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F√ĀBIO PINA - CONSULTOR ECON√ĒMICO DA FECOM√ČRCIO-BA


 

BE- O Brasil viveu um período muito ruim nos anos últimos anos e com isso a economia chegou a entrar numa recessão que para muitos foi a maior recessão da história. Porém, em 2017, a economia respondeu um pouco melhor. Podemos afirmar que o país já saiu da crise?

FP-
 Sim. Os números mostram isso. Precisamos analisar cada setor e mostrar que existem segmentos da economia que visivelmente já estão aptos a ter um crescimento considerável em 2018. Esse fato só foi possível por que a economia apresentou significativos pontos de melhora. Em números dizemos que esperamos um crescimento de 1% do PIB em 2017 no cenário real. Sendo um pouco mais otimista que ele chegue a 2%, mas deve variar nessa pauta ai. Um pouco mais para cima ou um pouco mais para baixo. Outro segmento que também tem mostrado boa recuperação a nível nacional é a produção industrial. Esperamos mais ou menos um crescimento de 2,5% em 2017.

BE- A geração de emprego sempre foi considerada um fator importante para a economia. O país chegou a ter perto dos 14 milhões de desempregados no momento mais grave da crise e hoje passa perto dos 13 milhões. Um número ainda alto. Qual a perspectiva para a geração de emprego em 2018?

FP-
 Caso não haja uma catástrofe política. O país deve continuar crescendo e gerando empregos. Não podemos ser pessimistas nesse ponto. O país crescendo, a confiança do empresariado crescendo, os empregos vão voltar. E estão voltando. Nesse cenário destacamos que a reforma trabalhista tem um papel fundamental. Foi preciso uma atualização das leis trabalhistas para que o empresário tivesse condições de contratar. E ai entra uma questão muito importante que é a desoneração dos custos para o empresário. E ai entra a questão da segurança jurídica, a questão da confiança do empresário para investir, a questão da produção aumentada e muitos outros fatores geradores de empregos. O comércio varejista, que sempre foi um fator de destaque na criação de empregos, deve crescer em média 2% em 2017 e com uma visão otimista podendo chegar a 5%.

BE – Em relação a taxa de juros, o Banco Central no final de 2017 deixou a taxa Selic no valor mais baixo de sua série histórica, com isso influencia na retomada do crescimento?

FP-
 A taxa Selic é um dos indicadores mais importantes que a economia tem para a determinação de preços de alguns segmentos principalmente o ramo da alimentação. O preço das coisas é pautado nessa taxa. Para economia a taxa é muito importante ela é um reflexo muitas vezes tardio porém muito eficiente do que acontece com a economia. Em 2017 existe uma expectativa de ser de 7%. Sendo um pouco mais otimista podemos dizer que ele pode fechar em 6% o que seria muito bom para o consumidor que vai ter seu poder de compra ampliado. Uma das grandes vantagens da retomada da economia e a queda da inflação é que existe um aumento do poder de compra do trabalhador. 

BE- Depois que a reforma da previdência foi anunciada houve um crescimento nas solicitações de aposentadoria no poder público. Se a reforma da previdência ficar para 2019 será muito ruim para economia? 

FP-
 Esse é um processo natural que deve acontecer. O importante de se destacar é que quanto mais se alongar essa reforma mais gente vai se habilitar a se aposentar e vamos ter menos gente para custear essas aposentadorias. Então é muito importante que se faça o quanto antes essa reforma. O que acontece é o seguinte, esse sistema de previdência não funciona mais. Antes você tinha 20 trabalhadores para sustentar um aposentado, hoje nós estamos envelhecendo e precisamos atualizar esse sistema para evitar que o serviço quebre. Se nós fizermos um balanço hoje da situação da previdência observamos um rombo aproximado de R$ 300 bilhões, então não pode continuar do jeito que está ou se não vai quebrar. 

BE- A Reforma que o governo colocou em pauta ela é do tipo escalonada, com duração de 20 anos para se chegar a um patamar desejável. Esse tempo todo também não é prejudicial a economia?

FP- 
Partido da análise de um economista podemos dizer que a reforma poderia ser melhor. Mas nós entendemos que a reforma proposta pelo governo foi aquela possível. Ninguém no ministério poderia propor uma reforma que fosse politicamente inaceitável. É preciso que se tenha a consciência disso. É claro que seria melhor propor uma coisa de imediato que solucionasse o problema mas não é isso que acontece pela questão política.

BE- Serão necessárias novas reformas com o passar dos anos?

FP- 
Com certeza. O sistema atual proposto pelo governo não vai atender as necessidades por muito tempo vai ser necessário uma nova reforma em um determinado momento de um futuro próximo. Mas no momento vamos analisar de acordo com as propostas da economia do momento. De ante mão eu acredito que sim, vai ser necessário uma nova reforma da previdência ou trabalhista com o passar dos anos próximos.

BE – Qual o setor mais beneficiado e mais prejudicado com a reforma da previdência?

FP- 
A previdência afeta muito pouco o setor privado. Ela atinge mais o setor público. Você observa que existem quantos trabalhadores que ganham 5 mil reais por mês ao se aposentar. Quase nenhum. A grande maioria é um salário mínimo ou mil e poucos reais, esse trabalhador não será afetado pela regra que limita o teto em cinco mil reais. Agora no setor público não. Tem muita gente dentro de governo que se aposenta ganhando 20 30 40 mil reais por mês. Esse será o mais prejudicado e é onde a reforma tem o maior impacto e resistência negativa.
 


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