ERIK FIGUEIREDO : RESPONSABILIDADE

ERIK FIGUEIREDO : RESPONSABILIDADE

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A responsabilidade individual é um dos temas mais escassos nas discussões relativas à distribuição de renda. Embora saibamos que a riqueza de uma pessoa é fruto, entre outras coisas, da dedicação aos estudos, das escolhas ocupacionais, do esforço no trabalho e da atitude de migrar para uma cidade mais dinâmica economicamente, dificilmente esses fatores são convocados para explicar o porquê do fracasso econômico. Em outras palavras, no debate público, ninguém prospera por mérito, nem fracassa por demérito. O fracasso – palavra proibida -, é tratado como o resultado de uma conjunção de forças que nada tem a ver com as ações do indivíduo. Em resumo, para o inconsciente popular ninguém fracassa por incompetência e sim por falta de oportunidades.

 

Eu poderia listar uma série de exemplos do dia a dia corroborando a conclusão da última frase acima, mas prefiro trazer os dados contidos no LatinoBarometro (http://www.latinobarometro.org/lat.jsp), survey criado para mensurar percepções subjetivas em países em desenvolvimento. Em uma de suas perguntas, o survey cria o seguinte cenário:

 

Existem opiniões diferentes sobre as causas da pobreza no seu país. Algumas pessoas dizem que os pobres existem porque não fazem muito esforço para melhorar as suas condições de vida, outras pessoas dizem que os pobres existem devido as circunstâncias além de seu controle. Qual destas situações está mais próxima de sua maneira de pensar?

 

O resultado é revelador. Para 64% dos latino-americanos, a pobreza é fruto das circunstâncias e não da “preguiça”. A menor proporção dessa crença é encontrada em Honduras (47%), já as maiores são registradas no Brasil (81%) e na Argentina (81%). Esse tipo de percepção faz com que as pessoas terceirizem seus sonhos. Em última instância, caso tudo dê errado em suas vidas, eles solicitam o amparo do Estado.

 

E não para por aí. Soma-se a isso a não responsabilidade intergeracional. Ou seja, o sucesso de seus descendentes também será, em parte, explicado por seu esforço. Sabemos que há inúmeros casos de pais e mães que sacrificam suas vidas visando um futuro melhor pra seus filhos. Infelizmente, temos um número bem maior de pessoas que não agem dessa forma. Seu filho deve ter uma vida melhor do que a sua, caso contrário, você fracassou como pai. Em suma, o ciclo de vida de um indivíduo contém, pelo menos, duas responsabilidades. O seu próprio resultado econômico e o resultado econômico de seus descendentes.

 

Diante disso, a mensagem principal é: o sucesso requer esforço. Uma vida dedicada a obtenção do sucesso atrai poucos, pois, ela concorre com outros “prazeres” da vida. Por exemplo, temos que nos educar durante a infância e adolescência, abrindo mão de horas preciosas de nossas vidas em nome de algo que, naquele momento, não traz um benefício tão claro. O ato de migrar, isto é,  buscar oportunidades longe do seu local de nascimento, também é algo doloroso, pois envolve a quebra de laços afetivos. A dedicação ao trabalho também não é simples. Empreender, então? Isso é ainda mais complicado, em especial em um país como o nosso, onde a burocracia e os impostos matam os projetos em seu nascedouro.

 

Por fim, esse artigo não pretende negar a existência de fatores externos que interferem no sucesso/fracasso dos indivíduos. O objetivo aqui foi falar de algo menos glamoroso. Tocar nas feridas. Lançar uma mensagem que não rende likes nas redes sociais. Não serve de texto para seus vídeos no Instagram enquanto você distribui presentes para os “menos favorecidos”. Não faz de você uma pessoa cool. Mas acreditem, o primeiro passo para a superação do subdesenvolvimento é bater palmas para os que vencem e diagnosticar as falhas daqueles que fracassam.

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