ARMANDO AVENA: JAIR, VOCÊ É O PRESIDENTE!

ARMANDO AVENA: JAIR, VOCÊ É O PRESIDENTE!

Jair Bolsonaro precisa se dar conta que é o Presidente da República, a maior autoridade do país.  Presidentes precisam adotar a postura de chefe de Estado, não podem estar chamando os ministros a todo momento para falar por ele, não devem faltar a entrevistas agendadas e tampouco deixar que o programa de 100 dias do seu governo seja lançado açodadamente sem a sua presença. Em Davos, Bolsonaro não parecia o presidente da 6ª maior economia do mundo e sua  participação como principal nome do Fórum Econômico  poderia ter sido muito melhor. Um presidente de um país da América Latina que tem, pela primeira vez, a oportunidade de abrir o Fórum Econômico de Davos teria de falar como um estadista, ainda que não o seja. E o problema não foi ter falado apenas 6 minutos, afinal a ex-presidente Dilma Rousseff falaria os 45 minutos que tinha à sua disposição e ninguém entenderia nada.

O problema é que o discurso foi raso, óbvio, como se o presidente estivesse gravando um vídeo para as redes sociais. Há quem diga que esta é uma estratégia política cujo objetivo é caracterizá-lo como um homem diferente dos políticos tradicionais, que falam muito e pouco realizam. É possível, mas tudo indica que Bolsonaro é apenas um homem simples,  simplório até,  embevecido e surpreendido por ter chegado ao ápice do poder, mas sem saber muito bem o que vai fazer com ele. Por isso, não se cansa de colocar o sucesso do seu governo nas mãos de dois ou três ministros, como fez novamente em Davos, dando a impressão que está liderando  um governo colegiado, um ideia impensável no sistema presidencialista no qual ministros são demitidos ao bel prazer do chefe do Poder Executivo.

É verdade que  o desempenho em Davos não vai afetar o enorme capital político do Presidente, mas passou  a impressão de que ele é um homem sem qualificação para o poder e está sempre passando a seus ministros a tarefa de dizer o que pretende fazer do país?  O leitor não precisa se preocupar, na história política brasileira foram muitos os presidentes sem qualificação para o poder e a ex-presidente  Dilma Rousseff é o mais trágico exemplo disso. Mas, ainda assim, Bolsonaro precisa portar-se como um presidente e cumprir a liturgia do cargo, pois sem isso será impossível vencer os desafios diários. E eles já são muitos. O mais grave, por enquanto, são as peripécias do primeiro filho, Flávio Bolsonaro, com seus depósitos fraccionados e suas explicações implausíveis que, inevitavelmente,  passam a impressão de  que aquilo que era frequente nos governos anteriores – escândalos e corrupção muito próximos ao Palácio Planalto – está voltando. Filhos…Filhos? Melhor não tê-los, diria Vinícius de Moraes.

É verdade que os problemas do zero-um ainda estão circunscritos a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas o potencial explosivo dessa história é enorme e poderá  se transformar no combustível que vai incendiar o Congresso Nacional, comprometendo  as reformas fundamentais para o país.  Jair Bolsonaro precisa também ter consciência de que seu governo não é coeso, que não pode chamar Moro ou Guedes para resolver os conflitos internos pois eles fazem parte do conflito, e que existe quatro núcleos de poder no seu governo:  um de conotação ultra liberal, outro de extrema direita, seus filhos e amigos conservadores e um grupo militar, que parece ser aquele a quem o presidente ouve e segue. A função de Bolsonaro tem de ser obrigatoriamente  a de moderar e organizar esses grupos e por isso ele necessita da autoridade e da liturgia do cargo.  Jair Bolsonaro precisa tomar consciência de que já não é mais Jair Bolsonaro, é o presidente do Brasil.

                                         BOLSONARO E SEU GURU

Passados quase três meses da eleição presidencial e 20 dias da posse do novo presidente a política nas redes sociais segue o mesmo rumo, com as noivas de Bolsonaro se digladiando com as viúvas de Lula numa batalha mortal.  Nada de novo se vê nesse campo minado no qual a visão crítica e a preocupação com o país parecem ter sido detonadas. Mas esta semana chamou atenção um vídeo do astrólogo e filósofo Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro, que indicou o Ministro da Educação e das Relações Exteriores. No vídeo, Carvalho se utiliza de  expressões chulas e xingamentos para criticar os deputados do PSL, partido do presidente, pelo simples fato de que eles foram visitar a China, pátria do comunismo, uma bobagem que não levou em conta que o  país asiático é 2º maior PIB do mundo e maior parceiro comercial do Brasil. Dias depois, o famigerado filósofo foi se encontrar com o ex estrategista de Donald Trump e, ambos, desceram o pau no Ministro da Economia, Paulo Guedes, criticando suas políticas liberais. Com um guru como esse, o presidente não precisa de inimigos.

                                           BOLSONARO E OS RICOS

“Viu os pobretões que estavam na minha mesa ontem”. A frase foi uma brincadeira do Presidente Jair Bolsonaro com seus assessores ao se referir aos seus acompanhantes no jantar de abertura do Fórum Econômico em Davos. Ele se referia a rainha Rania, da Jordânia, ao presidente da Suíça, a rainha Mathilde, da Bélgica, e aos presidentes da Apple e da Microsoft.  Mal sabia o presidente que o personagem  mais rico naquela mesa era ele próprio, o responsável por administrar um PIB de 2 trilhões de dólares.

                                                           SUDENE

 O baiano Mário de Paula Gordilho, que foi nomeado por Michel Temer para a Sudene –Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, deve permanecer no cargo no governo Bolsonaro.  O cargo é mais importante do que parece, pois a Sudene tem R$ 24,3 bilhões previstos para serem aplicados em 2019 nos empreendimentos localizados na área de atuação da autarquia, por meio dos Fundos Constitucional e de Desenvolvimento do Nordeste (FNE e FDNE). Gordilho já foi presidente da Conder e da Ademi-Ba

                                                   O EMPREGO E O TURISMO

Dos 28,6 mil novos empregos com carteira assinada gerado na Bahia em 2018, o melhor resultado em 3 anos, 71% foram gerados no setor de serviços e o segmento que engloba as atividades turísticas foi o que mais criou postos de trabalho. Os serviços de alimentação e alojamento, que englobam as atividades turísticas, criou 5,8 novos mil empregos e liderou a geração de empregos no Estado, seguido dos serviços médicos e veterinários com 5,5 mil e do comércio e administração de imóveis com 5,4 mil novos empregos gerados. Salvador foi o município baiano que mais criou empregos com carteira assinada em 2018, com 6 mil novos postos, seguido de Simões Filho, Dias D’Avila, Feira de Santana e Vitória da Conquista. As informações do Caged.

                                                               NIZAN

Ao tempo em que dou as boas-vindas a Nizan Guanaes, que se junta ao super time de colunistas do Correio, felicito-o pelo artigo “Salvador 2029: cidade global” e assino embaixo, como se diz na Bahia

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