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LUCAS LEAL - A SEMANA NA BOLSA - NOVA MÁXIMA HISTÓRICA
JOSÉ MACIEL - AGRONEGÓCIO SUSTENTÁVEL GANHA ADESÕES E ESPAÇOS


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LIDICE DA MATA - SENADORA DO PSB PELA BAHIA


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BC E ASSOCIAÇÃO LANÇAM CAMPANHA PELO USO CONSCIENTE DO CARTÃO DE CRÉDITO




FRASE DO DIA
 


"Eu vou para federal porque o ambiente da política na minha região proporciona um fato inusitado: não tem nenhum candidato da base em Feira"

Zé Neto 
Deputado Estadual 









ENTREVISTAS
 
FÁBIO NOGUEIRA - PRESIDENTE ESTADUAL DO PSOL

BE - As manifestações realizadas no país, denominadas greve geral causaram muitos transtorno na cidade porém a adesão não foi aquela esperada pelo movimento. O presidente da CUT chegou a falar que a chuva que ocorreu nos dias foi um dos fatores que contribuiu para a queda na adesão. O que o senhor poderia falar a respeito? As manifestações atingiram seus objetivos?
 
FN -
A segunda greve geral teve uma adesão menor que a primeira. A primeira greve geral parou praticamente todo o país. Temer e sua maioria golpista no parlamento governam de costas para os movimentos social e sindical e só atende aos interesses dos grandes empresários e corporações. Vivemos uma espécie de plutocracia em que a democracia funciona apenas como um apêndice para legitimar decisões sem a participação da sociedade civil. As conseqüências disso serão terríveis ao funcionamento de nossas instituições e tendem a aumentar a crise de legitimidade do Executivo e Legislativo. Quanto a esta segunda paralisação houve muita hesitação por parte das Centrais Sindicais quanto a pauta e o momento da greve. O rolo compressor de Temer - com a Contra-Reforma da Previdência e Trabalhista - opera em várias frente e é necessário que a ação dos movimentos seja firme e unificada para nos contrapormos a atual desconstrução do estado brasileiro e as garantias protetivas da CLT e Seguridade Social.
 
BE- A aprovação da reforma trabalhista foi um dos pontos mais importantes do governo do presidente Michel Temer. Existem algumas indicações econômicas que mostram uma aparente melhora da economia depois da aprovação do texto e sanção do presidente. Porém, os movimentos sociais questionam direitos adquiridos que foram perdidos com a reforma. O senhor acredita que o caminho adotado pelo governo é o melhor ?
 
FN -
A tímida e insignificante retomada dos indicadores econômicos nada tem haver com a aprovação da reforma trabalhista. Aliás seus efeitos são para lá de duvidosos já que nenhum país capitalista desenvolvido foi capaz de aprovar uma lei tão lesiva aos interesses e condições de trabalho, emprego e renda. A reforma trabalhista de Temer não é um esforço de modernização das leis trabalhistas como a propaganda governista difunde. Ao contrário, os especialistas apontam os efeitos negativos em termos de produtividade do trabalho e garantia de que os trabalhadores e trabalhadoras possam desenvolver suas atividades com segurança de que serão remunerados de maneira justa e que receberão dos empregadores um tratamento digno e humano. O que melhoraria as condições de nossa economia, sem dúvidas, seria um investimento em produção e o refinanciamento e aumento do crédito para médios e pequenos empresários, além, é claro, de medida de estímulo ao consumo responsável entre os trabalhadores e mais pobres. É incrementando os níveis de renda dos trabalhadores e não diminuindo.
 
BE- O Presidente Lula foi condenado em primeira instância a quase 10 anos de cadeia no caso do triplex do Guarujá. A medida ainda precisa passar por outros tramites jurídicos e ainda não é definitiva. A condenação do presidente , que é o principal nome das oposição nas eleições de 2018, inclusive liderando pesquisas, pode interferir na campanha do ano que vem?
 
FN-
Nós do PSOL teremos candidatura própria em 2018 para presidente da República. Não iremos de Lula e fomos os primeiros, desde a esquerda, a denunciar e se opor aos conjunto de práticas e medidas que contribuíram para o país estar no atual atoleiro político e econômico. Porém uma coisa é querer justiça. Outra, completamente diferente, é ser justiceiro. Não vemos materialidade na condenação do juiz Sérgio Moro a Lula e, até surjam outros elementos que comprovem a acusação, consideramos que a condenação se trata mais de uma artimanha política que uma decisão jurídica e baseada em fatos. A politização do judiciário é algo muito ruim para a democracia. Afinal, é com o beneplácito do judiciário que Aécio Neves (este sim, com uma prova robusta de prática de corrupção) continua Senador, assim como, Temer é presidente do Brasil. Um raio de esperança surgiu com a prisão de Geddel (aliado de ACM Neto, este também que aparece como o Anão na lista de propina da Odebrecht) mas, logo, em seguida, ele é solto. Enquanto isso um jovem negro e pobre, como Rafael Braga, preso com um frasco de Pinho Sol, numa das manifestações de 2013, continua preso. Nós do PSOL queremos justiça e não justiçamento. Se houver provas contra Lula, se apresente. Senão, vamos deixar que as urnas decidam o que é melhor para o país. E nós do PSOL teremos alternativa própria a presidência do Brasil.
 
BE- O governo está reduzindo drasticamente as verbas para universidades federais e pesquisa. A medida se dá devido ao fato do não cumprimento da meta fiscal. A proposta que limita os gastos do governo congelou os investimentos em saúde e educação, porém, não estão havendo cortes no orçamento da maquina pública federal. Os cartões corporativos e verbas de gabinete continuam muito altas. O que o senhor poderia falar a respeito?
 
FN-
É curioso o governo golpista falar em meta fiscal para atacar as instituições públicas superiores - que são de excelência e muito contribuem ao nosso desenvolvimento científico - enquanto os juros da dívida comprometem mais da metade do orçamento público. Tudo poderia se resolver como uma Auditoria Cidadã da Dívida para que os brasileiros e brasileiras tenham consciência de que muito do que é gasto de juros da dívida pelo governo já foi pago. Temer se comporta como um líder autoritário: o ataque às universidades nada mais é que o ataque ao pensamento crítico e a possibilidade de um projeto independente de nação para o qual o investimento em ciência e tecnologia é um pressuposto. O uso dos cartões corporativos e as verbas de gabinete obscenas num governo como o de Temer em que o país corre o risco de voltar ao mapa da fome (segundo a ONU) são a manifestação da máxima do "faça o que eu falo e não o que eu faço". É uma desmoralização completa o que só vai se modificar com o controle público dos gastos de ministros e assessores. 
 
BE- O aumento de impostos tem sido uma marca negativa para o consumidor do Brasil a anos. Não só no governo Temer. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. O que o senhor poderia falar a respeito?
 
FN -
Concordo que a taxa tributária no Brasil é alta para os mais pobres e a classe média. Porém, é muito baixa para os mais ricos. A reforma tributária deve partir do pressuposto de quem "recebe mais, paga mais e quem recebe menos, paga menos". Desonerar o consumidor é incrementar o consumo o que pode gerar um espiral positivo de desenvolvimento. As desonerações fiscais - levadas ao extremo por Dilma ao ponto de sacrificar as contas do governo - não podem ser feitas de maneira irresponsável e devem ter a contrapartida dos empresários em termos de garantias de salário e estabilidade. Nós do PSOL defendendo mecanismo como a taxação das grandes fortunas que poderiam, por exemplo, contribuir para um pacto tributário mais justo que leve em consideração a capacidade contributiva das pessoas. Agora Temer anuncia um aumento de 40% na  gasolina e os efeitos serão sentidos em toda cadeia de produção mas quem pagará o pato será o cidadão comum.
 
BE- O ex-presidente Lula vem a Salvador nos próximos dias para falar com a juventude baiana. Qual a expectativa da classe para o evento?
 
FN -
Nós do PSOL não participaremos desta atividade pois não é um ato de solidariedade a Lula mas um ato político e eleitoral com vista a eleição do ano que vem. Somos contrários ao golpe e a seletividade da justiça (mais particularmente de Sérgio Moro) porém nossas diferenças com o PT são estratégicas no que diz respeito a governabilidade (um exemplo é o governo Rui Costa na Bahia e sua aliança com o PP e PSD) e por entendermos que um projeto alternativo deve nascer dos movimentos sociais e dos cidadãos comuns. Nosso horizonte político não é o volta Lula. Até porque durante os governos do PT, apesar de inegáveis avanços sociais, tivemos ataques aos servidores públicos, a aprovação de uma Lei Antiterror, o PMDB de Sarney e Geddel, a ausência de uma política consistência de reforma agrária e urbana, entre outras coisas. Porém, desde o primeiro momento entendemos que com Temer e ACM Neto não haverá avanço e que suas práticas representam o que existe de pior e mais atrasado na política brasileira. Os fatos comprovam isso. Por isso o PSOL terá candidatura própria a presidente em 2018, assim como, apresentará nomes para o governo do Estado e ao Senado.


 


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