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ARTIGO
 
30/10/2017 08:30
JOSÉ MACIEL - AINDA A PROPÓSITO DO AGRONEGÓCIO SUSTENTÁVEL



Dando continuidade à perspectiva analítica da última coluna, quando ressaltamos algumas experiências de empresários, produtores rurais e "startups"  ligadas a atividades e serviços voltados para a agropecuária sustentável, no artigo de hoje pretendemos comentar sucintamente duas experiências : a do grupo paulista BALBO , produtor de cana, de açúcar e álcool e as opções dos Sistemas Agroflorestais (SAFs),  particularizando o caso do nosso cacau.
 
No primeiro caso, o grupo BALBO, grande produtor da cadeia sucroalcooleira, no município de Sertãozinho, em São Paulo, deu uma guinada estratégica na segunda metade da década de 1980, capitaneada por Leontino Balbo Júnior, neto do fundador (ver o Valor Econômico,  de 27 de outubro último) da empresa. Récemformado em Agronomia, Leontino decidiu testar o cultivo da cana sem o concurso de defensivos químicos, com controle biológico de pragas, plantio direto e abolindo a tradicional queimada na colheita, prática essa que teve sua proibição decretada muitos anos depois.
 
 Vislumbrando o potencial de mercado para o açúcar orgânico, Balbo pretendia converter parte da produção para a agricultura orgânica. Depois de muitos percalços e um longo processo de aprendizado , o empresário   transformou o empreendimento na maior experiência de agricultura orgânica do país e tornou-se o maior produtor de açúcar orgânico do mundo, com uma área  de mais de 21 mil hectares de produção cerificada, e produção de de 87 mil   toneladas de açúcar e 55 milhões de litros de álcool. Posteriormente, criou a marca Native , com vários produtos (açúcar, café, sucos, chocolates e outros itens) com certificação orgânica. As plantações convivem  com áreas de vegetação nativa, possibilitando o ressurgimento de uma fauna diversificada, conforme monitoramento feito em parceria com a EMBRAPA. A experiência mostra ou pelo menos sugere que é possível, em alguns casos, implantar um agronegócio  sustentável em condições de grande escala.
 
 No caso dos SAFs, modelos nos quais constata-se  a existência de consórcios de espécies  arbóreas (nativas e/ou plantadas)  com cultivos perenes, pastagens e/ou lavouras anuais , as vantagens são óbvias, com a maior biodiversidade,  presença de inimigos naturais e menor incidência de pragas e doenças, redução da erosão dos solos, pela maior proteção  da copa da árvores, diminuindo o impacto das chuvas , conservação de recursos hídricos, além da possibilidade de estabilização da renda dos produtores, pois a baixa de preços de um produto pode ser compensada pelo aumento dos preços de outros.
 
 Na região amazônica, temos diversos SAFs envolvendo o cacau, a exemplo do sistema cacau e coco, cacau e açaí, cacau e graviola e outras espécies.
 
 Na Bahia, o modelo mais pesquisado refere-se, além  "cacau cabruca", envolvendo o cacau  sombreado pela mata nativa, ao cacau  lado a lado  com seringueiras, no caso  estas substituindo a tradicional Eritrina, oferecendo ao produtor mais uma opção de renda com a venda de borracha.
 
 Outras espécies arbóreas podem ser pensadas, mas  sua implementação em maior escala depende de mais pesquisas da CEPLAC, que carece de uma escassez crônica de recursos. A despeito do abandono a que essa valorosa entidade foi submetida ao longo dos  sucessivos governos centrais, alguns dirigentes cogitam  a busca de  uma outra  personalidade jurídica para que este organismo possa ter mais autonomia e possa buscar mais recursos para suas atividades,  diminuindo a dependência dos minguados orçamentos alocados  pela União.
 

 

José Maciel
Consultor Legislativo
Doutor em Economia pela USP.
E-mail:  jose.macielsantos@hotmail.com

 
 


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