e pudico; o povo do Sul, como os brasileiros, que seriam “lúbricos e astuciosos”, dados ao sexo, ao prazer e as ciência ocultas; e o povo do clima temperado, “menos vigoroso que o Norte” além de ser “mais razoável que o do Sul e não sofrer com a monogamia”. Montesquieu, que também acreditava na influencia dos ventos, argumentava que o ar frio restringe as fibras do corpo, aumentando-lhe a força, e o ar quente agia ao contrário, como se isso explicasse alguma coisa.

Não vamos esquecer que os gregos, que adoram praia, sexo e festas criaram a civilização e não estão exatamente no centro da frieza nórdica e que as grandes civilizações dos Maias e dos Astecas foram erigidas nos trópicos com grandes avanços tecnológicos.  Isso sem falar  em Portugal e Espanha com grande parte do território submetido ao clima árido e que dominaram o planeta sendo responsáveis pelas pesquisas que levaram a descoberta do Novo Mundo. Na verdade, são fatores sociais, religiosos, históricos, econômicos e políticos que definem o destino das nações. O determinismo climático é difícil de ser defendido, mas quem ouviu a entrevista percebeu que a oratória de Elsimar é brilhante, mesmo defendendo uma tese ruim.

                                                A REAÇÃO DE LÍDICE

 A forma como o PSB e a senadora Lídice da Matta reagiram ao anúncio de que ela não irá participar da chapa majoritária com a qual o governador Rui Costa vai concorrer à reeleição extrapolou o limite da convivência entre aliados. Ao afirmar peremptoriamente que não vai apoiar o candidato ao Senado, Angelo Coronel, atual Presidente da Assembleia Legislativa, Lídice e o PSB colocam uma cunha na coligação governamental e levantam uma questão: os candidatos à deputado federal do PSB, que farão parte do chapão do governo, vão recomendar o voto nulo em um dos senadores ou sairão pelo interior apoiando formal ou informalmente outro candidato? Sair candidata avulsa parece pouco provável, pois inviabilizaria o chapão de deputados, mas se isso acontecer Rui ainda continuará aceitando o apoio da senadora, mesmo contra a candidatura de Coronel? A resposta, qualquer que seja ela, não é boa para o PSD, nem para a solidez da chapa majoritária. Ao que parece, o PSB, o governo e o PSD precisam fazer urgentemente uma DR, e discutir a relação, para que não haja divórcio no meio da eleição.

                                                      AS  FAKE NEWS E A POLÍTICA

 Em véspera de eleição  e num momento  em que as fake news se multiplicam,  o leitor deve lembrar sempre de Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha do século XIX, que vaticinava: “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”.

ANA PAULA:REFORMA TRABALHISTA: O QUE OCORREU SEIS MESES DEPOIS?
ANA PAULA:REFORMA TRABALHISTA: O QUE OCORREU SEIS MESES DEPOIS?

Passados seis meses da reforma trabalhista, o cenário ainda é de insegurança, principalmente por conta dos inúmeros questionamentos, ações discutindo a constitucionalidade de alguns pontos e até mesmo contradições entre a CLT e as Convenções Coletivas. Apesar desse cenário, algumas mudanças já podem ser notadas.

O ponto mais debatido como consequência da reforma é a redução do número de ações trabalhistas. De fato, a diminuição foi significativa (houve uma queda de 45% no número de novos processos), principalmente se consideramos que muitos “correram” para ajuizar ações um pouco antes da reforma passar a valer, o que acentuou ainda mais a queda de novos processos. Enquanto uns comemoram a redução sob a justificativa de que isso reflete uma maior flexibilização, outros criticam tais dados como consequência de óbices ao acesso à justiça.

O fato é que a reforma trabalhista – felizmente – desestimulou pedidos “aventureiros”. Antes, o empregado podia propor uma ação fazendo qualquer tipo de pedido e, no máximo, deixaria de ganhar. Era uma espécie de loteria e muitas vezes havia uma tentativa de enriquecimento sem causa. Agora, caso a parte perca em relação a determinado pedido, terá que pagar honorários sucumbenciais, o que, sem dúvidas, implica numa maior consciência na hora de formular os pedidos.

Ainda é necessário um período de adaptação, com a consolidação da jurisprudência. A nova lei gerou muitas dúvidas e continuará gerando, até que existam posicionamentos mais uniformes dos tribunais. A prática e o tempo irão aprimorar ainda mais a nova lei e os entendimentos sobre ela. A expectativa é que o objetivo de aproximar e possibilitar uma maior negociação possa ser incorporado à mentalidade das partes da relação de emprego e dos aplicadores do Direito do Trabalho.

 

Ana Paula Studart

ADARY OLIVEIRA – O ÉTICO E O LEGAL NAS EMPRESAS
ADARY OLIVEIRA - O ÉTICO E O LEGAL NAS EMPRESAS

 

A sobrevivência das empresas requer sintonia com o ambiente externo em busca permanente de atualização dos conhecimentos (tecnologias, inovações), dos hábitos comportamentais dos consumidores (moda, padrões, desejos, humanização, valores culturais e pessoais) e das tendências mundiais (globalização, internacionalização). Contudo, não se pode deixar de adotar condutas que não sejam consideradas éticas e legais, fugindo daquelas tidas como nem éticas nem legais, como também das que sejam éticas, porém não legais e vice-versa.

A responsabilidade principal de uma empresa, do ponto de vista econômico, é o de produzir bens e serviços desejados pela sociedade. Isso sem deixar de ter lucros para atender às expectativas dos sócios, de ter condições de pagar bons salários aos empregados e de proporcionar ganhos aos demais colaboradores. Tal responsabilidade não exclui os encargos legais definidos pela coletividade através de leis e regras comportamentais. Muito menos pode deixar de considerar a necessidade de adotar condutas éticas não cobertas por lei, mesmo quando elas contrariam aos interesses econômicos da empresa. Nada impede também que a corporação seja conduzida pela vontade de desenvolver atividades sociais não requeridas pela lei e pela ética.

A inclusão de demandas sociais da comunidade em seus planos e realizações, muitas vezes esbarra em limites impostos pela própria empresa. Ela pode não querer se complicar com o assunto por motivos políticos, pretextos nocivos à sociedade como um todo, por não identificar precisamente os interesses envolvidos, ou ainda, por excederem seus limites orçamentários.

Com o passar do tempo a organização constrói sua cultura seguindo orientação de seus principais protagonistas, estabelecendo seus ritos peculiares e assimilando seus princípios de ética. A empresa aos poucos vai identificando quais comportamentos são certos ou errados na formatação de seus valores e definição dos códigos éticos.

Os pontos de maior sensibilidade estão relacionados com a obtenção do lucro, a maneira de fazer justiça ou no enfrentamento das competições. A obtenção do lucro é fundamental e imprescindível para a sobrevivência da empresa, mas não deve ser um fator por si só justificável. A prática da justiça é indispensável no campo da ética. A competição deve estar respalda na competência de sua realização. A definição de metas, o conhecimento dos concorrentes e o cumprimento dos objetivos globais da companhia são fatores basilares. Práticas de adulteração, blefe, falsificação, fraude, corrupção, não podem ser incluídas nos manuais de uma empresa digna e merecedora de aprovação pela sociedade.

Dizem que o ladrão começa a roubar escondido. Com algum tempo ele se acostuma e passa a praticar suas desonestidades à vista de todos. Aí vem a polícia e o prende. A sociedade brasileira está vivendo um momento de transição, passando de uma situação onde o exercício da corrupção, da fraude e da propina passou a ser considerado uma coisa normal, para uma de ficha limpa. O desgaste e os prejuízos se estabeleceram de forma crescente para toda a sociedade. Agora que se passa a buscar correção, com paralização de empresas, aplicação de penalidades, prisão dos responsáveis e demissão de um cem número de técnicos e colaboradores, vive-se momentos de grande angústia.

Deve-se ter o cuidado, ao se procurar corrigir tudo de uma só vez, não se ir ao limite de curar a doença matando o paciente. Não se deve simplesmente perdoar os culpados, mas é importante salvar as empresas. Elas perderam muitos de seus valores e, em algumas atividades, como as das empreiteiras, enfrentam o declínio de conhecimentos no campo da engenharia, por exemplo. Embora difícil, é possível a reconstrução praticando-se condutas éticas e legais.

 

Adary Oliveira

Presidente da Associação Comercial da Bahia –

adary347@gmail.com

ARMANDO AVENA :40 ANOS DO POLO:HORA DE SE REINVENTAR
ARMANDO AVENA :40 ANOS DO POLO:HORA DE SE REINVENTAR

O Polo Industrial de Camaçari completa 40 anos no próximo dia 29 e é um orgulho de toda Bahia. É um dos maiores e mais diversificados distritos industriais do mundo e tem perspectivas de crescimento no futuro. Mas para que isso se concretize é urgente que, junto com as comemorações, o Polo enfrente seus desafios, pois se não o fizer continuará a perder competitividade,  afetando toda a economia baiana. Para continuar a perder competitividade, o polo precisa investir em 4 pontos, conforme atestam vários diagnósticos disponíveis: infraestrutura, adensamento da cadeia de produção, redução de custos e tecnologia. Em relação à infraestrutura, a questão rodoviária foi equacionada, mas a questão ferroviária e principalmente portuária se arrasta há anos sem que haja solução à vista.

O Porto de Aratu, principal porto de escoamento do polo e da Bahia,  é o mesmo de 20 anos atrás, com seus terminais de granéis sólidos, gasosos e líquidos e suas estruturas de acesso, aquaviária, rodoviária, ferroviária e dutoviária demandando modernização urgente. Nesses 20 anos, Pernambuco construiu um porto novo, o Porto de Pecém, que hoje é o maior do Nordeste, enquanto na Bahia entra governo e sai governo e nosso maior porto beira a obsolescência. O outro desafio é a lentidão no adensamento das cadeias produtivas do Polo, dificultada pela logística quase obsoleta, mas também pela  distância aos mercados e aos fornecedores.

Infelizmente, na Bahia não há política industrial de longo prazo, apenas ações pontuais. Algumas dessas ações representaram avanços importantes – a exemplo da atração do Complexo Acrílico da Basf e da criação da cadeia de produção de equipamentos de energia eólica –, mas carecem de continuidade e planejamento. A cadeia acrílica atraiu apenas uma empresa de porte,  a Kimberly-Clark, e a cadeia eólica tem problemas para equacionar seus cronogramas por conta das características dos leilões que ampliam áreas para exploração.

A verdade é que  falta política industrial e sobram apostas erradas. O adensamento da cadeia automobilística, por exemplo, cuja  promessa de construção de novas fábricas – como a  JAC Motors e a Foton – consumiu milhões em incentivos e arrastou-se durante quase 10 anos, sem que uma pedra fosse levantada. Em tempo muito menor, Pernambuco implantou a Fiat Chrysler, uma das empresas mais modernas do mundo.  Na área petroquímica, a tão esperada construção da fábrica da alemã Styrolution, tampouco vingou e os problemas da Fafen são conhecidos. São apenas alguns exemplos, mas o fato é que, 40 anos após sua implantção, o polo continua sendo palco de turismo molecular, ou seja, insumos produzidos aqui que viajam para São Paulo e voltam como produto final, gerando emprego lá.

Nas comemorações dos 40 anos, será anunciado mais um infalível plano de adensamento da cadeia produtiva, que novamente ficará no papel. Infelizmente, no mundo moderno, não são estudos acadêmicos, nem burocratas e suas longíssimas viagens ao exterior que atraem investimentos. Isso se faz com empresas especializadas em juntar interesses empresariais comuns, tendo o governo como catalisador. A verdade  é que, no que se refere a logística e adensamento de cadeias, o Polo Industrial de Camaçari tem pouco o que comemorar.

E, como se não bastasse, o preço do gás natural e os custos com energia elétrica ainda são muito altos e reduzem a competitividade do distrito. Há alguns avanços: as práticas sustentáveis com relação ao reuso de água e exploração de águas subterrâneas e a redução de custos com a matriz energética estão se ampliando. E na área de inovação e tecnologia, a construção do novo Cimatec Industrial acende uma luz no campeonato da modernização. Mas o Polo precisa muito mais, precisa se reinventar e encarar o desafio da modernidade

                                                     O FUTURO DE LÍDICE

O caminho que a senadora Lídice da Matta vai tomar nas próximas eleições tornou-se a grande incógnita nesta fase de composição das chapas. Já se sabe que ela não terá lugar na chapa do governador Rui Costa e que, dificilmente, romperia com o governo para sair candidata na chapa da oposição. Então, sobrariam duas alternativas: a suplência de senador na vaga de Jaques Wagner ou a candidatura a deputado federal.

A primeira hipótese tira Lídice do cenário político nacional, a não ser que o candidato do PT ou um seu aliado ganhe a presidência e chame Wagner para a sua equipe. Na segunda, como será muito difícil o PSB eleger 3 deputados –  Marcelo Nilo, Bebeto Galvão e a própria Lídice – um deles teria de ir para o sacrifício da suplência. A hipótese da senadora optar por uma terceira via, se vingasse a aliança entre Ciro Gomes e o PSB poderia também ser avaliada, mas traz riscos. Resta então as compensações que o governo Rui Costa poderá dar, ou a garantia de eleição dos 3 deputados.

                                                     O PLANSERV E A AMB

A AMB – Associação Baiana de Medicina e 12 Sociedades de Especialidades Médicas encaminharam carta a Coordenadora do Planserv , Cristina Cardoso, com cópia para o Governador Rui Costa e para o Ministério Público afirmando que a política de “teto máximo orçamentário” nas despesas mensais adotada pelo plano estaria limitando os serviços médicos prestados e comprometendo a qualidade do atendimento médico. A carta, assinada pelo Presidente da AMB, Robson de Freitas Moura, foi divulgada com exclusividade pelo portal Bahia Econômica e diz textualmente: “A restrição do número de consultas, exames complementares e cirurgias impostas pelo plano tem o potencial de trazer transtornos à população e compromete a qualidade da assistência prestada”.

O Planserv emitiu nota a respeito e  defendeu a política de “teto máximo orçamentário”,  como forma de preservar o equilíbrio e a saúde financeira do Plano,  contestando a carta enviada pela AMB que alega que a política está diminuindo a qualidade do serviço. A questão precisa ser melhor analisada afinal, se é correto estabelecer controles ao plano, não é trivial a manifestação contrária à política adotada pelo Planserv por uma associação do porte da AMB, apoiada por 12 sociedades de especialidades médicas, especialmente quando são constantes as reclamações dos servidores em relação à dificuldade de marcar consultas e até de realizar exames.

                                              O PLANSERV E OS CUSTOS

O grande problema do sistema de cotas implantado pelo Planserv, pois é esse o nome adequado, é que  simplesmente passou para cada credenciado, cada clínica ou hospital, a função de reduzir os atendimentos, estabelecendo  um limite de faturamento mensal pré-estabelecido, quando o  correto seria implantar um sistema de auditagem por amostragem que avaliasse a efetiva necessidade dos atendimentos, evitando cortar de forma linear. O Planserv é uma conquista do servidor público e não pode estar sujeito a sistemas de controles de custos típicos de supermercados e de lojas de material de construção e que não levam em conta a necessidade dos servidores, até porque o plano tem a grande vantagem de ter inadimplência zero.

MARCELO GENTIL: COMPLIANCE: UMA AGENDA IRREVERSÍVEL
MARCELO GENTIL: COMPLIANCE:  UMA AGENDA IRREVERSÍVEL

 

 

Existe um consenso nas grandes companhias brasileiras que a agenda da conformidade é imperiosa e irreversível, especialmente a partir do que o mundo vem evoluindo na questão do combate à corrupção e do custo desta na competitividade dos negócios. No Brasil, o tema chegou com força a partir da Lei 12.846/13 e do Decreto 8420/15, que respectivamente dispõe e regulamenta sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, além de outras providências.

Com o objetivo de traçar um amplo diagnóstico sobre o tema, o Instituto Aberje de Pesquisa (DATABERJE), braço de pesquisas da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), acaba de concluir o trabalho “Panorama sobre Complaince nas Organizações: contexto, conceito, estratégias e práticas comunicacionais”. Participaram do estudo 62 organizações brasileiras ou multinacionais, de todos os segmentos de negócio, a maioria (58%) com capital de origem brasileira. O estudo, com coleta de dados realizada entre 9 de março e 9 de abril de 2018, buscou identificar a preocupação e o investimento em gestão e comunicação ligados a compliance (ética e transparência) como pontos orgânicos na estratégia de negócios e de relacionamento.

De acordo com o levantamento, 91% das empresas participantes possuem programa de compliance, estando os mesmos formalizados e publicados por 98% delas. Em suas políticas, regulamentos ou normas, as questões mais abrangidas pelos programas foram: código de ética e conduta, compliance do fornecedor, conflitos de interesse, suborno/corrupção, vazamento de informações privilegiadas, integridade de compras, assédio no local de trabalho, privacidade e confidencialidade dos dados, fraude e integridade financeira, relacionamento com funcionários do governo e patrocínios (culturais, sociais e/ou esportivos). Também foram citados, porém em menor escala, concorrência justa/antitruste, lavagem de dinheiro, contratos com o governo e práticas comerciais justas.

O DATABERJE apurou também que 85% das organizações que possuem programa de compliance tem uma área formal estruturada para conduzir as questões relacionadas e, em sua maioria (80%), as áreas estão posicionadas nos mais elevados níveis da estrutura organizacional. Os comitês formais de conformidade estão presentes em 79% das organizações, com prevalecimento das áreas Jurídica e de Recursos Humanos, mas também com participação de profissionais de Auditoria Interna, Comunicação Corporativa e Finanças.

Entre os aspectos mais desafiadores do programa de compliance estão os relacionados aos terceiros, consequentemente a área percebida como potencial risco para as organizações é justamente o compliance do fornecedor.A quase totalidade das organizações pesquisadas (96%) mantém canais seguros para receber reclamações e denúncias relativas à potenciais violações do programa de compliance e são utilizados tanto para denúncias internas quanto externas.

O estudo revela que a sistemática de reconhecer os colaboradores em relação à prática dos valores éticos ainda é pouco utilizada pelas empresas participantes. Apenas 21% mantém programas de reconhecimento dos seus funcionários. Por outro lado, a principal medida adotada em caso de má conduta é a demissão do colaborador envolvido.

A necessidade de treinar colaboradores tem merecido atenção especial das empresas e é hoje quase uma unanimidade entre elas, já que mais de 90% realizaram treinamento para as questões relacionadas ao compliance. Por sua vez, as métricas mais utilizadas para avaliar a eficácia encontram-se no volume de chamadas para os canais de denúncia (71%), a análise dos resultados da auditoria interna (60%) e os dados de treinamento (60%).

Para os próximos 12 meses, as empresas dizem que ainda existe um esforço para tornar os programas de compliance parte integrante da cultura organizacional, permeando, de fato, toda a empresa. O estudo do DATABERJE foi coordenado pelos pesquisadores Carlos Ramello e Gise Souza. A realização foi feita pela DMR Consulting, com concepção e planejamento de Paulo Nassar, diretor Presidente da Aberje e professor da ECA-USP, e por Hamilton dos Santos, diretor Geral da Aberje.

Nos próximos dias os associados da Aberje conhecerão o estudo completo. Com a publicação da pesquisa, a Aberje fortalece sua visão de ser um think tank de referência global em comunicação e relacionamento. Para mais informações, acesse www.aberje.com.br

 

Marcelo Gentil é diretor do Capítulo Bahia da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). E-mail: marcelogentilrp@hotmail.com

JULIANA PIMENTEL: COPA DO MUNDO:DESPERTAR DE SENTIMENTOS
JULIANA PIMENTEL: COPA DO MUNDO:DESPERTAR DE SENTIMENTOS

Assunto infindável para narrativas de Nelson Rodrigues, estudos sociológicos, pesquisas antropológicas e muito pano para manga para discussões em mesas de bar, a Copa do Mundo foi, é e sempre será, assunto que rende inúmeras reflexões. Há mais ou menos 15 dias, o Datafolha realizou uma pesquisa sobre o interesse dos brasileiros no Mundial deste ano e o resultado surpreendeu: 53% dos brasileiros entrevistados afirmaram desinteresse na Copa.

No entanto, no último domingo durante o jogo, ficou evidente que agora, com a estreia da seleção, esse tal desinteresse não é tão grande assim. Seja no barulho das vuvuzelas pelas ruas, nas bandeiras penduradas nas sacadas, nos rostos pintados de verde e amarelo ou, até mesmo, nos “memes” das redes sociais, algo é perceptível: não tem como ser indiferente à Copa do Mundo.

 A fraqueza da economia e o período de ressaca da greve dos caminhoneiros tiveram influencia direta em tais pesquisas. As pessoas continuam indignadas com a situação do país e, para alguns, fugir para o exterior continua sendo a “única solução” para os problemas da burguesia. Contudo, o que parece é que os ânimos ficam extasiados quando se tira a camisa verde e amarela do armário, logo ela, que, até pouco tempo, envolvia cálculos políticos consideráveis para ser vestida.

O desinteresse evidenciado nas pesquisas não deixa de ser um alerta estridente das crises de representação vividas pela população brasileira. Muito além do memorável e desastroso 7×1 do último Mundial, está o descontentamento político, que traz consigo frustrações ideológicas e sociais de um povo que se encontra desamparado em ano de eleição.

Por outro lado, a movimentação do último domingo é mais uma expressão de um sentimento que talvez nem Freud possa explicar. Por mais que a popularidade não esteja no seu auge e que o empate não tenha alavancado a empolgação da torcida, é evidente que os sentimentos de pertencimento e união começam a demonstrar, mesmo que timidamente, as suas facetas.

O despertar desses sentimentos poderá ser facilmente identificado em mesas de bar, salas de estar, pelas ruas… Pode ser que, esse momento seja algo positivo para uma nação que, depois de logo período, passará, de certa forma, a se enxergar “unida” por um motivo em comum. Pode ser que, durante esse mês o binarismo ideológico simplista entre direita e esquerda seja atenuado pela consciência de que o que se busca é um país melhor para todos. Ou, pode ser que, essa utopia não passe apenas de uma ilusão gerada pela atmosfera criada durante esse mês atípico. Enquanto não chegamos a essas conclusões, seguimos nos envolvendo com sensações que parecem despertar de um sono profundo após quatro anos.

 

JULIANA PIMENTEL

JOSÉ MACIEL : EMBRAPA PRECISA REDEFINIR O SEU ESPAÇO
JOSÉ MACIEL : EMBRAPA  PRECISA REDEFINIR O SEU ESPAÇO

A  edição da revista  EXAME, de 30 de maio deste ano, traz uma matéria relevante na qual ressalta o indiscutível sucesso e importância da pesquisa  da EMBRAPA para a agricultura brasileira, mas salienta que o contexto presente é marcado pelo orçamento apertado destinado à estatal, por disputas internas e forte concorrência do setor privado exercida por empresas de sementes e biotecnologia , que vêm obtendo variedades de plantas, principalmente soja, milho e algodão. Esta última  particularidade não é exclusividade brasileira, mas ocorre em escala mundial, com empresas se concentrando na base de aquisições, fusões e  incorporações, absorvendo simultaneamente as funções de pesquisa, distribuição de sementes (sobretudo transgênicas) e produção de agroquímicos e defensivos.
No aspecto orçamentário, a empresa vem  recebendo aportes pouco acima de  3 bilhões de reais anuais,mas,  além de sucessivos contingenciamentos, o quadro de funcionários foi ampliado nos últimos anos  em mais de 1000 pessoas, totalizando mais de 9.700 pessoas atualmente. O gasto com pessoal é elevado, mais de 80% do total, sobrando pouco para investimentos.
Embora não esteja saindo da pesquisa  nas áreas mais lucrativas, nas quais o setor privado vem crescentemente se interessando, a empresa parece disposta a não investir os recursos escassos em proporção  relevante nessas áreas.
Nesse sentido, é preciso redefinir o foco da EMBRAPA e da pesquisa pública, e aqui penamos que os estados devem atuar em caráter suplementar, a despeito da escassez de recursos e  da desativação ou extinção de  estatais de pesquisa estaduais constatadas recentemente , inclusive na Bahia, com a extinção da EBDA.
Uma das áreas  de atuação recente da estatal federal e que desperta pouco interesse da iniciativa privada  é a de Melhoramento Genético Preventivo (MGP),  o qual, em linhas  gerais, consiste no desenvolvimento  antecipado de plantas resistentes à pragas e doenças de alto risco para a nossa agricultura , mas que aqui ainda não chegaram. Identificadas as fontes de  resistência nos bancos de germoplasma (a Bahia tem ou tinha um banco interessante  na área de fruticultura em Conceição do Almeida que poderia ser conservado e ter serventia ao Programa aludido), são feitos os cruzamentos genéticos  para incorporação de resistência pelas nossas variedades comerciais, e depois os híbridos obtidos são testados no exterior, onde tais pragas e doenças já ocorrem. Quando estas chegarem ao País, já teremos  as variedades resistentes prontas para serem multiplicados comercialmente, minimizando os prejuízos potenciais.
Uma experiência de pesquisa preventiva no Brasil foi realizada com sucesso no caso da ferrugem do café, que aqui chegou por volta de 1970. O Instituto Agronômico de Campinas, autor da iniciativa, conseguiu reduzir consideravelmente o impacto  da ferrugem nos nossos cafezais, principal pauta de exportação daquela época. Existem vários outros exemplos de atuação possível da pesquisa federal e estadual que podem ser incorporados daqui por diante.
JOSE MACIEL DOS SANTOS
Consultor legislativo e doutor em Economia pela USP.
PANORAMA DO MERCADO: RISCO ALTO
PANORAMA DO MERCADO: RISCO ALTO

Tivemos a quinta semana seguida de desvalorização na bolsa brasileira, a desconfiança continua tomando conta do mercado, levando o Ibovespa a uma queda de -3,59%.

No Brasil, o cenário político está em evidência, a situação do presidente Temer está cada vez mais difícil e para agravar a situação novas denuncias estão sendo levantadas contra ele. No cenário económico, a volatilidade do juros futuro mostra como o mercado está sem a capacidade de antecipar qual será o futuro do Selic, o Banco Central vem encontrado dificuldade de restabelecer a credibilidade e tem mantido uma atuação fortemente no câmbio para amenizar a alta da moeda americana.

No EUA, o Banco Central elevou a taxa de juros em 0,25% e sinalizou que devem ocorrer mais quatro aumentos ainda esse ano, esse posicionamento tem colaborado para alta do dólar diante das principais moedas internacionais. Na Europa, o BCE anunciou que deve encerrar o programa de recompra de títulos, responsável pelo aumento da liquidez no mercado em dezembro, mas manteve a taxa de juros em 0,25% e taxa de depósito em -0,40%, além de sinalizar que as mesmas devem ficar inalteradas até meados de 2019. Essa ação colaborou para que Euro se desvalorizasse fortemente perante o dólar, pois o mercado está interpretando que o pacote de estímulos da Europa está longo, mas não tem conseguido gerar os impactos necessário para promover o crescimento econômico, o que é um risco em potencial para os países da Zona do Euro.

Nas próximas semanas, o mercado deve permanecer atento a “guerra” comercial que o EUA vem traçando com a China e outros países, além da atuação do Banco Central. Por enquanto a economia americana tem conseguido se manter forte, trabalhando em pleno emprego. No Brasil, o destaque deve se manter na esfera política, tanto a governabilidade do Governo Temer, quanto o avanço da campanha eleitoral.

Momento do Mercado

Durante a semana, a importante zona de suporte entre 72,4 e 70,8 mil pontos (faixa azul no gráfico) foi perdida, mas os compradores atuaram, fazendo com que os preços terminassem o período dentro desse patamar, o que sugere um repique nos próximos pregões. Ainda assim, o cenário continua bastante arriscado e o movimento só voltará a ficar favorável, caso uma nova tendência de alta seja formada. Contudo, vale lembrar que quanto maior o risco, maior o retorno, aqueles se aventurarem podem ter grandes ganhos ou perdas.

Caso a zona de suporte seja realmente respeitada, o próximo objetivo estará nos 77 mil pontos.

Caso o suporte esteja perdido, o próximo objetivo estará nos 69 mil pontos.

LUCAS LEAL

ARMANDO AVENA: COPA, POLÍTICA E ECONOMIA
ARMANDO AVENA: COPA, POLÍTICA E ECONOMIA

 A Copa do Mundo já começou e neste domingo o Brasil entra em campo com a torcida de  milhões de brasileiros. É um momento especial, afinal a sangrenta briga política que tomou conta das redes sociais poderá ter um alívio já que serão poucos aqueles que torcerão contra a seleção. Antigamente se dizia que o futebol e a Copa serviam para alienar o povo e influenciavam no resultado das eleições e a ditadura militar até que tentou usar este expediente. Mas, atualmente, com o crescente nível de informação da população,  a influência é zero na política e pequena na economia. 

Engana-se quem pensa que uma vitória ou uma derrota do Brasil terá efeitos nas eleições de outubro, pois a história diz o contrário. Em 1994, o Brasil foi tetracampeão, mas quem elegeu Fernando Henrique foi o Plano Real, que acabou com a inflação. Em 2002, o Brasil foi pentacampeão, mas isso não ajudou o governo Fernando Henrique, cujo partido foi derrotado pela oposição, que fez de Lula presidente.  Em suma: não importa se o Brasil vai ganhar ou perder a Copa, quem vai influenciar o processo eleitoral  serão outros fatores, a exemplo da  operação Lava-Jato, da situação econômica do país, da ojeriza dos brasileiros aos políticos tradicionais, da luta entre a esquerda e a direita e por aí vai.

Já em termos econômicos, o efeito da Copa também será pontual, focado em alguns poucos setores, mas sem maior impacto na economia como um todo. O setor de eletroeletrônicos, por exemplo, tanto o varejo quanto a indústria, foi estimulado e estima-se um crescimento de mais 10%, na venda de televisores, em função da Copa e em relação ao ano passado. A venda de televisores puxa a de outros produtos da chamada linha “marrom”, que inclui sons e similares e todo esse setor da indústria e do comércio se beneficiará com o evento. Por outro lado, a venda de itens relacionados com a temática da Copa, como camisas, bandeiras, adesivos e outros, deve estimular parcela do comércio, tanto formal quanto informal, assim como deve crescer o consumo de bebidas. Bares e restaurantes também devem se beneficiar, especialmente nos jogos do Brasil.

No mais, pouco vai ficar da Copa do Mundo de 2018, tanto em termos políticos, quanto em termos econômicos. No entanto, é bom lembrar que o time de Tite parece mais honesto que os políticos brasileiros e mais entrosado do que nossa combalida economia, por isso pode ser que a seleção ganhe o caneco e os brasileiros, que tão pouco tem a comemorar em política e em economia, tragam para casa o título de hexacampeão. Por isso, só resta dizer: “vumbora”Brasil!

                                                     O PIB E O PESSIMISMO

O Brasil é o país do entusiasmo. Por isso, quando as coisas vão bem ele sonha alto e as vezes tão alto que a decepção é inevitável.  É o caso das previsões sobre o PIB de 2018. Quando a economia reagiu, saindo da recessão, o entusiasmo foi tanto que  analistas e economistas, inclusive este escriba, apressaram-se em prever um crescimento exponencial do PIB,  de no mínimo 3%. Agora, que parece que este patamar não será alcançado, o pessimismo se instalou e já há quem diga que o PIB pode crescer menos de 2%. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. O Brasil saiu de uma recessão de mais de 7% em dois anos e cresceu 1% em 2017. Assim, se crescer 2% em 2018, o dobro do ano passado, o resultado será excelente. Mas, para a tristeza dos pessimistas, a economia vai crescer mais que isso e por um motivo simples. Como no 1o trimestre de 2018, o crescimento do PIB foi de 1,2%, basta que nos próximos trimestres o crescimento seja de apenas 0,3% em média para que a economia cresça 2%. Em suma, 2018 vai ser um ano de crescimento e o mercado produtivo vai crescer. Quanto ao mercado financeiro, especialmente a bolsa e o dólar, esse vai oscilar até que situação eleitoral fique mais clara.

                                           CIRO, RUI E O PDT DA BAHIA

É dado como certo que o PT não vai apoiar o ex-governador Ciro Gomes no primeiro turno da eleição para Presidente da República, embora acene com essa possibilidade no segundo turno. Essa posição desestrutura a campanha de Ciro na Bahia, afinal o ex-governador do Ceará precisa, antes de tudo,  chegar ao segundo turno e não pode ficar sem palanque no 4o maior colégio eleitoral do Brasil. A hipótese do governador Rui Costa abrir o palanque para Ciro no primeiro turno está descartada, a não ser que ele abra dissidência com o PT, que vai ter candidato apoiado por Lula. Nesse cenário, não se sabe como vai se posicionar o PDT da Bahia, que apoia a chapa de Rui, que, por sua vez, não vai poder dar palanque a Ciro. Há quem ache, por outro lado,  que o PDT da Bahia está saindo no prejuízo na aliança com o governador Rui Costa.  Afinal quem possui em seus quadros o principal candidato à Presidência da República no âmbito da centro esquerda – aquele com maior chance de enfrentar Jair Bolsonaro no segundo turno –, deveria ter lugar na chapa majoritária do governo ou pelo menos a garantia de que Rui Costa terá um palanque duplo nas eleições. Nesse imbróglio, cresce a chance do PDT buscar alianças junto ao DEM e aí a política na Bahia vai virar um samba do crioulo doido.

                                                          CIRO NO 2 DE JULHO

Não se sabe como vai ficar o PDT na Bahia, mas já se sabe que Ciro Gomes vai participar do desfile de 2 julho e que não vai desfilar na comitiva do governador Rui Costa. O Presidente do PDT da Bahia, deputado Felix Mendonça, disse ao portal Bahia Econômica que Ciro vai estar na comitiva do PDT em espaço próprio do partido, ressalvando que isso não impede um eventual encontro com a comitiva do governador.                   

                                             BAHIA: CUSTO DA VIOLÊNCIA É 12 BI

  O Fórum Brasileiro de Segurança Pública calcula em 5% do PIB o custo da violência, incluindo aí os custos de segurança e do sistema público de saúde e a perda de vidas produtivas. Adotando esse parâmetro, o custo da violência na Bahia, pago por todos os baianos, chega a R$ 12 bilhões. E se for incluído no cálculo, danos materiais, gastos com seguros, despesas judiciais e carcerárias, o montante é bem maior.  No Brasil, segundo o jornal Valor Econômico, o custo da violência chega a R$ 284 bilhões.    

                                              COPA DO MUNDO E ELEIÇÕES

 Na Copa do Mundo e nas eleições para presidente e governador é impossível saber o resultado antes do final do jogo. Por isso, não se deve menosprezar o adversário, nem entrar em campo achando que já ganhou. A Rússia, por exemplo, estava desacreditada e, no entanto, abriu a Copa ganhando de 5 a 0 e com uma atuação impecável. É verdade que o adversário era fraco, mas, de repente, o time desacreditado da Rússia tornou-se um dos favoritos. Arrogância e salto alto também são pouco recomendáveis em disputas acirradas como essas. Nunca é demais lembrar: em Copa do Mundo  e eleição o jogo só acaba quando termina.

                                                 

ADARY OLIVEIRA – ACB, RIACHUELO E MONUMENTOS
ADARY OLIVEIRA - ACB, RIACHUELO E MONUMENTOS

Os empresários da Associação Comercial da Bahia (ACB) e os militares do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil exaltaram a passagem dos 153 anos da Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865 durante a Guerra do Paraguai, com cerimônia celebrada na Praça Riachuelo, no Bairro do Comércio, em Salvador. O ritual promovido por marinheiros e empresários foi repetido pela 144ª vez reavivando na memória dos baianos esse importante feito heroico. Riachuelo é considerada pelos historiadores a batalha mais importante da Guerra do Paraguai pela ação bravia dos brasileiros, que usando a força, barraram os desejos expansionistas de governantes do país vizinho. Estes já haviam perpetrado invasões nos territórios do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e a façanha militar carrega também o significado político da garantia do território nacional, afastando, daí para a frente, qualquer cobiça de prática invasora.

A Província da Bahia esteve presente na Guerra do Paraguai e a maioria dos heróis da Batalha do Riachuelo eram baianos. Por esse motivo os empresários da ACB, fundada em 1811 e, portanto, a mais antiga instituição empresarial das Américas, em homenagem aos seus heróis, ergueu o Monumento Riachuelo na praça que leva seu nome. A pedra fundamental foi colocada no dia 27 de março de 1872 pelo Imperador Dom Pedro II e o Monumento foi inaugurado em 23 de novembro de 1874, apenas 9 anos decorridos da Batalha.

A escultura tem 23 metros de altura e na sua parte superior ostenta a estátua do Anjo da Vitória. Tem estilo neoclássico e projeto do artista baiano João Francisco Lopes Rodrigues, um professor da Academia de Belas Artes da Bahia. Foi construído em mármore, bronze e ferro fundido e traz em sua coluna central a relação das batalhas da Guerra do Paraguai. Há um grande medalhão de bronze colocado no seu pedestal onde estão esculpidas as armas do Império.

A Praça fica situada em frente ao Palácio da Associação Comercial da Bahia um belo monumento arquitetônico que se caracteriza pela beleza e harmonia de suas linhas e por muitos considerados um monumento de arte sem paralelo em toda a América. Ele foi erguido por D. Marcos Noronha e Brito, VIII Conde dos Arcos de Val-de-Vez, último vice-rei do Brasil, que governou a Bahia de 30 de setembro de 1810 a 26 de janeiro de 1818. O Palácio foi palco de muitas homenagens prestadas pelos empresários da Bahia a personalidades famosas de nossa história, como o banquete oferecido ao Imperador D. Pedro II em 17 de novembro de 1859, ao jurista Ruy Barbosa no dia 12 de abril de 1919 e ao Presidente Washington Luis em 16 de agosto de 1926. Foi também o anfiteatro da solenidade ocorrida em 10 de fevereiro de 1871, quando o poeta Castro Alves recitou em público pela última vez.

O Palácio da ACB tem recebido visitas do público de todo o mundo, principalmente dos turistas que chegam nos navios que atracam no Porto de Salvador. Por esses dias, os visitantes, além de conhecerem as obras de arte do palácio, poderão apreciar, e até adquirir, produções do escultor baiano Mário Cravo Júnior, de propriedade da MCR Galeria de Artes e da coleção de fotografias de Carol Dantas, expostas no Salão Nobre do Palácio.

O Palácio da ACB e a Praça Riachuelo não são apenas dois ambientes onde se reverencia os heróis da Guerra do Paraguai, recepciona figuras ilustres e expõe esculturas e fotografias de artistas. Ele também abriga uma associação declarada de utilidade pública, considerada órgão técnico e consultivo do poder público e tem como objetivos orientar seus associados e os empresários, defendendo seus interesses comuns e os da comunidade em geral.

Por não demais, é sempre bom lembrar de acontecimentos do passado para se aferir o valor real das virtudes que se tem no presente, e das projeções passíveis de serem feitas para o futuro.

 

 

Adary Oliveira

 Presidente da Associação Comercial da Bahia

e-mail:adary347@gmail.com