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ARMANDO AVENA - JANOT X TEMER OU O CRIME COMPENSA
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64% DOS BRASILEIROS QUE TEM RESERVA FINANCEIRA ESCOLHEM A POUPANÇA




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“Há um clamor de mudança e renovação no coração dos baianos”

ACM Neto
Ptrefeito de Salvador, falando sobre a possibilidade de ser candidato ao governo do estado em 2018







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PAULO VILLA - USUPORT-BA
 

 
BE- A Tecon Salvador divulgou durante essa semana que a movimentação do porto de Salvador cresceu 3,4%, indo de encontro a crise que o país enfrenta. Esse dado pode representar uma recuperação do setor no ano de 2017?
 
PV- Não vemos ainda a possibilidade de recuperação da economia voltada ao comércio exterior, uma vez que a Bahia continua com poucos serviços, baixo índice de conexão com portos mundiais e preços de serviços muito elevados nos portos, o que mantém as empresas do Estado da Bahia com um nível baixo de competitividade.
 
BE- O tempo médio de carga e descarga no porto de Salvador ainda é muito alto em relação a portos europeus e até nacionais. Isso eleva o custo brasil e encarece o serviço. Quais os investimentos que precisam ser feitos para que esses custos sejam reduzidos?
 
PV - Os investimentos necessários no Porto de Salvador são a implantação de quatro berços para grandes navios porta-contêiner, incluindo obras de dragagem para atingir a profundidade de menos 20 metros. Uma das iniciativas mais importantes e eficientes é a transformação do Porto de Salvador em um Superporto do Brasil, com dois terminais concentradores de cargas e distribuição para todos os portos do Oceano Atlântico Sul. É proposta da Usuport para “virar a mesa” da competitividade brasileira, aproveitando o fantástico potencial da Baía de Todos os Santos e do próprio porto.   

BE- O Brasil é um país onde mais 80% do transporte interno de produtos é feita através de rodovias. Os percursos que ligam até os portos em alguns lugares da Bahia estão defasadas. Por isso o tempo gasto é maior. O investimento do governo federal e estadual em estradas tem resolvido sido suficiente para atender a demanda do setor?

PV- Não. A Bahia parou no tempo e perdeu muito nos últimos 10 anos em relação à infraestrutura. A frota de veículos e tráfego aumentaram muito e temos a mesma infra de três décadas passadas. O governo federal apenas privatizou partes da BR-324 e da BR-116, em que tínhamos a expectativa de rápido aumento da capacidade de tráfego, mas, infelizmente, a realidade mostra que isto somente acontecerá em longo prazo. Outras rodovias federais que necessitam aumentar a capacidade, como a BR-101, BR-242 e os demais trechos da BR-116 e BR-324, estão fora do planejamento nacional de expansão de infraestrutura e ainda não sabemos quando serão inseridos. O governo estadual não tem condições financeiras de manter a conservação de sua malha rodoviária de modo permanente. A BA-052 é um exemplo de degradação. Daí, depende de grandes empréstimos e, como isto só ocorre de tempos em tempos, as estradas se acabam e sua recuperação torna-se muito mais onerosa. Este círculo vicioso já dura mais de duas décadas e revela uma ineficiência de gestão. Será necessário privatizar rodovias, tanto para conservação como para expansão de capacidade. 

BE- Em relação a impostos a carga tributária do Brasil é uma das mais altas do mundo. O setor portuário não fica atrás. Além disso existe uma burocracia grande por trás desse processo. Qual a melhor solução para esse problema?
 
PV- São diversas soluções, mas vale destacar dois pontos capazes de alavancar o país: primeiro, a expansão da infraestrutura e serviços com aumento da competição, uma vez que prorrogações de concessões em regime de monopólio, somente determinam o atraso econômico e social do Estado e da Nação; segundo, a regulação voltada ao interesse público, de modo a aumentar a eficiência da infraestrutura pública e fazer com que a empresa operadora precifique os seus serviços como em um mercado que tenha concorrência. O Brasil e, sobretudo, o Estado da Bahia necessitam ter uma estratégia definida de desenvolvimento da sua infraestrutura de transporte de cargas, para dar competitividade às suas empresas, que produzem, geram empregos, riquezas e pagam impostos.     

BE - A presidente Dilma prometeu construir uma ferrovia que cortaria o Brasil do Norte ao Sul, porém esse grande projeto não saiu do papel, assim como a Ferrovia Oeste Leste e o Porto Sul, que estão andando com muita dificuldade. O governador Rui Costa criou uma força tarefa para entregar a obras a iniciativa privada, essa seria a melhor solução para a FIOL e o Porto Sul?
 
PV -São projetos mal elaborados e sem o prévio planejamento necessário. Isto é fato que restou comprovado com o passar do tempo e que ninguém pode contestar. Já se foram dez anos e muitos bilhões. A Fiol não poderia ser feita dependente de apenas uma commodity, portanto, mereceria um estudo mais abrangente que desse sustentabilidade ao projeto de médio e longo prazo. A melhor solução é integrar a Fiol à malha da FCA, modernizando esta, para servir ao maior número possível de cargas e clientes, com ligações simultâneas aos portos de Salvador, Aratu e Ilhéus. O Porto Sul deve ser de interesse para um terminal exportador de minério e, no futuro, pode agregar novas cargas. Mas, quem tem a Baía de Todos os Santos não necessitaria de um caro porto offshore, tanto como investimento ou na sua operação.   
 

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