ENTREVISTAS
 
ROBERTO DURAN - PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL DE TURISMO


BE - O turismo da Bahia teve um ano de 2016 muito ruim. Algumas pessoas do ramo afirmam que o ano acabou sendo o pior dos últimos anos, seguindo uma série história de cinco anos muito deficientes. Nesse período o Centro de convenções operou sem o limite da sua capacidade até ficar fechado para obras e desabar. Na sua opinião a gestão do governo de administração do Centro de Convenções foi ruim? 

RD
- Na sua afirmação inicial não existe alguém falando que foi o pior ano na serie histórica, são os números que por si só falam. Na questão CCB não podemos imputar toda a responsabilidade ao atual Governo, pois isto decorreu de um abandono de um bem público, durante pelo menos uma década e claro acelerada com a falta de interesse deste governo em buscar uma solução para o problema, sem dar a prioridade que o equipamento exigia, e o segmento econômico precisava.   

BE - A Bahia perdeu só no ano de 2016, mais de 30 mil postos de trabalho no turismo, com fechamento de bares e restaurantes, hotéis, dentre outros. Existem locais em Salvador que os estabelecimentos estão apenas com 20% da capacidade pois a demanda está muito aquém, principalmente no chamado período do turismo de inverno, onde a atração paria não existe. Em termos de contratações qual a sua expectativa para o turismo em 2017? 

RD-
Apesar do esforço feito pelo municio em voltar a requalificar o Destino Salvador da Bahia, ainda carecemos de uma promoção massiva no público final para começarmos a obter reais e significativos resultados, porem este trabalho inicial vem começando a dar resultados no turismo de lazer como bem você colocou, porem durante quase todo o ano, o turismo de negócio e congressos e eventos é quem segura a viabilização econômica desta atividade, regulando o fluxo de turista durante quase todo o ano. Diante da impossibilidade de contarmos com a realização dos grandes congressos e eventos em SSA por falta do CCB, lamentamos informar que a perspectiva será de um enxugamento ainda maior.    

BE - O segmento do turismo representa quase 7% do PIB do estado. Porém, os investimentos no setor estão cada dia mais escarço, principalmente na Bahia. Quais os principais pontos que necessitam de uma atenção especial do governo do estado hoje para o turismo da Bahia?

RD -
Centro de Convenções/ 02 - Requalificação significativa do Aeroporto/   03 - Promoção qualificada e significativa nos mercado emissores, para que possamos voltar ao mercado/ 04 - Requalificação dos destinos da Bahia (Bahia de Todos Santos, Lençóis, Ilhéus e Etc )   

BE - O aeroporto de Salvador está em obras a mais de três anos e uma obra que nunca termina. O prefeito ACM Neto pensou até em pedir ajuda ao governo federal para obras emergências no local, o que vai acontecer. Na sua opinião a concessão é o melhor caminho para o aeroporto de Salvador. Vai resolver todos os problemas que ele enfrenta hoje? 

RD-
A concessão poderá ser um caminho, devido à falta de capacidade do estado em gerir e investir no equipamento, porem ela só será eficaz se o edital de privatização exigir as adequações necessárias para que o equipamento desempenhe suas funções adequadamente. Exigência mínima deveriam ser: Duplicação da estação de passageiros, duplicando fingers e esteiras rolantes para bagagens, duplicação do pátio de estacionamento de aeronaves e fundamentalmente construção da segunda pista de longo curso do aeroporto.    

BE - O turismo de navios tem sido bastante aproveitado em Salvador. Na sua opinião quais os pontos que o senhor destacaria que necessitaria de uma ampla reforma para atrair mais turistas pelos cruzeiros?

RD-
O investimento em infraestrutura é fundamental. Saliento que existem recursos liberados pelas Prodetur, porém sem aplicação, o que em um futuro próximo esperamos que possa suprir para destacar a lacuna. No caso da estrutura deficitária do Comercio para receber estes navios, necessitamos de uma requalificação da área, que pelo que fomos informados está em curso através da prefeitura, além de uma reavaliação das taxas exorbitantes cobradas pelo nosso porto e pelo monopólio dos pratico que vem restringindo o crescimento desta atividade.

BE - A reforma da orla e do Rio Vermelho requalificou dois pontos importantes para o turismo em Salvador. Na sua opinião qual a importância de obras como essas? 

RD -
Fundamental requalificação do produto Salvador, devendo ser aplicada ao longo de todo o município, adequando cada região com suas características e potencialidades. 

BE-  Quais os principais legados que as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas que foram realizadas em Salvador e no Brasil deixaram para o turismo na nossa capital?

RD -
Insignificante, haja visto que todas as obras prometidas não foram concluídas e as que o foram, ficaram a desejar. Além do grande legado para o turismo que seria a divulgação em todo o mundo, se perdeu pela nossa incapacidade em capitalizar os eventos na divulgação dos destinos.       
 

Rua Dr. José Peroba, 297, edf. Atlanta Empresarial, sala 709/710 - Stiep - Salvador CEP: 41.770 - 235 - Tel: 3565 - 2888