RODOLFO ALVES – HEAD OF CONSULTANCY DA COREBIZ

RODOLFO ALVES - HEAD OF CONSULTANCY DA COREBIZ

BE- O comércio Eletrônico deve se aproximar dos R$ 80 bilhões em volume de vendas em 2019. A que se deve essa expansão?

RA- Apesar de vivermos em um período de economia não favorável, o E-commerce realmente tem crescido de forma significativa quando comparado com o setor off-line. Acredito que existem dois fatores que contribuem muito para esse crescimento. O primeiro está ligado ao empreendedorismo, pois as pessoas encontraram na crise a oportunidade de trabalhar um nicho no Comércio Eletrônico, isso já contribui para esse aumento. Segundo é a mudança na cultura das empresas de entender que o consumidor está mudando, ou seja, precisamos atender o cliente onde quer que ele esteja, adaptar a ele e não forçar o cliente a se adaptar a nossa realidade. Isso tem feito com que as empresas sejam mais flexíveis e ajude seu cliente a encontrar seu produto onde quer que ele esteja, tornando a experiência única.

BE-  O comércio de lojas ou aquele feito pessoalmente são pautados durante o ano por vários eventos e feiras que estimulam o setor. Porém, o comércio eletrônico só tem a Black Friday no final do ano. Se houvessem mais momentos de compra online o segmento poderia crescer mais?

RA- Na verdade, o Black Friday tem se tornado a data mais importante do Comércio Eletrônico desde o início, tanto por conta dos lojistas que entendem a importância dessa data, quanto pelo usuário que já entende que nesse dia em especial ele poderá encontrar promoções fora da curva. No entanto, o comércio eletrônico possuí várias oportunidades durante o ano que são pouco ou mal exploradas pelos lojistas. E possível trabalhar em várias sazonalidades ou até mesmo adaptar suas promoções de acordo com a busca dos usuários. Com o comportamento dos mesmo, se as empresas souberem aproveitar essas oportunidades, não há a necessidade de haver mais datas como essa e também não banaliza a Black Friday.

BE- O Brasil é um país com cargas tributárias exorbitantes. O comércio eletrônico não foge desse aspecto negativo do país. O governo ainda analisa a reforma tributária. Na sua opinião qual a importância dessa reforma para o comércio eletrônico?

RA- O principal desafio dos heads de um e-commerce hoje é fazer a conta fechar, ou seja, trabalhar para que a operação não dê prejuízo. Com isso, trabalhamos otimizando custo da operação em todas as frentes e, em muitas vezes, essa conta não bate, o que acaba fechando algumas operações que não têm tanto poder de barganha sobre o seu negócio. A reforma tributária contribuiria muito para que essas operações não baixassem as portas e ajudaria o restante do mercado a trabalhar com ofertas mais significativas para os clientes e melhorar a qualidade de todos os serviços prestados.

BE- Quais os pontos que o governo deve abraçar nessa reforma para ajudar o segmento?

RA- Na prática somos tão prejudicados quando o mercado físico. Se melhorarmos a reforma de acordo com o proposto, todos seremos beneficiados.

BE-  Qual a expectativa de geração de empregos através do comércio eletrônico em 2019?

RA- Mesmo perante a crise, continuamos crescendo e esse ano não será diferente, pelo contrário, esperamos crescer pelo menos 15% em relação ao último ano. Com isso, requer a necessidade de mais pessoas qualificadas para fazer isso acontecer. Consequentemente, o número de empregos aumentará muito.

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