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ARTIGO
 
18/12/2017 06:03
RAFAEL AVENA NETO - CBPM – 45 ANOS DESENVOLVENDO A MINERAÇÃO BAIANA



A todos do setor mineral uma pergunta sempre vem à baila. Qual a receita da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - CBPM para ser uma das únicas empresas estaduais de mineração ainda existente no país? Eu sempre respondo: Nunca ter misturado política partidária em sua área de atuação técnica e nunca ter perdido seu rumo, baseado em dois pilares básicos: desenvolvimento mineral e conhecimento geológico, com a consequente descoberta de novas oportunidades minerais.

Criada pela lei estadual de 18 de dezembro de 1972 e formalmente constituída em 27 de março de 1973, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM completa 45 anos de pleno sucesso no desenvolvimento mineral do Estado da Bahia. Pode-se afirmar, sem medo de errar, que qualquer que seja o projeto de mineração tocado atualmente em solo baiano, ele tem pelo menos um pequeno vínculo com a empresa estadual baiana, considerada modelo a nível nacional e elogiada por todos os mineradores.

Se a Bahia é o quinto produtor mineral nacional, grande parte se deve aos estudos e ao acervo técnico gerado pela CBPM. Suas descobertas e, consequentemente, as cinco minas colocadas em produção, a partir de 2007, em seus direitos minerários, trouxeram para o Estado investimentos importantes, e representam 22% da Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC), que atualmente gira em torno de mais de 2 bilhões de reais.

Sua história pode ser dividida em três importantes estágios: O primeiro o da Busca do Conhecimento (1973 – 1980), quando a empresa dedicou-se a estudar o arcabouço geológico baiano, desenvolvendo, entre tantas atividades, o levantamento de todas as ocorrências minerais do Estado e difundindo o conhecimento geológico alcançado; o segundo estágio foi o do Desenvolvimento Mineral (1981 – 2006), quando a empresa, mesmo sem deixar de lado suas ações no campo da geologia básica, prospecção e pesquisa mineral, começou a dar ênfase ao aproveitamento econômico dos seus direitos minerários, identificando e caracterizando os principais ambientes metalogenéticos altamente favoráveis a conterem mineralizações, dando início assim, às primeiras grandes descobertas, como o Vanádio de Maracás e o Ouro de Santa Luz.

Finalmente o atual estágio, o da Consolidação das Descobertas Minerais (2007 – 2017), quando os resultados de anos de pesquisas começam a se consolidar, transformando-se os depósitos minerais descobertos em minas, cujos maiores destaques são as de Níquel de Itagibá e Vanádio de Maracás.


Paralelamente às atividades de conhecimento geológico e pesquisa mineral, a empresa executa ações voltadas para a atração de capitais de risco, através da iniciativa privada, em empreendimentos mineiros voltados ao aproveitamento econômico das suas descobertas, proporcionando assim a geração de riqueza e renda, principalmente no semiárido baiano, levando à essas populações carentes os benefícios sociais da mineração.

Essas ações têm trazidos expressivos resultados e reflexos positivos para a economia baiana, com aumento do valor da produção mineral comercializada, além de gerar um impacto social positivo nos municípios e seus entornos onde se situam as minas, com geração de mais de cinco mil empregos.
Entre 2009 a 2017, na implantação de cinco empreendimentos mineiros, as empresas privadas, que arrendaram as áreas da CBPM, investiram mais de 1,5 bilhão de dólares.

A CBPM vem cumprindo, portanto, de forma indelével, sua missão de desenvolvimento mineral do Estado da Bahia, sempre se adaptando às novas tecnologias e vivenciando a cada dia novos desafios, que as diretrizes política, social e econômica exigem.

Nesse sentido, projetando o amanhã, a CBPM começou a pesquisar os chamados Minerais Portadores de Futuro, entre eles, o Cobalto, o Tântalo, o Tálio, o Nióbio, o Potássio, o Fosfato, o Lítio, as Terras Raras (ETRs) e a Grafita para Grafeno, com ênfase para os três últimos.

No Brasil o lítio se associa aos pegmatitos, sendo que os maiores depósitos do mundo estão no Chile, Uyuni na Bolívia e Del Hombre Muerto na Argentina. No território baiano existe grande probabilidade da presença desses minerais nas Bacias Carbonáticas e Sedimentares; já os principais minérios relacionados às Terras Raras (ETRs), utilizados em diversas aplicações tecnológicas, têm como principais ambientes os Cordões Litorâneos e Rochas Alcalinas do Sul da Bahia, além do Complexo Carbonatítico de Angico dos Dias.

Mais o que tem mais chamado a atenção da CBPM, no entanto, é a grafita,por ser considerado atualmente como a mais importante substância mineral a ser pesquisada e que na Bahia aparecem indícios nos complexos Jequitinhonha, Bambuí e Itapetinga.

A produção de grafeno, a partir da grafita natural, agrega enorme valor e tecnologia a esse mineral. Em termos econômicos, enquanto uma tonelada métrica de grafita é hoje comercializada por aproximadamente US$ 1.000 no mercado internacional, uma tonelada métrica de grafeno é comercializada por mais de 500 vezes esse valor, sendo que, dependendo da aplicação, o preço pode chegar a US$ 100 por grama. De 1 kg de grafita pode-se extrair 150 gramas de grafeno, avaliado em pelo menos 15 mil dólares.

Nos próximos 20 anos veremos o grafeno (material desenvolvido em laboratório, que foi descoberto em 2004, para qual existem várias utilidades e um enorme potencial para novos usos em setores como: defesa, eletroeletrônicos, semicondutores, plásticos ou látex, televisores e smartphones, com displays flexíveis e transparentes) está presente cada vez mais em diversas tecnologias no nosso dia a dia e em outras que ainda nem imaginamos.

O Brasil e Bahia tem grande potencial de elevar suas reservas e descobrir novos depósitos, estimulados pela valorização futura da grafita e de novas aplicações para o grafeno, porém terá que avançar muito ainda na cadeia produtiva, e realizar investimentos expressivos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação – PD&I.

É, portanto, mais um desafio para a CBPM, nos seus próximos 45 anos de sucesso.
 



 Rafael Avena Neto

Geólogo e Diretor Técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM

 

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