ARMANDO AVENA: COPA, POLÍTICA E ECONOMIA
ARMANDO AVENA: COPA, POLÍTICA E ECONOMIA

 A Copa do Mundo já começou e neste domingo o Brasil entra em campo com a torcida de  milhões de brasileiros. É um momento especial, afinal a sangrenta briga política que tomou conta das redes sociais poderá ter um alívio já que serão poucos aqueles que torcerão contra a seleção. Antigamente se dizia que o futebol e a Copa serviam para alienar o povo e influenciavam no resultado das eleições e a ditadura militar até que tentou usar este expediente. Mas, atualmente, com o crescente nível de informação da população,  a influência é zero na política e pequena na economia. 

Engana-se quem pensa que uma vitória ou uma derrota do Brasil terá efeitos nas eleições de outubro, pois a história diz o contrário. Em 1994, o Brasil foi tetracampeão, mas quem elegeu Fernando Henrique foi o Plano Real, que acabou com a inflação. Em 2002, o Brasil foi pentacampeão, mas isso não ajudou o governo Fernando Henrique, cujo partido foi derrotado pela oposição, que fez de Lula presidente.  Em suma: não importa se o Brasil vai ganhar ou perder a Copa, quem vai influenciar o processo eleitoral  serão outros fatores, a exemplo da  operação Lava-Jato, da situação econômica do país, da ojeriza dos brasileiros aos políticos tradicionais, da luta entre a esquerda e a direita e por aí vai.

Já em termos econômicos, o efeito da Copa também será pontual, focado em alguns poucos setores, mas sem maior impacto na economia como um todo. O setor de eletroeletrônicos, por exemplo, tanto o varejo quanto a indústria, foi estimulado e estima-se um crescimento de mais 10%, na venda de televisores, em função da Copa e em relação ao ano passado. A venda de televisores puxa a de outros produtos da chamada linha “marrom”, que inclui sons e similares e todo esse setor da indústria e do comércio se beneficiará com o evento. Por outro lado, a venda de itens relacionados com a temática da Copa, como camisas, bandeiras, adesivos e outros, deve estimular parcela do comércio, tanto formal quanto informal, assim como deve crescer o consumo de bebidas. Bares e restaurantes também devem se beneficiar, especialmente nos jogos do Brasil.

No mais, pouco vai ficar da Copa do Mundo de 2018, tanto em termos políticos, quanto em termos econômicos. No entanto, é bom lembrar que o time de Tite parece mais honesto que os políticos brasileiros e mais entrosado do que nossa combalida economia, por isso pode ser que a seleção ganhe o caneco e os brasileiros, que tão pouco tem a comemorar em política e em economia, tragam para casa o título de hexacampeão. Por isso, só resta dizer: “vumbora”Brasil!

                                                     O PIB E O PESSIMISMO

O Brasil é o país do entusiasmo. Por isso, quando as coisas vão bem ele sonha alto e as vezes tão alto que a decepção é inevitável.  É o caso das previsões sobre o PIB de 2018. Quando a economia reagiu, saindo da recessão, o entusiasmo foi tanto que  analistas e economistas, inclusive este escriba, apressaram-se em prever um crescimento exponencial do PIB,  de no mínimo 3%. Agora, que parece que este patamar não será alcançado, o pessimismo se instalou e já há quem diga que o PIB pode crescer menos de 2%. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. O Brasil saiu de uma recessão de mais de 7% em dois anos e cresceu 1% em 2017. Assim, se crescer 2% em 2018, o dobro do ano passado, o resultado será excelente. Mas, para a tristeza dos pessimistas, a economia vai crescer mais que isso e por um motivo simples. Como no 1o trimestre de 2018, o crescimento do PIB foi de 1,2%, basta que nos próximos trimestres o crescimento seja de apenas 0,3% em média para que a economia cresça 2%. Em suma, 2018 vai ser um ano de crescimento e o mercado produtivo vai crescer. Quanto ao mercado financeiro, especialmente a bolsa e o dólar, esse vai oscilar até que situação eleitoral fique mais clara.

                                           CIRO, RUI E O PDT DA BAHIA

É dado como certo que o PT não vai apoiar o ex-governador Ciro Gomes no primeiro turno da eleição para Presidente da República, embora acene com essa possibilidade no segundo turno. Essa posição desestrutura a campanha de Ciro na Bahia, afinal o ex-governador do Ceará precisa, antes de tudo,  chegar ao segundo turno e não pode ficar sem palanque no 4o maior colégio eleitoral do Brasil. A hipótese do governador Rui Costa abrir o palanque para Ciro no primeiro turno está descartada, a não ser que ele abra dissidência com o PT, que vai ter candidato apoiado por Lula. Nesse cenário, não se sabe como vai se posicionar o PDT da Bahia, que apoia a chapa de Rui, que, por sua vez, não vai poder dar palanque a Ciro. Há quem ache, por outro lado,  que o PDT da Bahia está saindo no prejuízo na aliança com o governador Rui Costa.  Afinal quem possui em seus quadros o principal candidato à Presidência da República no âmbito da centro esquerda – aquele com maior chance de enfrentar Jair Bolsonaro no segundo turno –, deveria ter lugar na chapa majoritária do governo ou pelo menos a garantia de que Rui Costa terá um palanque duplo nas eleições. Nesse imbróglio, cresce a chance do PDT buscar alianças junto ao DEM e aí a política na Bahia vai virar um samba do crioulo doido.

                                                          CIRO NO 2 DE JULHO

Não se sabe como vai ficar o PDT na Bahia, mas já se sabe que Ciro Gomes vai participar do desfile de 2 julho e que não vai desfilar na comitiva do governador Rui Costa. O Presidente do PDT da Bahia, deputado Felix Mendonça, disse ao portal Bahia Econômica que Ciro vai estar na comitiva do PDT em espaço próprio do partido, ressalvando que isso não impede um eventual encontro com a comitiva do governador.                   

                                             BAHIA: CUSTO DA VIOLÊNCIA É 12 BI

  O Fórum Brasileiro de Segurança Pública calcula em 5% do PIB o custo da violência, incluindo aí os custos de segurança e do sistema público de saúde e a perda de vidas produtivas. Adotando esse parâmetro, o custo da violência na Bahia, pago por todos os baianos, chega a R$ 12 bilhões. E se for incluído no cálculo, danos materiais, gastos com seguros, despesas judiciais e carcerárias, o montante é bem maior.  No Brasil, segundo o jornal Valor Econômico, o custo da violência chega a R$ 284 bilhões.    

                                              COPA DO MUNDO E ELEIÇÕES

 Na Copa do Mundo e nas eleições para presidente e governador é impossível saber o resultado antes do final do jogo. Por isso, não se deve menosprezar o adversário, nem entrar em campo achando que já ganhou. A Rússia, por exemplo, estava desacreditada e, no entanto, abriu a Copa ganhando de 5 a 0 e com uma atuação impecável. É verdade que o adversário era fraco, mas, de repente, o time desacreditado da Rússia tornou-se um dos favoritos. Arrogância e salto alto também são pouco recomendáveis em disputas acirradas como essas. Nunca é demais lembrar: em Copa do Mundo  e eleição o jogo só acaba quando termina.

                                                 

ADARY OLIVEIRA – ACB, RIACHUELO E MONUMENTOS
ADARY OLIVEIRA - ACB, RIACHUELO E MONUMENTOS

Os empresários da Associação Comercial da Bahia (ACB) e os militares do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil exaltaram a passagem dos 153 anos da Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865 durante a Guerra do Paraguai, com cerimônia celebrada na Praça Riachuelo, no Bairro do Comércio, em Salvador. O ritual promovido por marinheiros e empresários foi repetido pela 144ª vez reavivando na memória dos baianos esse importante feito heroico. Riachuelo é considerada pelos historiadores a batalha mais importante da Guerra do Paraguai pela ação bravia dos brasileiros, que usando a força, barraram os desejos expansionistas de governantes do país vizinho. Estes já haviam perpetrado invasões nos territórios do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e a façanha militar carrega também o significado político da garantia do território nacional, afastando, daí para a frente, qualquer cobiça de prática invasora.

A Província da Bahia esteve presente na Guerra do Paraguai e a maioria dos heróis da Batalha do Riachuelo eram baianos. Por esse motivo os empresários da ACB, fundada em 1811 e, portanto, a mais antiga instituição empresarial das Américas, em homenagem aos seus heróis, ergueu o Monumento Riachuelo na praça que leva seu nome. A pedra fundamental foi colocada no dia 27 de março de 1872 pelo Imperador Dom Pedro II e o Monumento foi inaugurado em 23 de novembro de 1874, apenas 9 anos decorridos da Batalha.

A escultura tem 23 metros de altura e na sua parte superior ostenta a estátua do Anjo da Vitória. Tem estilo neoclássico e projeto do artista baiano João Francisco Lopes Rodrigues, um professor da Academia de Belas Artes da Bahia. Foi construído em mármore, bronze e ferro fundido e traz em sua coluna central a relação das batalhas da Guerra do Paraguai. Há um grande medalhão de bronze colocado no seu pedestal onde estão esculpidas as armas do Império.

A Praça fica situada em frente ao Palácio da Associação Comercial da Bahia um belo monumento arquitetônico que se caracteriza pela beleza e harmonia de suas linhas e por muitos considerados um monumento de arte sem paralelo em toda a América. Ele foi erguido por D. Marcos Noronha e Brito, VIII Conde dos Arcos de Val-de-Vez, último vice-rei do Brasil, que governou a Bahia de 30 de setembro de 1810 a 26 de janeiro de 1818. O Palácio foi palco de muitas homenagens prestadas pelos empresários da Bahia a personalidades famosas de nossa história, como o banquete oferecido ao Imperador D. Pedro II em 17 de novembro de 1859, ao jurista Ruy Barbosa no dia 12 de abril de 1919 e ao Presidente Washington Luis em 16 de agosto de 1926. Foi também o anfiteatro da solenidade ocorrida em 10 de fevereiro de 1871, quando o poeta Castro Alves recitou em público pela última vez.

O Palácio da ACB tem recebido visitas do público de todo o mundo, principalmente dos turistas que chegam nos navios que atracam no Porto de Salvador. Por esses dias, os visitantes, além de conhecerem as obras de arte do palácio, poderão apreciar, e até adquirir, produções do escultor baiano Mário Cravo Júnior, de propriedade da MCR Galeria de Artes e da coleção de fotografias de Carol Dantas, expostas no Salão Nobre do Palácio.

O Palácio da ACB e a Praça Riachuelo não são apenas dois ambientes onde se reverencia os heróis da Guerra do Paraguai, recepciona figuras ilustres e expõe esculturas e fotografias de artistas. Ele também abriga uma associação declarada de utilidade pública, considerada órgão técnico e consultivo do poder público e tem como objetivos orientar seus associados e os empresários, defendendo seus interesses comuns e os da comunidade em geral.

Por não demais, é sempre bom lembrar de acontecimentos do passado para se aferir o valor real das virtudes que se tem no presente, e das projeções passíveis de serem feitas para o futuro.

 

 

Adary Oliveira

 Presidente da Associação Comercial da Bahia

e-mail:adary347@gmail.com

PANORAMA DO MERCADO : A VOLATILIDADE CONTINUA
PANORAMA DO MERCADO : A VOLATILIDADE CONTINUA

Tivemos a quarta semana seguida de forte realização para a bolsa brasileira, o pânico continuou ditando o rumo dos mercados, levando o Ibovespa a uma realização de -5,56%.

No Brasil, a incerteza tomou conta e o mercado passou a precificar um cenário de altíssimo risco, o juros futuro chegou a projetar que a Selic vai terminar o ano em 7,50%, ou seja, o Banco Central (BC) terá que subir a Selic em 1% nos próximos seis meses, num cenário que a atividade econômica permanece muito fraca. O dólar explodiu, chegando a ser cotado próximo dos R$ 4,00. Enfim, depois da mudança de postura do BC na última reunião de maio e das greves dos caminhoneiros, que expôs as dificuldades internas do país, além de antecipar o debate eleitoral, trazendo força para a campanha de dois candidatos com propostas “teoricamente” contra o mercado (Ciro e Bolsonaro), o preço dos ativos perdeu a referência ficando completamente sem rumo. Para tentar conter a volatilidade, o Tesouro e o Banco Central adotaram medidas mais firmes que ampliaram a liqu idez e ajudaram a conter, pelo menos na sexta feira as medidas fizeram efeito, contendo a alta do dólar e dos juros futuros.

No cenário internacional, os emergentes continuaram sofrendo com a fuga de recursos e alta do dólar. Nos EUA, os mercados tiveram uma semana mais amena com as bolsas voltando para patamar de máxima histórica.

Na semana que se inicia, do destaque será a reunião do Fomc nos EUA, onde a autoridade monetária vai definir a taxa de juros, além de sinalizar qual será seus próximos passos, o cenário mais provável continua sendo de três subidas até o final do ano. Vale também ficar atento ao histórico encontro entre Trump e o ditador da Corea do Norte. No Brasil, vamos observar se as ações do Tesouros e do BC vão continuar fazendo efeito.

 

Momento do Mercado

 O suporte dos 76 mil pontos foi rompido, levando os preços rapidamente até a outra importante zona de suporte entre 72,4 e 70,8 mil pontos (faixa azul no gráfico). Nesse patamar o Ibovespa encontro compradores durante dois dias seguidos e terminou a semana nos 72,8 mil pontos. O cenário continua bastante arriscado e o movimento só voltará a ficar favorável para a recuperação, caso uma nova tendência de alta seja formada. Contudo, vale lembrar que quanto maior o risco, maior o retorno, aqueles se aventurarem podem ter grandes ganhos ou perdas.

Caso a zona de suporte seja realmente respeitada, o próximo objetivo estará nos 78,8 mil pontos.

Caso o suporte esteja perdido, o próximo objetivo estará nos 69 mil pontos.

 

LUCAS LEAL

 

PIB: A BAHIA ESTÁ CRESCENDO MENOS QUE O BRASIL
PIB: A BAHIA ESTÁ CRESCENDO MENOS QUE O BRASIL

 

O PIB da Bahia cresceu apenas 0,4% no 1º trimestre de 2018, enquanto no mesmo período a economia nacional cresceu 3 vezes mais, elevando-se em 1,2%. Os dados são oficiais, divulgados esta semana, pela SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais. Há 3 semestres consecutivos, a Bahia cresce menos que o Brasil, enquanto outros estados do Nordeste, como Pernambuco e Ceará, estão em plena retomada do crescimento econômico.

O pior é que na recessão, o PIB da Bahia caiu 8,2%, no período 2015/2016, enquanto a economia nacional caia em torno de 7%. Ou seja, é o pior dos mundos: quando o Brasil vai mal a Bahia vai pior e quando o país volta a crescer, a Bahia cresce menos  que  a média nacional. O mais grave, porém, é que , segundo os técnicos da SEI, a tendência é que a economia baiana permaneça crescendo menos que a economia brasileira nos próximos trimestres.