ARMANDO AVENA –  UMA LAVA-JATO PARA OS BANCOS
ARMANDO AVENA -  UMA LAVA-JATO PARA OS BANCOS

Os bancos são os verdadeiros donos do Brasil e um dos responsáveis pela demora na retomada do crescimento econômico. Em nenhum país do mundo, o lucro bancário é tão alto e só aqui as empresas do setor financeiro lucram mais que as maiores empresas do setor produtivo. Em 2017, por exemplo, o Itaú lucrou 24,9 bilhões de reais e o Bradesco 19,1 bilhões, enquanto a Vale, uma das maiores empresas do mundo, que atua em dezenas de setores, lucrou R$ 17,9 bilhões.

O mais grave, porém, é que o sistema bancário está impedindo a retomada mais rápida do crescimento econômico, pois está travando o mercado de consumo e o mercado de investimento, com a manutenção de juros altíssimos, mesmo com a taxa de juros básica, a Selic, em queda livre. Isso ocorre porque o sistema bancário no Brasil é um oligopólio, composto por quatro grandes bancos –  Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Banco do Brasil – que formam uma espécie de cartel, formal ou informal, que impede a queda da taxa de juros e do spread mesmo quando a taxa de juros básica do país está desabando.

Esses quatro bancos são responsáveis por 80% do crédito concedido e, mantendo juros altíssimos, inibem o crédito para o consumo e para o investimento. Existe alguma explicação razoável, por exemplo, para a taxa de juros do cartão de crédito chegar a mais de 300% ao ano, quando a inadimplência está em queda e a taxa Selic abaixo de 7%? Existe alguma explicação razoável para que o banco pague ao investidor uma rentabilidade de 0,5% ou menos ao mês e cobre juros 10 vezes maiores nas operações de empréstimo? Existe e a explicação é simples: o Estado brasileiro foi capturado pelos bancos.

As tarifas por serviços prestados, por exemplo, são altíssimas e a taxa de manutenção de uma conta pode chegar a R$ 100,00 ao mês, a transferência interbancária, que se faz com um clique, custa cerca de R$ 10,00, a anuidade de um cartão chega a R$ 600,00 e isso sem falar em outras taxas tipo manutenção de cadastro, consulta de crédito e por aí vai. Como explicar o spread bancário que faz com que o banco capte recursos a 6% ao ano e que empreste esse valor com juros 30 vezes maiores? O spread  compõe-se da inadimplência que vem caindo e não atinge 10% do total; do custo dos serviços, que é pago pelas taxas cobradas aos clientes; dos impostos que não passam de 20% do total;  do depósito compulsório, que representa apenas 4%; e o restante do spread – mais de 50% – representa o superlucro bancário.

No Brasil, os bancos capturaram o Estado e isso aconteceu pela falta de concorrência e pela subserviência do governo federal que depende deles para rolar sua imensa dívida pública. O sistema bancário brasileiro precisa ser alvo de uma operação Lava-Jato, uma investigação completa por parte do Ministério Público sobre os parâmetros e métodos utilizados por esse setor que submeteu a economia brasileira.

                                    O METRÔ MELHORA A QUALIDADE DE VIDA

Com a inauguração da estação do metrô do Aeroporto, Salvador concluiu a primeira parte de um sistema eficiente de transporte público que tem efeitos diretos na melhoria da qualidade de vida e grande impacto econômico. Mobilidade urbana é um dos principais itens nos rankings de qualidade de vida e o impacto de uma estrutura de transporte metroviária, cuja previsão é transportar 500 mil pessoas até o final deste ano, vai elevar essa qualidade em vários bairros da cidade.

Além disso, o metrô de Salvador mostrou-se um sistema de transporte de massa eficiente e autossustentável e gradualmente isso vai impactar a economia. A existência de um sistema de transporte desse porte abre novas áreas de ocupação imobiliária na cidade, cria espaços comerciais novos e reestrutura a malha urbana da cidade. Ao chegar ao aeroporto, a linha metroviária estabelece impacto direto no turismo e nos serviços interligando vários espaços da cidade ao terminal e ampliando a conturbação urbana e comercial entre Lauro de Freitas e Salvador,  abrindo a possibilidade de construção de mais uma estação, o que estabeleceria uma integração completa entre as duas cidades.

Por outro lado, a inauguração da estação do metrô no Aeroporto marca o fim da dependência da quarta maior cidade do país ao transporte de ônibus, status que se consolidará com o avanço do sistema até Cajazeiras, anunciado pelo governador Rui Costa, com a construção do BRT, ligando o Iguatemi a Lapa, cujas obras já foram iniciadas, e do VLT do subúrbio. A conclusão do metrô de Salvador é uma maneira de melhorar a  qualidade de vida da população da cidade e de ampliar a integração social da cidade, ao tempo em que abre novos espaços de desenvolvimento econômico.

                             CINCO ANOS DA ARENA FONTE NOVA

Ao completar 5 anos de operação já é possível ter uma ideia do papel Arena Fonte Nova em uma cidade como Salvador, cuja vocação é o turismo e a economia criativa. Nesse período, a Arena mostrou seu caráter multiuso e cerca de 40% dos eventos realizados em 2017 foram não-esportivos, atraindo um público de 1,1 milhão de pessoas em shows diversificados como os de Ivete Sangalo, Elton John e Paul McCartney e feiras como a Campus Party Bahia 2017, entre outros.

Eventos desse tipo impulsionam o comércio formal e informal e os serviços de todo tipo.  O show de Paul McCartney, por exemplo, elevou a taxa de ocupação media dos hotéis para 90% e a movimentação financeira global foi estimada em cerca R$ 40 milhões. Mas não se pode esquecer o futebol, responsável por 60% do público que foi a Arena nesses cinco anos e isso deve ser estimulado. O retorno para cidade veio da dinamização do comércio e dos serviços, do incremento no turismo e da geração de empregos temporários e permanentes, gerados direta ou indiretamente, e que foi estimado nos 5 anos em cerca de 200 mil pessoas.

                                                                                        O FUTURO DE LÍDICE

A senadora Lídice da Matta não é afeita a mudanças políticas bruscas. Por isso, mesmo se for alijada da chapa do governador Rui Costa – que está praticamente delineada tendo João Leão como candidato a vice-governador e o Presidente da Assembleia Legislativa, Angelo Coronel, como candidato ao Senado –  tudo indica que ela deve candidatar-se a deputada federal, negociando uma maior participação do seu partido, o PSB, no governo.

O problema é que seu partido provavelmente vai ter um forte candidato à Presidência, o ex-ministro Joaquim Barbosa e aí tudo muda de figura. Com Barbosa disputando a presidência, Lídice vai ficar cheia de alternativas: pode formar uma chapa majoritária,disputando o governo ou o senado para assim dar palanque ao candidato do PSB na Bahia; pode tentar um voo solo para senador e, se conseguir algum tipo de acordo entre Rui Costa e Joaquim Barbosa, tornar-se muito competitiva, competindo com as candidaturas ao Senado da chapa do governo;  ou, o que mais provável, passar ao largo da candidatura de Barbosa e aceitar o papel de coadjuvante na chapa do governo.

ARMANDO AVENA – A DECISÃO NETO
ARMANDO AVENA - A DECISÃO NETO

 

Converso com o Prefeito ACM Neto sobre sua decisão de não disputar a eleição para o governo do Estado. De maneira franca, o Prefeito afirma que precisou decidir entre um projeto de poder pessoal e partidário e o compromisso com o povo de Salvador e optou pela cidade e pela população que o elegeu. A campanha para sua reeleição em 2016, quando obteve 74% dos votos, mesmo com seus adversários afirmando que ele renunciaria em 1 ano e 3 meses para ser candidato a governador, foi determinante nessa decisão.

Ali, segundo ele, consolidou-se o compromisso com a cidade, no momento em que recebeu o aval da população ao trabalho que vinha realizando. Assim, quando a questão da candidatura se impôs, ele percebeu que para ser governador precisava do apoio de 417 municípios, mas para poder sair candidato precisaria do apoio de apenas um: Salvador. E as pesquisas, qualitativas e quantitativas, mostravam que a população da capital queria que ele permanecesse no cargo. Uma dessas pesquisas apontou que 63% dos soteropolitanos preferiam que ele continuasse a frente da Prefeitura.

Segundo o Prefeito, nesse momento ficou muito claro que se ele completasse o mandato para o qual foi eleito cumpriria sua palavra e deixaria um legado, entrando para a história como o prefeito que em 8 anos transformou Salvador. Ao contrário, se optasse pela renúncia seria sempre lembrado por ela, fosse qual fosse o resultado. “Quem tem tempo não tem pressa”, afirma o Prefeito, lembrando que aos 39 anos poderia construir outros projetos no futuro sem ter de responder pelo resto da vida por uma renúncia, especialmente quando havia na população de Salvador uma preferência pela continuidade.

Nesse momento, Neto assume que tem um projeto político mais estruturado e de longo prazo, com a perspectiva de construir um projeto nacional, e que por isso não poderia errar, e a renúncia, independente do resultado das eleições, poderia ser um erro muito maior do que não completar seu mandato e concluir o trabalho que vem realizando. Indago sobre que legado ele pretende deixar para Salvador e o Prefeito se entusiasma e diz que deixa um o legado imaterial de ter resgatado a autoestima da cidade e o respeito que Salvador passou a ter no âmbito nacional. E também um legado material, de um lado porque a Prefeitura de Salvador, que vivia na inadimplência e na insolvência, restabeleceu sua saúde financeira, pode tomar empréstimos nacionais e internacionais e hoje é a capital brasileira que mais investe com recursos próprios. E de outro um legado de obras com projetos da grandeza do Hospital Municipal, do Centro de Convenções, de obras viárias transformadoras, reforma da orla, inauguração de uma escola por semana e muitas outras obras.

As razões de Neto parecem fortes e dão base à sua decisão, mas indago se a possibilidade de perder as eleições e ficar sem mandato e o fato de não ter viabilizado uma aliança ampla com outros partidos não pesaram na sua escolha. ACM Neto diz que não, que nunca teve receio do resultado das eleições, não só porque poderia sair vencedor, já que nas pesquisas realizadas por ele apareceria na frente do governador Rui Costa, mas também porque se perdesse seguiria ocupando a Presidência do DEM, um cargo relevante num partido que está crescendo e que terá papel de destaque nas eleições.  ACM Neto diz que a questão das alianças não foi determinante, pois o quadro politico já lhe dava condições para ser competitivo no processo eleitoral, e já tinha quase o mesmo tempo de televisão que o governador e uma quantidade de partidos coligados superior, tendo a liderança eleitoral em Salvador e um quadro equilibrado no interior.

O Prefeito ACM Neto afirma que contrariou a logica dos políticos brasileiros, na qual o projeto de poder sempre se sobrepõe aos interesses da população, e com isso diferenciou-se da prática política tradicional. E critica o ex-prefeito João Dória que se elegeu dizendo que não era político, que prometeu não deixar o cargo e não querer a reeleição, mas que, com pouco mais de 1 ano mandato, deixou a Prefeitura agindo como um politico tradicional. Neto diz que fez o oposto de Dória e que mesmo tendo condições favoráveis para disputar a eleição preferiu contrariar a lógica tradicional da política, pois quer fazer política de modo diferente: “Eu apostei no futuro, apostei no longo prazo”. E concluiu afirmando:  “os políticos precisam entender que na política moderna as suas decisões devem ser focadas no que pensa o povo e não no que pensa a política, pois sem isso não será possível mudar a política no Brasil”.

                                  O DESENHO DA POLÍTICA NACIONAL

O prefeito ACM Neto considera que a eleição para Presidente da República vai afunilar em torno de três tendências políticas: um candidato de esquerda, Jair Bolsonaro, no âmbito da direita, e um candidato do centro democrático, ao qual ele estará alinhado. Afirma que a ausência de Lula enfraquece a esquerda e que sua transferência de votos será pequena, pois uma coisa é Lula nos palanques fazendo politica e outra é ele preso e fora da mídia.

Diz que num eventual segundo turno, se Bolsonaro ficar de fora, seu eleitor nunca votaria num candidato da esquerda, beneficiando o centro. E lembra uma pesquisa recente na qual 68% dos entrevistados indicaram um desejo de mudança em relação ao quadro político atual, contra 31%. Por isso, Neto acha que o cenário nacional vai favorecer o seu grupo político, diz que vai trabalhar dia e noite pelo seu candidato e prega a unidade das oposições em torno do nome do ex-prefeito de Feira, José Ronaldo.

                                                RESPOSTA DO PLANSERV

Em relação ao comentário publicado nesta coluna, a direção do Planserv enviou nota com uma série de informações para esclarecer o assunto. Segundo a nota, não existe uma “política de cotas” no atendimento, mas um limite de faturamento mensal de cada credenciado e isso não teria como objetivo restringir o acesso ao atendimento, mas garantir a sustentabilidade do plano. A nota não diz, mas fontes do governo afirmam que existe um lobby fortíssimo por parte de associações de clínicas e hospitais no sentido de ampliar desmesuradamente os atendimentos de modo a elevar os lucros e que o controle é para garantir a solvência e sustentabilidade do plano.

Afirma a nota que a empresa Qaulirede foi contratada para implantar serviços de apoio operacional, aprimorando a gestão, e que já implantou, entre outros sistemas, uma Central de Atendimento de 24 horas e um aplicativo para celular já disponível. Reconhece que o sistema dispõe de apenas 3 emergência pediátricas, mas que isso ocorre porque não houve pedido de credenciamento por outros prestadores de serviços e que o sistema esta aberto a novos credenciamentos. O Planserv tem 500 mil associados e é o maior plano de saúde do Norte e Nordeste.

A PROPÓSITO DA FISCALIZAÇÃO E INSPEÇÃO SANITÁRIA NA AGROPECUÁRIA
A PROPÓSITO DA FISCALIZAÇÃO E INSPEÇÃO SANITÁRIA  NA AGROPECUÁRIA

 

No início de março último, o mercado de carnes se defrontou com novo sobressalto,  agora referido à chamada Operação Trapaça , da Polícia Federal, que busca investigar supostas irregularidades na emissão de laudos relativos à possível presença de salmonella em certas amostras de carnes, sobretudo carne de aves, com possível envolvimento de alguns laboratórios e indústria de carnes. Uma das empresas investigadas é a BRF, gigante brasileira do setor de alimentos. Alguns  funcionários e/ou executivos foram afastados por determinação judicial. Convicto das melhorias e controles introduzidos na inspeção sanitária nacional após a Operação Carne Fraca, O Ministro Blairo Maggi, da Agricultura,  foi até Bru xelas  na semana passada tentar convencer   o bloco europeu  a suspender um  embar go imposto a um  pequeno número de unidades  produtoras  no Brasil, mas as negociações  não estavam fáceis.

No particular, é preciso adotar com urgência medidas para fechar eventuais brechas  de fraudes na inspeção sanitária brasileira, sob pena de permitir a eclosão de novas crises de “confiança” nos mercados, e, no caso em exame, dificultar mais ainda as negociações para  o avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, por conta de posições protecionistas de países como a França e a Irlanda. Qualquer vacilo nosso pode ser argumento valioso para esses dois países criarem embaraços às negociações entre os dois blocos.

Longe de pretendermos esgotar o assunto nessas breves linhas, faz-se necessário adotar algumas premissas para melhorar nossa inspeção de produtos agropecuários: não circunscrever a política setorial de defesa, fiscalização e inspeção ao setor exportador, bem como não restringir a ação de governo ao segmento pecuário e da industrialização de carnes, embora este seja o foco das preocupações das autoridades no momento.

No primeiro caso, temos, por exemplo, importações de amêndoas de cacau, de frutas de clima temperado e de trigo. Por motivos óbvios, os dois primeiros exemplos merecem cuidados da política oficial para evitar sobretudo a internalização de pragas e doenças que não temos por aqui, bem como para proteger o nosso consumidor interno de produtos cuja sanidade possam deixar a desejar. Impõe-se aqui  , por exemplo, a adoção da fiscalização  na “origem”, ou seja, nos países que exportam para nós. Lembremos que já tivemos carga de cacau no porto de Ilhéus com insetos vivos. Nos polos nacionais produtores e exportações de frutas tropicas é comum a vinda de missões do governo norte-americano para averiguar aspectos sanitários das frutas que exportamos para eles. Isso era feito no cacau, mas no momento as informações que nos chegam não parecem confirmar a presença da sistemática ora proposta.

Com relação às exportações , consideramos ser imprescindível estender  com maior ênfase as ações de fiscalização e inspeção sanitária a um grupo maior de cadeias produtivas, além, claro, do chamado Complexo “‘Carnes”.

No caso das carnes e de modo geral, defendemos que o Fiscal Agropecuário deve ser incluído no universo da Carreiras Típicas de Estado, a exemplo do caso de Auditores Fiscais da Receita Federal. Nada obstante, talvez tenhamos de evoluir para a contratação ou credenciamento, em caráter suplementar e/ou temporário, de veterinários, agrônomos e outras profissões afins pra complementar o quadro de fiscais efetivos. Estes devem ser bem treinados e terem suas funções coordenadas e supervisionadas pelos funcionários de carreira.É   uma ideia contida em matéria da revista Exame de   21  de março último, e que precisa de reflexão e amadurecimento.

Teremos ainda que incluir no rol de instrumentos de nossa fiscalização tecnologias digitais , certificações, rastreabilidade  e outras, que melhorem a inspeção e reduzam as brechas para fraudes. A fiscalização nos frigoríficos, por exemplo, talvez não precise da presença permanente de fiscais, mas há que se adotar enfoques como “fiscalizações surpresa”, claro  , sem aviso prévio, e presença de canais para possíveis denúncias  de irregularidades nas quais o sigilo da fonte seja preservado, dentre outros. Exemplos de experiências, como Austrália, EUA, Uruguai e outros países devem ser estudadas para incorporarmos aquilo que possa ser útil para o nosso caso.  Enfim, independente do modelo que viermos a ad otar, temos que agir rápido  e não quando  os “incêndios dos mercados” ocorrerem.

 

José Maciel dos  Santos Filho

Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP

jose.macielsantos@hotmail.com

A LIBERDADE DE IR E VIR
A LIBERDADE DE IR E VIR

 

 

Eu frequentava o curso de graduação na UFBA quando eclodiu o movimento militar de 31 de março de 1964. As primeiras informações chegaram pelo rádio quando eu estava com outros estudantes no restaurante no Corredor da Vitória ouvindo o noticiário. O serviço de som foi ligado e os oradores se sucediam condenado um possível golpe militar, ainda não bem claro. Antes da meia noite, quando só estavam no sitio os residentes da R1, os militares do exército invadiram o local e prenderam todos, sem exceção, levando-os para o 19BC no Cabula. Neste momento eu tinha me deslocado para a R2, no Largo da Vitoria, onde residia. Fui avisado pelos colegas moradores das repúblicas de estudantes próximas. Todos corremos e não esperamos a chegada dos militares, felizmente.

Dai em diante foram dias e mais dias, semanas e mais semanas horríveis. Não podíamos nos reunir com amigos e colegas em lugares públicos. Aparecia logo um militar armado com um fuzil ordenando: circulando, circulando, circulando. Éramos vigiados em todos os lugares e andávamos sempre sobressaltados. Foi difícil concluir o curso de graduação e o primeiro emprego foi obtido após ser submetido a duras investigações sobre a vida pessoal. Quem viveu naquele tempo valorizou muito o restabelecimento da democracia e o estado de direito conquistado 21 anos depois.

Atualmente, quando assisto às manifestações populares de grupos, organizados ou não, defendendo seus privilégios e chamando atenção para o que acham certo e condenando ações do governo que lhes tiram direitos, sinto-me reconfortado por viver momentos de liberdade. Contudo, não sinto o mesmo fascínio quando vejo alguns poucos, por suposta defesa de seus interesses, invadirem o que é de posse de outros. Lembro-me dos apavorantes tempos duros da ditadura militar.

Hoje (13/04) fui entrevistado por uma jornalista que queria saber qual o prejuízo sofrido pelos comerciantes de Salvador quando as vias públicas da região do Iguatemi foram bloqueadas por pequenos grupos de manifestantes que pararam grande parte da metrópole. Respondi que isso era de pouca relevância diante dos transtornos provocados na vida da cidade. Não só os lojistas deixaram de ser visitados por potenciais consumidores, mas também muitas crianças não puderam chegar às escolas no horário das aulas e não retornaram para suas casas como de costume. Os enfermos que buscavam laboratórios, clínicas médicas e hospitais, em busca de cuidados médicos para seus problemas de saúde, bem como as pessoas que iam aos estabelecimentos bancários solucionar suas obrigações financeiras, ou as pessoas que se dirigiam às repartições públicas ou escritórios das empresas, foram também afetadas, sem terem nada a ver com os problemas que motivavam as manifestações.

Para que os diferentes grupos sejam ouvidos em suas proclamações eles não precisam cercear a liberdade dos outros, não necessitam lhes tirar o direito da mobilidade, não carecem de estabelecer um ambiente de repressão semelhante aos dos tempos da tirania. Cabe aos poderes públicos estabelecer os locais para as manifestações, as faixas das vias públicas que podem ser usadas sem bloqueio irrestrito dos movimentos urbanos, sem fechamento total das ruas, avenidas e praças. O direito às manifestações não significa assunção de poder para prejudicar os habitantes da cidade, principalmente, os idosos, crianças e doentes.

Foi pensando assim, por prezar o livre-arbítrio, por ter vivido na minha juventude os tempos duros de uma autocracia, por ser contra ações de grupos políticos que querem impor seus pensamentos e estabelecer suas regras de conduta limitando o livre-pensar dos outros, que assinei ontem o “Manifesto do Setor Produtivo Baiano” condenando as ações paralisantes de Salvador. Injustificadamente os manifestantes prejudicaram aqueles que procuravam levar uma vida normal e buscavam sustento no trabalho e nos afazeres da vida em liberdade.  Usufruir do direito de ir e vir é conquista dos brasileiros.

 

 

Adary Oliveira

Presidente da Associação Comercial da Bahia

 adary347@gmai.com

A LENTA RETOMADA DA ECONOMIA
A LENTA RETOMADA DA ECONOMIA

 

 

A recuperação da economia é um fato que pode ser comprovado por vários indicadores, mas a lentidão com que esse processo vem se dando está levando preocupação ao mercado. O motivo principal da lentidão é que o consumo, embora venha crescendo, ainda não deu o salto que o colocará no patamar de antes da recessão.

Além disso, o nível de ociosidade das empresas ainda permanece alto e, embora a taxa de investimento venha crescendo, seu patamar não permite apostar numa retomada mais vigorosa. É verdade, que tanto o consumo quanto o investimento devem crescer mais nos próximos meses, quando a queda na taxa de juros estabelecer integralmente seus efeitos sobre a economia mas, ainda assim, há uma nuvem de incertezas pairando no país e com isso os agentes econômicos –  consumidores, poupadores e investidores – tendem a agir com cautela, adiando planos  de consumo e de investimentos até que o cenário esteja mais definido.

A incerteza maior está no campo político e tem a ver com o processo eleitoral já que, faltando 5 meses para as eleições, não é possível fazer qualquer previsão sobre quem governará o país a partir de 1 de janeiro de 2019. Além disso, a possibilidade de uma nova denúncia atingir o Presidente da República põe lenha na fogueira já que um processo desse tipo traria mais instabilidade à economia e ao processo político.

Há, por outro lado, o temor que o processo eleitoral tenha efeito sobre a cotação do dólar, que, a depender de como se desenrole a disputa, poderá subir de forma exponencial, como aconteceu na eleição de Lula em 2002, quando o valor da moeda americana praticamente dobrou. Nada disso, no entanto, tem o condão de impedir o crescimento econômico e  o PIB deve crescer cerca 3% este ano, pois os fundamentos da economia estão ajustados e, além disso, é alto o custo de manter o dinheiro parado, no momento em que a rentabilidade no mercado financeiro é baixíssima.

De todo modo, enquanto cenário eleitoral permanecer imprevisível – sem que haja qualquer indicação sobre qual candidato estará no segundo turno – a economia vai continuar crescendo com o freio de mão puxado.

                                                     A UNIÃO DAS OPOSIÇÕES.

Com a decisão do Prefeito ACM Neto de permanecer até o final do mandato na Prefeitura de Salvador, é fundamental para oposição manter-se unida. A tese de ter vários candidatos e esperar que um deles seja catapultado pelo candidato a presidente e vá para o segundo turno é duvidosa.  Há quem cite a onda Lula que em 2006 fez o então candidato Jaques Wagner, com nenhuma pontuação nas pesquisas, vencer o então governador Paulo Souto, candidato à reeleição e franco favorito.

Não existe qualquer paralelo com a situação atual. Naquela oportunidade, Lula era candidato à reeleição e seu governo já jogava solto, atuando política e economicamente, no Nordeste e na Bahia. Agora a realidade é outra e no que se refere aos pré-candidatos à Presidência da República, não há caciques todos são índios. Assim, as oposições na Bahia precisam se unir antes, ainda no primeiro turno, para assim garantir que haverá um segundo turno.

                                     OS BANCOS E O CHEQUE ESPECIAL

Definitivamente, o Brasil é um país submetido ao sistema bancário. O Banco Central começou a pressionar os bancos para que reduzissem o juro do cheque especial, mas, ao invés de qualquer medida nesse sentido, o sistema bancário anunciou com grande alarde uma mudança:  não se toca nos juros, mas, após atingir 15% do limite do cheque especial, o cliente que não conseguir cobrir esse valor em 30 dias, terá à sua disposição outra linha de crédito mais barata.

Ou seja, em vez de explicar por que motivo está cobrando taxas exorbitantes,  os bancos singelamente oferecem outra linha de crédito, com juros um pouquinho menores, mas, provavelmente, na mesma cadência de exorbitância.  O mesmo banco que paga cerca de 0,5% por mês de rentabilidade pelo dinheiro que o cliente coloca num fundo de renda fixa, cobra 25 vezes mais, cerca 12,5% ao mês, quando o mesmo cliente utiliza o cheque especial. É um acinte tão grande quanto a corrupção detectada pela Operação Lava-Jato.  O sistema bancário não consegue explicar essa diferença, nem a composição do Custo Efetivo Total da operação. Não será assim que o Banco Central resolverá o verdadeiro cartel que existe no sistema bancário brasileiro.

                                               AS COTAS DO PLANSERV

O Plano de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos da Bahia (Planserv), conta com 503 mil beneficiários em todo o Estado e tem prestações bem menores que os planos comuns. É bom para os baianos e bom para o Plano, pois, diferente dos demais, ele não sofre com a inadimplência, pois a mensalidade é descontada no contracheque. No entanto, o Planserv

estabeleceu recentemente um limite orçamentário mensal às instituições credenciadas para prestação de serviços médicos. Essa limitação é legal, desde que o plano garanta ao usuário o atendimento solicitado em outro local conveniado. O problema é que em muitas especialidades não existe disponibilidade em outros locais conveniados.  Um exemplo é a emergência pediátrica, no qual o plano disponibiliza pouquíssimos locais de atendimento.

Frente a política de cotas orçamentárias estabelecida, várias instituições credenciadas deixaram de prestar serviços ao plano.  Para agravar o problema, o Planserv não é regulamentado pela Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e assim fica difícil estabelecer quais os direitos dos conveniados. Recentemente, o governo do Estado passou a gestão do Planserv para uma empresa de Santa Catarina, a Qualirede, que vem implementando medidas de contenção em todo o sistema. É preciso parcimônia e  urge aperfeiçoar a política de cotas.

                                                 FÁBRICA DE FERTILIZANTES

A Petrobras adiou o fechamento da Fafen – Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, o que permite uma discussão sobre o seu futuro, envolvendo lideranças empresariais e políticas. São várias as alternativas para a empresa, mas é preciso lembrar que não há mais espaço para subsídios no quadro atual da economia brasileira. Assim, não adianta subsidiar o preço do gás para que a empresa volte a ser competitiva.

A política de preços tem de ser igual para todos. A outra altenativa é tecnológica, ou seja, modernizar o processo produtivo e reduzir custos, mas isso não pode ser feito no âmbito da Petrobras que está implantando um plano de desinvestimento. O melhor caminho, portanto, é “dinheiro novo”, aporte de capital ou compra do controle da empresa.  A empresa norueguesa Yara, por exemplo, que é líder do setor no Brasil se mostra interessada. É preciso fazer o meio de campo para a articulação desse negócio, envolvendo a Petrobras e o governo do Estado. Nos tempos atuais, a solução é uma só: menos Estado.

JULIANA PIMENTEL – É PRECISO DISCUTIR POLÍTICA, RELIGIÃO E FUTEBOL
JULIANA PIMENTEL - É PRECISO DISCUTIR POLÍTICA, RELIGIÃO E FUTEBOL

Um dia desses, li uma publicação que trazia o seguinte termo: “espiritualidade fluida”. A expressão mencionada demonstrava uma tendência natural da sociedade contemporânea em transitar por diversas religiões. Este movimento orgânico mostra-se evidente através de atitudes que, em um primeiro contato, poderiam parecer contraditórias. No entanto, seja frequentando igrejas, mas levando mimos para a Yemanjá no dia dois de fevereiro, ou perguntando o seu destino para os búzios, mas com um santinho na carteira para garantir a proteção, é indiscutível a presença da fé na sua mais genuína forma em todas essas manifestações.

A pluralidade religiosa na contemporaneidade nada mais é do que o resultado de discussões sem prejulgamentos sobre o tema. A partir do conceito de “espiritualidade fluida”, torna-se perceptível que, tanto faz se com incensos, terços, búzios ou mantras, se você é capaz de enxergar a fé do outro de forma atenta, para além dos preconceitos e do egoísmo, o primeiro passo já foi dado. E a caminhada a que me refiro é a da desconstrução de uma frase enraizada na intolerância e ausência de diálogo: “política, religião e futebol não se discutem”.

Reproduzir o ditado mencionado soa tão corriqueiro, quanto bobo. Proferido para manter a paz em almoços de família ou para preservar o verniz da boa vizinhança em reuniões de condomínio, nem parece que por traz dessa simples afirmação estão histórias de violência, fanatismo e intransigência, que se perpetuam até os dias atuais. E por mais antigo e disseminado que seja o tal provérbio, o mesmo não deveria ser utilizado para desqualificar o debate. Até porque se engana quem acredita que a sua verdade é o axioma que irá solucionar a fome do mundo, trazer o hexa para o Brasil ou descobrir a porta do céu.

Analisando o que foi decidido na votação da última quarta-feira, por exemplo, é possível vislumbrar uma população completamente perdida, que não consegue compreender um terço do que foi debatido, mas que, ainda assim, levanta bandeiras ou bate panelas fervorosamente, como se não houvesse nada mais importante que as suas verdades. E, muito além dessa dicotomia que se tornou a política brasileira, é palpável a compreensão de que reforçar um ditado tão vazio e equivocado é, puramente, reafirmar que o mundo deve sim continuar sendo intolerante. É como tampar os ouvidos para quem discorda de nós e continuar concordando com a Inquisição Católica, afirmando que o Sol gira em torno da Terra e não o contrário.

Se posicionar é fundamental, mas compreender melhor sobre o que se está lutando é mais importante ainda. Às vezes a cegueira é tanta que apoiamos o inimigo ou crucificamos o aliado (e isso vale para a política, a religião e o futebol). Mas abrir os olhos, neste caso, é mais que beber de fontes conhecidas e arrotar argumentos vazios. É colocar as lentes da compreensão e ponderar as informações. Até porque, mudar de ideia muitas vezes é necessário, e (pasmem) não há nenhum problema nisso.

Política, religião e, até mesmo, o futebol, são vertentes que podem ser reconstruídas e aprimoradas com o diálogo, e que, inclusive, possuem potencial capacidade de unir pessoas, seja numa roda de oração, numa arquibancada ou no desejo de um país melhor. Sendo assim, a solução para os conflitos não é a ausência de identidade ou de opinião. Muito menos ser “vira-folha” em ano de copa do mundo ou apartidário nas eleições. Mas sim, compreender a multiplicidade que é viver em uma nação com acesso restrito à educação e demandas diversas, para que, finalmente, haja um debate justo e engrandecedor, já que a tolerância e o respeito são edificadores de uma sociedade que anseia alçar estruturas sólidas.

ARMANDO AVENA: A PRISÃO DE LULA E OS DILEMAS DO PT
ARMANDO AVENA: A PRISÃO DE LULA E OS DILEMAS DO PT

A decisão do Supremo Tribunal Federal não acatando o Habeas Corpus em favor do ex-presidente Lula e sua imediata prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro para às 17 horas desta sexta-feira, coloca o PT frente a um dilema eleitoral que pode ser resumido em uma indagação: como o partido deve se posicionar, agora que seu maior líder e potencial candidato à presidência está na cadeia?

As alternativas são muitas, mas reduzem-se essencialmente a três possibilidades: manter a candidatura até o momento em que o tribunal eleitoral indefira o pleito, já que o requerente estará impedido de concorrer de acordo com a Lei da Ficha Limpa; escolher outro candidato de imediato entre os seus filiados; ou apoiar o candidato de outro partido.

A primeira hipótese adotaria a vereda do enfrentamento e seria uma espécie de anticandidatura, mantida até o momento do indeferimento pelo tribunal eleitoral, quando Lula seria substituído por um nome previamente ungido por ele. A tentativa seria transferir os votos de Lula para um nome que estivesse colado a ele, buscando assim atrair os sufrágios e o prestigio do ex-presidente. A ideia parece boa, mas é pura incerteza, afinal ninguém sabe qual é a capacidade de transferência de votos de um Lula encarcerado.

Além disso, essa alternativa inviabilizaria alianças mais amplas, afinal quem se coligaria com um candidato que está na cadeia, ou com um substituto que será indicado por ele? E mais: ninguém pode avaliar o impacto dessa estratégia nas candidaturas do partido à Câmara dos Deputados, às assembleias estaduais e mesmo aos cargos majoritários de governador e senador. Ou seja, manter a candidatura de Lula, mesmo com ele atrás das grades, decretará enfraquecimento e até o definhamento do Partido dos Trabalhadores.

A segunda hipótese, com a imediata escolha de um nome do PT, como Fernando Haddad ou Jaques Wagner, para a concorrer à Presidência da República parece mais plausível e poderá viabilizar coligações, mas esbara na falta de competitividade dos nomes postos até aqui. Haddad é um desconhecido no Nordeste, maior reduto de Lula, e Wagner não tem votos no sul e Sudeste do país e parece desinteressado da candidatura. A terceira hipótese seria apoiar um candidato competitivo de outro partido, o que viabilizaria a construção de uma bancada legislativa forte e alavancaria candidatos à governador do partido, mas essa possibilidade esbarra no vicio atávico do PT de querer apoio de todos, mas mostrar-se avesso a apoiar outros partidos para os cargos majoritários.

Tomando como base as declarações do governador Rui Costa, em evento recente, essa última hipótese seria sua preferida e o nome do candidato do PDT, Ciro Gomes, seria o caminho escolhido. Mas essa hipótese foi bombardeada pela presidente do partido Gleisi Hoffman. A opção do governador parece conveniente, afinal, numa campanha que se anuncia feroz, apoiar um candidato já encarcerado ou um petista desconhecido seria o pior dos caminhos.

AS CELEBRIDADES DO SUPREMO

Max Weber, considerado o pai da Sociologia, dizia que a qualidade fundamental do homem púbico era o “senso de proporção”, que ele definia como “a faculdade de permitir que os fatos ajam sobre si no recolhimento e na calma interior do espírito, sabendo, por consequência, manter à distância os homens e as coisas”.

Foi exatamente o contrário do que se viu na plenária do Supremo Tribunal Federal que decidiu sobre o Habeas Corpus do ex-presidente Lula. Independente do resultado dessa e de outras votações, o que se percebe é que, desde que passaram a ser transmitidas ao vivo pela televisão, as sessões do Supremo tornaram-se um desfile de egos, com cada ministro querendo brilhar mais, com se fosse uma estrela ou celebridade. Os assuntos tratados no Supremo deveriam ser discutidos no silêncio dos fatos e não no vozerio das vaidades.

A DESPEDIDA DE NETO

Se o Prefeito ACM Neto deixar a Prefeitura de Salvador para concorrer ao governo do Estado, como tudo leva a crer, sua despedida terá sido em grande estilo. Na última semana, Neto inaugurou obras e deu ordens de serviços que representam um montante superior a R$ 550 milhões. A inauguração do Hospital Municipal, um investimento de R$ 120 milhões com recursos próprios, o início das obras do BRT, o projeto de urbanização da comunidade Guerreira Zeferina, a Colina do Bonfim, a orla de Itapuã, a Avenida Sete e outras ações foram lançadas nesta última semana, o que parece um sinal de que Neto é candidatíssimo.

O Prefeito tem o que comemorar, afinal recebeu a Prefeitura de Salvador com débitos da ordem de R$ 75 milhões, inadimplente e sem poder tomar empréstimos ou financiamentos, e vai devolvê-la com a capacidade de investimento restaurada, novos financiamentos engatilhados e inaugurando obras.

PREFEITURA: NOVOS FINACIAMENTOS

Aliás, a capacidade de endividamento da Prefeitura de Salvador é tal que, após ter contratado um financiamento de US$105 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no âmbito do Prodetur, já negociou dois novos empréstimos internacionais no valor de US$ 360 milhões. Os dois novos contratos, são com o Banco Mundial, na área de saúde, educação e saneamento, denominado Salvador Social e prevendo recursos de US$ 125 milhões; e com o BID no valor US$ 135 milhões para o programa Mané Dendê, de recuperação ambiental no subúrbio.

Luiz Carreira, Chefe da Casa Civil da Prefeitura de Salvador, diz que Prefeitura vai aumentar em 5 vezes sua capacidade de investimento nos próximos anos. Segundo ele, tanto os investimentos com recursos próprios, quanto os financiamentos para obras como o BRT e outras foram possíveis porque a Prefeitura cumpriu à risca a regra de ouro da administração pública, ou seja, forte ajuste fiscal e nunca gastar mais do que se arrecada. Carreira diz que as contas municipais, que tinham déficit de R$ 75 milhões nos últimos anos do Prefeito João Henrique, fecharam 2017 com um superávit de R$ 1 bilhão.

BAHIA: DUAS BOAS NOTÍCIAS
A produção mineral da Bahia atingiu em 2017 a marca de US$ 2,6 bilhões, um crescimento de 20%, em relação ao ano passado, segundo dados da CBPM – Companhia Baiana de Pesquisa Mineral. Essa é uma boa notícia, pois a demanda por commodities minerais está aumentando no mundo inteiro e um ciclo de alta de preços se avizinha. Há, portanto, boas perspectivas para a produção baiana de vanádio, cujo preço segue em alta, de ouro e de outros minerais. A outra boa notícia vem da área de energia.

No último leilão de energia eólica realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), na última quarta-feira, a Bahia contratou quatro novos projetos aumentando sua capacidade produtiva em com 114 MW. Os empreendimentos são da francesa EDF e da Casa dos Ventos e estão localizados no município de Campo Formoso.

ARMANDO AVENA: O CAVALEIRO INEXISTENTE
ARMANDO AVENA: O CAVALEIRO INEXISTENTE

Sob as muralharas vermelhas de Paris, Carlos Magno reúne os paladinos da França, cada um vestindo uma armadura de ferro e prontos a morrer pela pátria. Diante do rei, cada general ergue a viseira de ferro e se apresenta, dizendo o que fez e o que vai fazer pela França. Todos repetem a mesma ladainha, até que surge um cavaleiro, vestindo uma armadura branca e limpíssima. Carlos Magno indaga quem é o cavaleiro que se mantém tão limpo.

E o cavaleiro se apresenta, com uma voz gutural, que sai da garganta e parece vibrar como metal. É o momento de levantar a celada da armadura para mostrar o rosto, mas o cavaleiro não o faz. “Por que não mostra o rosto para o seu rei?”, indaga, autoritário, o monarca. “Por que não existo”, responde o cavaleiro e Carlos Magno vê a viseira da armadura branca levantar-se e constata que o elmo está vazio. “Faltava esta – exclama, o imperador – Agora temos na tropa até um cavaleiro que não existe!”

A história que dá início ao belo romance de Italo Calvino, “O Cavaleiro Inexistente”, fez-me lembrar os bravos candidatos que, perfilados, começam a apresentar-se ao monarca brasileiro – o povo – dizendo o que fizeram e o que pretendem fazer pelo Brasil. E, a semelhança dos esquisitos cavaleiros de Carlos Magno, cada um dos pré-candidatos a presidente do Brasil, está levantando o elmo para se apresentar ao povo. O primeiro a se destacar é Micheele de Temer, atual chefe da armada, mas detestado por todo povo e acusado de falcatruas diversas, mas que, munido da espada do crescimento econômico, quer permanecer no poder.

À sua direita está Jairson de Bolsonaro, cavaleiro cruel que tudo pretende resolver na base da força e da tortura e que pouco tem a apresentar. Ao centro, surge, meio inexpressivo, Geraldin de Alkmin que, diferente do cavaleiro inexistente, tem um corpo como qualquer outro homem, embora ninguém tenha consciência de que ele realmente exista. Mais a esquerda aparece Cirilon de Sobral, cuja força é indiscutível, mas é afeito a aventuras e tão imprevisível e surpreendente que ninguém se arrisca a dizer para onde vai sua campanha.

Um pouco mais a esquerda, está a Irmã Marina do Norte, guerreira, mas imbuída de perigoso sentimento messiânico, o que pode levar o país a aventuras e caminhos tortuosos. Há muitos outros pretendentes, mas todos frágeis, pelo menos por enquanto. Mas um deles, se sobressaí, cheio de chagas de uma doença chamada corrupção e ainda assim amado por parte do povo. Apesar de enlameado, veste-se com uma armadura branca, como se a lama não pudesse sujá-lo.

Seu nome é Lula da Silva e seu elmo vermelho se sobressai entre todos. Mas quando o povo – rei da democracia – exige que ele levante a viseira vê-se que o elmo está vazio. Lula da Silva é o candidato inexistente, sua armadura está corrompida pela ferrugem do mensalão e do petróleo, e nada há dentro dela, a não ser um espectro, tornado invisível pela Lei da Ficha Limpa e pelas diversas condenações que estão por vir. Candidato inexistente não pode ser eleito, por isso, o povo brasileiro terá de escolher entre os candidatos que aí estão e outros que poderão vir, embora não haja um cavaleiro sequer que, neste momento, entusiasme os brasileiros.

ECONOMIA SOLIDÁRIA

A Bahia é o quarto principal estado da federação em termos de econômica solidária. A economia solidária é aquela onde não existe a figura do capitalista ou do dono da empresa, nela os próprios trabalhadores são também donos do empreendimento, e dividem tanto o lucro quanto o trabalho. Na Bahia, existem 1402 empreendimentos registrados como economia solidária, representando cerca de 7% do total, segundo cadastro do Ministério do Trabalho. O Rio Grande do Sul lidera o ranking com 1600 empresas solidárias.

OS BANCOS E OS ADVOGADOS

O cidadão precisa, de repente, transferir determinada quantia para um hospital. Acessa sua conta no Bradesco e… bingo: o banco não permite transferência de valores acima de determinado valor sem que o destinatário seja cadastrado através de e-mail, o que leva pelo menos um dia útil. Em outras palavras: o banco impede o correntista de movimentar sua própria conta, seu próprio dinheiro, mesmo que seja um caso de urgência. É inconstitucional, mas no Brasil, aos bancos tudo é permitido. A única saída para esse tipo de medida está no setor judiciário. Aliás, os advogados ainda não perceberam como podem ganhar dinheiro para os seus clientes questionando as dezenas de medidas que o sistema bancário exige do correntista e que são nitidamente inconstitucionais ou contrárias aos direitos dos consumidores.

A DISPUTA PARA O SENADO

Que caminho vai seguir a senadora Lidice da Mata nas eleição de 2018? Sabe-se que ela não vai compor a chapa do governador Rui Costa, já que os candidatos ao senado serão o ex-governador Jaques Wagner e um nome do PSD ou do PP, a depender de quem opte pelo cargo de vice-governador. Sabe-se, também, que ela dificilmente apoiaria a chapa de oposição. Ao que parece, e segundo declarou a própria senadora, uma possibilidade concreta seria sua candidatura avulsa ao Senado pelo PSB.

Essa possibilidade preocupa alguns deputados de partidos aliados ao governador Rui Costa, pois as lideranças mais a esquerda na coligação poderiam estimular o voto extraoficial, com a formação de uma dobradinha Lidice/Wagner, mesmo à revelia do governador e do próprio Wagner. Outra possibilidade seria a concretização da candidatura presidencial do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa pelo PSB, partido de Lidice. Pesquisa internas mostram que Barbosa teria até 20% das intenções de voto, num cenário sem Lula, e que seria um candidato competitivo. Se essa candidatura se confirmar, Lidice terá de que decidir se seu palanque será o mesmo do candidato do seu partido.

MARIA MADALENA

Na história de Jesus Cristo, cuja paixão se comemora em todo mundo nesta sexta-feira, há três personagens fundamentais: Maria, sua mãe, Pedro e Maria Madalena. A história de Madalena tem muitas versões, e, conta-se, que após a morte de Jesus, ela teria ido para França, fugindo da Palestina. Ao que parece, a França acolheu Madalena e uma das mais belas igrejas do mundo, Igreja Madeleine em Paris, é, provavelmente, a única, afora aquelas dedicadas a mãe de Jesus, em cujo altar principal está uma mulher.

Madalena é a padroeira da região de Provence, onde fica, ao sul da cidade de Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, a basílica com seus restos mortais. A história de Madelena está sendo revista por romancista e historiadores e este colunista, cujo ofício é ser escritor, já escreveu um livro sobre ela e, em breve, vai brindar o leitor, destacando a força dessa mulher maravilhosa.

JULIANA PIMENTEL – ESPETACULARIZAÇÃO DO HORROR
JULIANA PIMENTEL - ESPETACULARIZAÇÃO DO HORROR

Na semana passada, lendo rotineiramente um site de notícias, uma delas me chamou a atenção: “Acrobata do Cirque du Soleil morre após acidente em espetáculo nos EUA”. Já tive a oportunidade de assistir a um dos espetáculos apresentados pelo circo mencionado e lembro-me de ter ficado impressionada com o nível e qualidade dos artistas. Consequentemente, me interessei pela matéria e resolvi saber um pouco mais sobre o conteúdo.

A notícia trazia em seu bojo detalhes sobre o fatídico espetáculo, a foto do artista e um vídeo referente a uma reportagem veiculada em um canal de televisão. Ou seja, havia o suficiente para saber sobre o fato e se sensibilizar com a morte de alguém que se acidentou fazendo o que amava. Mas o que realmente se destacou foi o espaço reservado para os comentários dos leitores. Neste, dentre os sentimentos expressados, os que mais se destacavam eram a indignação e a decepção, geradas pela ausência de vídeos e imagens que pudessem demonstrar o momento exato do acidente. Apesar da notícia mórbida, o anseio era por imagens que trouxessem sangue e terror.

Na mesma semana da notícia sobre o acidente com o artista, a internet borbulhava informações sobre a morte da ativista Marielle Franco. E, em meio a todas as manifestações de apoio e solidariedade aos ideais e à família, inúmeros áudios, fotos e “informações exclusivas” eram compartilhados com o intuito de deturpar o discurso e difamar a vereadora. Entre as informações repassadas estavam as de que a ativista teria engravidado aos dezesseis anos, teria sido casada com o traficante Marcinho VP e teria sido eleita pelo Comando Vermelho. Posteriormente, diversos veículos de comunicação reconhecidos por sua credibilidade, como O GLOBO e EL PAÍS, trouxeram as verdadeiras versões para os boatos levantados.

Mas o que essas histórias têm em comum? A insensibilidade de uma parcela da população que anseia incansavelmente por espetáculos de horror. No caso de Marielle, as mentiras inventadas, possivelmente, foram criadas com um fundo político e ideológico, mas a disseminação de tais informações falsas nada mais é do que o apreço, que muitos possuem, em compartilhar a miséria alheia. Tanto faz se o ato é disseminar fotos de um corpo destroçado no chão ou propagar difamações que ferem a memória de alguém morto, ambos alimentam um propósito em comum: espetacularizar tragédias.

Mais que apoiar bandeiras e concordar com os ideais de A ou B, é importante ter consciência do que se compartilha. Foge do senso de convivência social não demonstrar um pouco de solidariedade humana em relação à morte de alguém. Na velocidade de um “click”, que dura menos de um segundo, informações infundadas e difamatórias podem abrir feridas que levarão anos para serem curadas.

E, nesse contexto, cabe a reflexão: o que compartilhamos nos dias de hoje? O que buscamos ver nos noticiários? Parece que o espetáculo é muito mais importante que a busca por fatos reais. São milhares de pessoas sedentas por tragédia, difamação, sangue e terror, mas que, paradoxalmente, se espantam com o quão violento o mundo está.

ARMANDO AVENA: UM PLANO PARA A BAHIA
ARMANDO AVENA: UM PLANO PARA A BAHIA

A Bahia precisa de um novo plano de desenvolvimento. O modelo econômico baiano está num ponto de inflexão e as lideranças políticas, empresariais e acadêmicas precisam buscar saídas para evitar a perda relativa de competitividade frente à outros estados da federação.

A Bahia perdeu a posição de 6a economia do país e seu PIB vem crescendo menos ou caindo mais do que a média nacional.  O centro do problema está no setor industrial, com o fim do ciclo do petróleo e a estagnação da indústria petroquímica local. A economia baiana sempre foi movida a ciclos.

Houve o ciclo do cacau, o ciclo do petróleo e depois o ciclo da indústria petroquímica e de bens intermediários. O cacau entrou em uma crise interminável e para que a área de petróleo e petroquímica não tenha o mesmo caminho é preciso agir. Esta coluna foi a primeira a afirmar que o plano de desinvestimento da Petrobras estava à plena carga e atingia diretamente a Bahia. A redução significativa da produção da RLAM – Refinaria Landulpho Alves e o fechamento da Fafen – Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados demonstram que o plano é pra valer e que a Petrobras quer se dedicar ao núcleo duro do seu negócio: explorar petróleo.

O mais grave é que a Fafen foi simplesmente fechada,  sequer foi vendida, e o mesmo vai acontecer com a RLAM, com seu definhamento gradual, se não houver uma negociação para que um novo sócio privado entre no negócio. A indústria petroquímica vem se mantendo graças aos investimentos da Braskem, mas é preciso um plano de ação para revigorar essa cadeia produtiva e ampliar seus desdobramentos, aproveitando a produção da Basf, e tentando viabilizar a produção de bens de 3a e 4a geração.

Vale lembrar que a indústria de calçados e a de informática estão praticamente fechando as portas e que  a indústria automobilística opera em máxima produção e não há previsão de ampliação, o mesmo ocorrendo na área de papel e celulose. O setor de eólicas depende dos leilões, o segmento petroquímico tornou-se vegetativo e a indústria metalúrgica está limitada pela inexistência de matéria prima local. Em poucas palavras: não há perspectiva para os principais ramos da indústria. O desinvestimento no setor passa também pela escassez de infraestrutura, especialmente portuária e ferroviária.

VIA PARA A ESTRADA DO COCO

A Via Metropolitana Camaçari-Lauro de Freitas, que ligará a Rodovia CIA-Aeroporto à Estrada do Coco já está pronta. A via permitirá que os veículos saiam direto de Salvador e não precisem passar pelo gargalo viário de Lauro Freitas, saindo direto na altura de Busca Vida e pagando apenas um pedágio. Mas na volta a coisa pega: serão necessários pagar dois pedágios para quem vem do Litoral Norte em direção à Salvador.

A via terá repercussões. O município de Lauro de Freitas deve se livrar dos engarrafamentos na sua área central, mas, será reduzido o fluxo de pessoas e automóveis na região, responsável pelo boom comercial que se verificou ali. O projeto turístico do município de Camaçari será beneficiado,  já que os turistas e baianos terão acesso direto aos seus 42 km de orla. Mas quem vai ganhar mais são os investidores. As margens da Via Metropolitana tornaram-se  área de expansão urbana e de comércio e serviços e quem comprou terrenos no local já está vendo a valorização aparecer.

A TAXA DE JURO E O INVESTIMENTO

O Banco Central reduziu para 6,5% a taxa de juros, o menor patamar da história recente do país. Com isso, a rentabilidade das aplicações financeiras vai cair mais ainda. A rentabilidade dos fundos de renda fixa, por exemplo, está perdendo para a poupança e, só aqueles fundos com taxa de administração menor que 1%, empatam com a velha caderneta. Só os grandes investidores conseguem rentabilidade maior do que 5% ao ano o que, descontado a inflação, não é lá grande coisa. Melhor rentabilidade só se o aplicador migrar para o risco, no mercado de ações e outros papéis vinculados. Ou então, partir para o mercado produtivo, ou para o mercado imobiliário.

MUNICIPALIZAÇÃO DA ELEIÇÃO

Tradicionalmente, as eleições estaduais na Bahia são federalizadas. Desde 1994, por exemplo, quando as eleições para governador e presidente passaram a ser na mesma data, a força da disputa nacional, influenciou a disputa local. Das 5 eleições que houve desde então, a coligação que fez o presidente, fez também o governador do Estado em quatro pleitos. Em apenas uma ocasião, na primeira eleição de Lula, o vencedor do pleito na Bahia era oposição ao partido que venceu as eleições presidenciais. A façanha foi atribuída ao então Senador Antônio Carlos Magalhães. A situação agora é bem diferente já que sequer se sabe quais os candidatos à presidente serão apoiados pelos postulantes.

O curioso nessa eleição é que o governador Rui Costa municipalizou a disputa, fazendo de Salvador o ringue da luta com o Prefeito ACM Neto. O resultado disso é que Salvador, que representa apenas 20% da população, tem um investimento per capita do governo, bem superior aos de outros municípios. A estratégia de puxar a disputa para o reduto do concorrente é pouco comum, especialmente quando a administração é boa. Além disso, Salvador tem menos de 20% do eleitorado baiano, mas, dizem os marqueteiros, Salvador é caixa de ressonância para o Estado. E já há quem diga que ACM Neto deveria começar a estadualizar a disputa, levantando os problemas do Estado.

INTERVENÇÃO NO MDB

A possibilidade de intervenção no diretório estadual do MDB da Bahia, pelo diretório nacional do partido, chegou a ser discutida em Brasília, mas não vingou. Seria a solução ideal para tirar o deputado Lúcio Vieira Lima do comando do partido  e viabilizar a coligação com outros partidos, mas seria uma jogada de alto risco, pois poderia levar Geddel Vieira Lima a optar por uma delação premiada tendo o Presidente Temer como alvo. Sem coligação, e com muitos deputados deixando a legenda, o MDB será uma espécie de morto-vivo nas eleições de 2018, voltado unicamente para a eleição de Lúcio Vieira Lima.

A MORTE DE MARIELLE

A morte de Marielle Franco foi um triste exemplo da maneira torpe como se faz política no Brasil. Em um país mais civilizado, um evento de tal gravidade, que parece nitidamente ligado ao crime organizado, serviria para unir todas as correntes políticas num ato de execração unânime ao estado de violência que domina o país. Infelizmente, o que se viu foi o uso político do assassinato, por todas as correntes, à esquerda e à direita, cada um querendo tirar proveito do ocorrido. Nem a morte é capaz de unir os brasileiros em prol de um objetivo comum.