ADARY OLIVEIRA: O QUE NOS TRAZ O FUTURO

ADARY OLIVEIRA: O QUE NOS TRAZ O FUTURO

Não é necessário que se tenha uma bola de cristal, ou muitos anos de vida, para que se possa prever alguns acontecimentos que estão vindo no futuro próximo, principalmente no mundo econômico e sobretudo em alguns negócios. No caso específico do petróleo, gás e petroquímica, que muita influência exerce sobre a economia da Bahia, é bom acompanhar de perto cada lance e, se possível, abrir espaço para que os fatos sejam conduzidos pelos caminhos de maior favorecimento para o Estado.

A decisão da Petrobras de alienar parte da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), de Mataripe, a segunda maior o Brasil, tem impacto direto sobre as finanças públicas por representar, sozinha, perto de 30% da receita de ICMS. As pendências jurídicas, como a que exigia aval legislativo para a venda de ativos das empresas estatais, estão sendo removidas. Na esteira da venda da refinaria virão, em seguida, a cessão da malha de gasodutos e do Temadre, maior terminal marítimo privativo, especializado em transporte e armazenamento de líquidos. A petroleira estatal procura focar seus negócios na exploração e produção (E&P) desfazendo-se dos seus ativos considerados não essenciais. Ampara-se no entendimento de que estaria obedecendo aos princípios constitucionais, dispositivos de leis e decretos que estabelecem regras de governança, transparência e boas práticas de mercado. Seria a adoção de regime especial de desinvestimento de ativos pelas sociedades de economia mista federais. Circulam informações de que as francesas Total e Engie estão na mesa de negociação, tratando da compra da refinaria e da malha de gasodutos do Norte-Nordeste, respectivamente.

A retomada das providências de desfazer-se das fábricas de fertilizantes nitrogenados, Fafen-BA e Fafen-SE, está sendo feita de forma mais amena. Ao invés da Petrobras submeter as duas unidades a processo de hibernação, admite o arrendamento das plantas, como foi sugerido por vários técnicos, inclusive por este colunista. Tudo indica que é um bom negócio para a boliviana YPFB que pagaria o gás consumido nas duas unidades por gás fornecido através do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), dispondo de ureia, amônia, gás carbônico, hidrogênio e outros insumos para serem comercializados a milhares de quilômetros dos campos produtores de Tarija, do Chaco boliviano, com uma economia imensa de frete.

Outra negociação que está em curso é a da venda da Braskem. Pelo que se sabe, tanto a Petrobras quanto a Odebrecht estariam vendendo a empresa para a holandesa LyondellBasell Industries. Tal finalização depende apenas do acerto de um acordo de fornecimento de nafta da Petrobras. O negócio, estimado em cerca de R$ 40 bilhões, trará forte impacto sobre a economia da Bahia e a multinacional passaria a definir o destino do maior complexo industrial integrado do hemisfério Sul.

Tudo isso está acontecendo durante um período turbulento de mudança de governo e no momento em que algumas companhias independentes que atuam na área de exploração de petróleo, gás natural e refino, estão iniciando atividades na Bahia. Vejo tudo isso com otimismo. O negócio petróleo e gás sempre foi um bom negócio e ainda vai orquestrar a geopolítica mundial por muito tempo. Se os investimentos que aqui estão sendo realizados forem lucrativos, como prometem, para aqui virão outros empreendedores fincando o rastro da geração de riqueza e de novos empregos.

Cabe ao governo e aos empresários da Bahia dar as boas-vindas aos chegantes de modo que aqui desembarquem dispostos a integrarem-se com as classes produtoras, respeitando as peculiaridades da população e obedecendo às leis brasileiras. Se a Petrobras, que por tanto tempo atuou nas terras onde se descobriu o petróleo, lhe deram sua primeira refinaria e onde recrutou os primeiros técnicos petroleiros, considera seus ativos daqui pouco atrativos, só nos resta desejar-lhe boa sorte e estender o tapete vermelho para os que de nós se aproximam.

Adary Oliveira é presidente da Associação Comercial da Bahia – adary347@gmail.com

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